Comer ovo todos os dias não significa necessariamente que o colesterol no sangue vai aumentar. Embora a gema contenha colesterol, seu efeito depende da quantidade consumida, das características individuais e do restante da alimentação. Para muitas pessoas saudáveis, o consumo moderado de ovos pode fazer parte de uma dieta equilibrada. O que merece atenção não é apenas o colesterol presente no ovo, mas também a quantidade de gorduras saturadas consumidas ao longo do dia. Por isso, um ovo cozido acompanhado de alimentos ricos em fibras representa uma escolha nutricional diferente de uma refeição com bacon, manteiga e outros alimentos gordurosos.
O colesterol do ovo aumenta diretamente o colesterol do sangue?
O colesterol presente nos alimentos é chamado de colesterol alimentar. Ele é encontrado principalmente em produtos de origem animal, como ovos, carnes e laticínios. Já o colesterol medido nos exames de sangue depende tanto da alimentação quanto da produção realizada pelo próprio organismo, especialmente no fígado.
Quando uma pessoa consome alimentos que contêm colesterol, o organismo consegue ajustar parcialmente sua produção. Entretanto, essa compensação varia entre indivíduos, o que significa que algumas pessoas apresentam mudanças maiores nos níveis sanguíneos após aumentar o consumo de colesterol alimentar.
O ovo contém aproximadamente 185 a 200 miligramas de colesterol por unidade grande, concentrados na gema. Apesar disso, possui relativamente pouca gordura saturada quando comparado a alimentos como bacon, manteiga e carnes muito gordurosas.
Em uma orientação científica publicada em 2019, a Associação Americana do Coração (AHA) destacou a importância de avaliar o padrão alimentar completo, em vez de considerar apenas um nutriente isolado. A instituição também esclarece que pessoas saudáveis podem incluir até um ovo inteiro por dia em uma alimentação equilibrada, com ressalvas para determinadas condições de saúde.

Por que o restante da alimentação faz tanta diferença?
O colesterol LDL, frequentemente chamado de colesterol ruim, pode aumentar quando existe consumo elevado de gorduras saturadas. Essas gorduras estão presentes em alimentos como manteiga, bacon, linguiça, carnes gordurosas e determinados queijos.
Por isso, uma pessoa que come ovo diariamente, mas mantém uma alimentação rica em verduras, legumes, feijão, frutas e cereais integrais, pode apresentar um perfil de colesterol diferente de alguém que costuma consumir ovos acompanhados de embutidos e grandes quantidades de gordura saturada.
Isso não significa que o colesterol alimentar seja irrelevante. Em algumas pessoas, ele também pode contribuir para o aumento do LDL. Entretanto, observar a qualidade das gorduras e o conjunto dos alimentos consumidos costuma ser mais útil do que responsabilizar exclusivamente o ovo.
Ovo cozido ou frito: qual é melhor para o colesterol?
O modo de preparo influencia a quantidade de gordura adicionada à refeição. Cozinhar o ovo em água, por exemplo, não exige acrescentar manteiga ou óleo. Já preparações feitas com grandes quantidades de gordura podem aumentar o valor calórico e modificar o perfil nutricional do prato.
Algumas escolhas que ajudam a manter uma alimentação equilibrada incluem:
- Ovo cozido: preparado apenas com água, sem necessidade de adicionar gordura;
- Ovo pochê: cozido diretamente na água, sendo outra alternativa sem fritura;
- Ovo mexido: pode ser preparado em frigideira antiaderente, com pouca quantidade de óleo vegetal;
- Ovo com vegetais: combina proteínas com alimentos que fornecem fibras e outros nutrientes;
- Ovo com bacon e manteiga: pode resultar em uma refeição com maior quantidade de gordura saturada e sódio, especialmente quando esses acompanhamentos são consumidos frequentemente.
O óleo utilizado também faz diferença. Óleos vegetais ricos em gorduras insaturadas, quando utilizados em quantidades moderadas, são geralmente preferíveis à manteiga para quem precisa controlar o LDL.
O ovo pode contribuir com proteínas, vitaminas e colina, mas não deve ser considerado um alimento capaz de prevenir doenças cardiovasculares sozinho. Entenda também se comer ovo todos os dias faz mal à saúde.
Quem tem colesterol alto pode comer ovo todos os dias?
Pessoas com colesterol elevado não precisam necessariamente eliminar o ovo da alimentação, mas a quantidade adequada deve ser avaliada individualmente. O resultado do colesterol LDL, a presença de outras doenças e o risco cardiovascular influenciam as recomendações.
Quem já sofreu infarto ou AVC, apresenta hipercolesterolemia familiar, diabetes ou doença cardiovascular estabelecida pode precisar de orientações específicas sobre o consumo de colesterol alimentar e gorduras saturadas.
Não existe uma quantidade diária de ovos que seja ideal para todas as pessoas. Embora até um ovo por dia possa ser compatível com uma alimentação saudável em muitos adultos, essa referência não deve ser interpretada como uma recomendação universal nem como autorização para consumo ilimitado.
O médico ou nutricionista poderá considerar os resultados dos exames, os hábitos alimentares e os tratamentos em andamento antes de orientar mudanças na quantidade consumida.

O que observar nos exames antes de mudar a alimentação?
O acompanhamento do colesterol é feito principalmente por meio do perfil lipídico, exame que avalia diferentes gorduras presentes no sangue, incluindo colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos.
O LDL merece atenção especial por sua relação com a formação de placas de gordura nas artérias. Entretanto, o valor considerado adequado depende do risco cardiovascular de cada pessoa, e não apenas de um limite igual para todos.
Quando os exames apresentam alterações, o profissional pode recomendar mudanças no padrão alimentar, redução de gorduras saturadas, aumento de alimentos ricos em fibras e, quando necessário, tratamento medicamentoso.
Retirar apenas a gema do ovo, mantendo refeições frequentes com bacon, embutidos e excesso de manteiga, pode não representar a mudança mais importante para controlar o colesterol. Da mesma forma, substituir refeições variadas por grandes quantidades de ovos não garante uma alimentação equilibrada.
Pessoas com colesterol alto ou doenças cardiovasculares devem discutir a frequência e a quantidade de ovos com o profissional que acompanha seus exames, sem interromper medicamentos ou modificar tratamentos por conta própria.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









