As novas diretrizes de diabetes de 2026, atualizadas pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) em agosto, trouxeram mudanças importantes para quem convive com o diabetes tipo 2. O tratamento deixa de concentrar a atenção apenas nos níveis de açúcar no sangue e passa a dar maior destaque ao controle do peso e à proteção do coração e dos rins. As recomendações já estão disponíveis para orientar as decisões médicas, mas não significam que todos os pacientes precisarão trocar seus medicamentos.
O que mudou nas novas diretrizes de diabetes de 2026?
A principal mudança é a maneira de planejar o tratamento. Antes, a redução da glicose costumava ocupar o centro das decisões. Agora, a SBD reforça que também é necessário avaliar o excesso de gordura corporal e o risco de complicações cardiovasculares e renais desde o início do acompanhamento.
Na atualização oficial sobre o tratamento do diabetes tipo 2, revisada em agosto de 2026, a entidade apresenta uma abordagem que considera diferentes necessidades do paciente. Isso significa que duas pessoas com resultados semelhantes de glicose podem receber tratamentos distintos, dependendo do peso, da saúde dos rins e da presença de problemas cardíacos.
Por que controlar o peso ganhou tanta importância?
O excesso de gordura corporal, especialmente quando associado à resistência à insulina, pode dificultar o controle do diabetes tipo 2. Por isso, a nova orientação coloca o tratamento do sobrepeso e da obesidade entre os objetivos permanentes do acompanhamento, e não apenas como uma recomendação complementar.
Para adultos com diabetes tipo 2 e obesidade, a SBD recomenda considerar medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1 ou medicamentos que atuam nos receptores de GLP-1 e GIP, conforme os critérios clínicos. Entre as opções estão medicamentos como semaglutida e tirzepatida. Em determinadas pessoas com sobrepeso, essas terapias também podem ser consideradas. A indicação depende da avaliação médica, dos possíveis efeitos adversos, das contraindicações e do acesso ao tratamento, sem substituir alimentação equilibrada e atividade física.
Quais medicamentos ganharam destaque para proteger coração e rins?
Outra mudança importante é a atenção aos medicamentos que oferecem benefícios além da redução da glicose. Os inibidores de SGLT2, classe que inclui a dapagliflozina e a empagliflozina, são recomendados pela diretriz para adultos com diabetes tipo 2 e risco cardiovascular ou renal aumentado, independentemente do valor da hemoglobina glicada.
Isso acontece porque essas medicações podem reduzir determinados eventos cardiovasculares e a progressão de problemas renais em pacientes selecionados. A SBD também considera os benefícios de outras classes, como os agonistas de GLP-1, conforme o perfil de risco. Entretanto, a metformina continua tendo espaço importante no tratamento do diabetes tipo 2. A atualização não determina que todas as pessoas precisem usar medicamentos novos ou mais caros.

A meta de glicose também mudou para quem tem diabetes?
A recomendação geral de manter a hemoglobina glicada abaixo de 7% continua sendo uma referência importante para muitos adultos. Esse exame indica o comportamento médio da glicose nos últimos meses. Entretanto, as metas de controle glicêmico da SBD reforçam que o objetivo precisa considerar a idade, as condições de saúde e o risco de hipoglicemia, que é a queda excessiva do açúcar no sangue.
Entre os exemplos previstos na diretriz estão:
- Adultos em geral: a meta de hemoglobina glicada costuma ser inferior a 7%, quando alcançada com segurança.
- Idosos saudáveis: o objetivo pode ser menos rigoroso, geralmente abaixo de 7,5%.
- Idosos com limitações de saúde: metas mais flexíveis podem ajudar a evitar episódios perigosos de hipoglicemia.
- Pessoas com glicose acima da meta: o médico pode intensificar o tratamento após avaliar a resposta aos medicamentos e os riscos individuais.
Essas referências não devem ser utilizadas para modificar doses por conta própria. O resultado da hemoglobina glicada precisa ser interpretado junto dos demais exames e das características de cada paciente.

Quem já faz tratamento precisa mudar alguma coisa?
As novas diretrizes não obrigam todos os pacientes a trocar de remédio. Quem apresenta bom controle da glicose, não tem complicações importantes e tolera bem a medicação pode continuar com a estratégia atual, conforme a avaliação médica. Já pessoas com excesso de peso, doença cardiovascular, comprometimento renal ou dificuldade para atingir as metas podem se beneficiar de uma revisão do tratamento. O acompanhamento também considera a possibilidade de combinar medicamentos quando necessário.
Na próxima consulta, vale conversar sobre os resultados da hemoglobina glicada, a avaliação da função dos rins, o risco cardiovascular e os objetivos relacionados ao peso. Alimentação adequada, exercícios e uso correto das medicações continuam fundamentais. A escolha do tratamento deve considerar os benefícios, os riscos, o custo e a realidade de cada pessoa, sem interromper medicamentos por iniciativa própria.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Qualquer mudança no tratamento do diabetes deve ser discutida com o profissional responsável pelo acompanhamento.









