Sentir dor no polegar ao abrir um pote, girar uma chave ou segurar objetos com firmeza pode indicar desgaste da articulação localizada na base desse dedo, próxima ao punho. Essa alteração, conhecida como rizartrose, acontece quando a cartilagem que protege os ossos da articulação se deteriora, favorecendo dor, rigidez e dificuldade para realizar movimentos de força. Embora o problema seja mais comum com o envelhecimento, nem toda dor no polegar significa artrose. Observar a frequência do desconforto, a presença de inchaço e possíveis mudanças na força da mão ajuda a identificar quando é necessário investigar.
Por que abrir um pote pode causar dor na base do polegar?
Na base do polegar existe uma articulação chamada carpometacarpal, responsável por permitir movimentos de rotação, aperto e pinça. Essa estrutura é utilizada em atividades simples, como abrir tampas, virar maçanetas, segurar uma caneta e pegar objetos pequenos com a ponta dos dedos.
Quando a cartilagem que reveste os ossos dessa articulação sofre desgaste, pode ocorrer maior atrito e irritação dos tecidos ao redor. Segundo a Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS), a artrose na base do polegar costuma provocar dor durante movimentos de pinça, aperto e rotação, especialmente ao abrir potes ou girar chaves. A condição pode evoluir gradualmente e comprometer a força necessária para realizar essas tarefas.

Quais sinais podem indicar desgaste da articulação?
A rizartrose costuma provocar sintomas que aparecem lentamente. No início, a dor pode surgir apenas durante atividades que exigem força, mas, com o passar do tempo, movimentos mais leves também podem causar desconforto.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- Dor na base do polegar: incômodo próximo ao punho, principalmente ao apertar ou girar objetos;
- Perda de força: dificuldade para abrir embalagens, segurar utensílios ou fazer movimentos de pinça;
- Rigidez: sensação de que o polegar está menos flexível, especialmente após períodos de repouso;
- Inchaço ou sensibilidade: desconforto ao pressionar ou movimentar a articulação;
- Estalos ou sensação de atrito: percepção de pequenos ruídos durante determinados movimentos;
- Alteração no formato da articulação: em casos mais avançados, pode surgir uma saliência na base do polegar.
Esses sintomas podem variar de intensidade e não confirmam o diagnóstico isoladamente. Algumas pessoas apresentam alterações articulares nos exames de imagem sem sentir dor importante, enquanto outras desenvolvem limitações significativas nas atividades diárias.
Toda dor no polegar é causada por artrose?
Não. A dor nessa região também pode surgir devido a inflamações dos tendões, lesões após quedas, sobrecarga muscular ou problemas nas estruturas próximas ao punho. Uma dessas condições é a tenossinovite de De Quervain, que afeta tendões próximos à base do polegar e pode causar dor ao segurar objetos ou movimentar a mão.
Na rizartrose, o desconforto costuma estar relacionado à articulação da base do dedo, principalmente quando existe pressão durante movimentos de pinça. Entretanto, somente a localização da dor não permite diferenciar essas condições. O exame físico e, quando necessário, exames de imagem ajudam a identificar a origem do problema.
Como diminuir a sobrecarga do polegar no dia a dia?
Quando determinados movimentos provocam dor, adaptar a maneira de realizar as tarefas pode ajudar a reduzir a pressão sobre a articulação. Isso não significa deixar de movimentar a mão completamente, mas evitar esforços excessivos que intensificam o desconforto.
Algumas medidas úteis incluem:
- Usar abridores de potes: acessórios próprios podem diminuir a força necessária para girar tampas;
- Preferir utensílios com cabos grossos: objetos mais fáceis de segurar podem reduzir a exigência dos movimentos de pinça;
- Distribuir o peso entre as mãos: utilizar as duas mãos ao carregar objetos mais pesados;
- Fazer pausas: interromper periodicamente atividades que exigem movimentos repetitivos dos dedos;
- Evitar insistir na dor: não continuar apertando ou torcendo objetos quando o movimento provoca desconforto importante.
Essas adaptações podem aliviar a sobrecarga, mas não revertem o desgaste da cartilagem. Quando existe artrose confirmada, o tratamento também pode envolver exercícios orientados, órteses para estabilizar a articulação e outras medidas escolhidas conforme a intensidade dos sintomas. Medicamentos e dispositivos de imobilização não devem ser utilizados indiscriminadamente.

Quando a dor no polegar precisa de avaliação médica?
É recomendado procurar um ortopedista, preferencialmente especialista em mãos, quando a dor persiste, aumenta com o tempo ou começa a dificultar tarefas como cozinhar, escrever, abrir embalagens e segurar objetos. Inchaço recorrente, perda progressiva de força e dificuldade crescente para movimentar o polegar também justificam avaliação.
Durante a consulta, o médico pode examinar a mobilidade, a força e os pontos dolorosos da mão. Em algumas situações, radiografias ajudam a identificar alterações articulares e a diferenciar o desgaste de outras possíveis causas. Já dor intensa após uma queda, deformidade súbita ou incapacidade de movimentar o dedo exigem atendimento rápido. Vermelhidão intensa, calor local e febre também precisam de avaliação urgente, pois podem indicar um problema diferente da artrose.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.








