Ao primeiro sinal de coriza ou garganta arranhando, muita gente recorre às pastilhas efervescentes de vitamina C na esperança de barrar a gripe ou o resfriado. O hábito é tão comum que virou quase um ritual de inverno, mas a ciência tem uma visão bem mais sóbria sobre o assunto. O organismo humano absorve uma quantidade limitada de vitamina C, e tudo o que passa desse ponto costuma ser eliminado. Além disso, pesquisas indicam que outros nutrientes, como o zinco e a vitamina D, podem ter um papel mais consistente na proteção das defesas do corpo.
Por que o corpo absorve pouca vitamina C em doses altas
A vitamina C é um nutriente hidrossolúvel, ou seja, não é armazenada em grandes quantidades no organismo. Quando ingerimos uma dose elevada de uma só vez, como acontece com as pastilhas efervescentes, boa parte dela simplesmente não é aproveitada. O intestino possui um mecanismo de absorção que atinge um limite, e o excesso segue direto para a corrente sanguínea e depois para os rins.
Na prática, isso significa que doses muito acima da recomendação diária não elevam proporcionalmente os níveis do nutriente no sangue. A partir de certo ponto, o corpo passa a descartar o excedente pela urina, independentemente de quantas pastilhas a pessoa tome. Entender para que serve a vitamina C ajuda a dimensionar melhor a quantidade realmente necessária.
O que os estudos mostram sobre absorção e prevenção
Um estudo clássico de farmacocinética conduzido por Mark Levine e colaboradores, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), acompanhou voluntários saudáveis em diferentes doses de vitamina C. Os pesquisadores observaram que a absorção era praticamente completa em doses em torno de 200 miligramas, mas que, a partir de 500 miligramas, a maior parte do que era ingerido acabava eliminado na urina.
No campo da prevenção de resfriados, uma ampla revisão Cochrane sobre vitamina C e o resfriado comum, assinada por Hemilä e Chalker, reuniu dezenas de ensaios clínicos. A conclusão foi que a suplementação regular não reduz a frequência de resfriados na população em geral, embora possa encurtar levemente a duração dos sintomas. Benefício mais expressivo apareceu apenas em pessoas submetidas a estresse físico extremo, como maratonistas e soldados.

Por que o zinco costuma ser um aliado mais eficiente
O zinco participa diretamente do funcionamento do sistema de defesa e é frequentemente apontado como um dos minerais mais relevantes para a imunidade, especialmente no inverno. Algumas pesquisas sugerem que iniciar a suplementação nas primeiras horas dos sintomas pode reduzir a duração do resfriado, sempre com cautela quanto à dose. Os principais pontos a favor do zinco são:
- Atua na maturação dos linfócitos, células essenciais para combater vírus e bactérias;
- Contribui para a cicatrização e para a renovação da pele, uma das barreiras naturais do corpo;
- Pode encurtar levemente a duração do resfriado quando iniciado logo no começo dos sintomas;
- Está presente em fontes acessíveis, como carnes, ovos, frutos do mar e leguminosas, descritas entre os alimentos ricos em zinco.
Como a vitamina D apoia as defesas do organismo
A vitamina D vai muito além da saúde dos ossos e tem papel reconhecido na regulação da resposta imune. Diferente de uma solução imediata, ela funciona como parte de um cuidado contínuo, e seu efeito protetor tende a ser mais nítido em quem apresenta deficiência do nutriente. Entre os aspectos mais estudados estão:
- Fortalece a imunidade inata, a primeira linha de resposta contra infecções;
- Ajuda a controlar respostas inflamatórias exageradas, evitando desgaste desnecessário do organismo;
- Oferece proteção mais consistente contra infecções respiratórias em pessoas com níveis baixos;
- É obtida principalmente pela exposição solar moderada e, de forma complementar, por alimentos como peixes gordurosos e gema de ovo.

O que considerar antes de apostar nas pastilhas efervescentes
A vitamina C continua sendo um nutriente importante, mas tomá-la em megadoses não transforma o suplemento em um escudo contra gripes e resfriados. Para a maioria das pessoas saudáveis, uma alimentação variada, com frutas, legumes e fontes de zinco e vitamina D, sustenta melhor as defesas do que uma pastilha isolada. O zinco e a vitamina D, nesse contexto, costumam oferecer suporte mais consistente quando os níveis estão adequados.
Se os resfriados são muito frequentes, se há cansaço persistente ou se existe suspeita de deficiência de algum nutriente, o ideal é procurar um médico ou nutricionista. A suplementação, quando necessária, deve ser orientada por um profissional, de preferência com base em exames, para evitar excessos e garantir segurança.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista. Diante de sintomas persistentes ou dúvidas sobre suplementação, procure orientação profissional.









