Pequenas placas amareladas que aparecem nas pálpebras, principalmente perto do canto interno dos olhos, podem ser xantelasmas. Essas lesões são formadas por depósitos de colesterol na pele e costumam ser benignas, mas podem estar associadas a alterações das gorduras no sangue. Como também surgem em pessoas com colesterol normal, sua presença não confirma uma doença. Ainda assim, vale investigar o perfil lipídico e avaliar outros fatores de risco cardiovascular.
Como reconhecer um xantelasma nas pálpebras?
O xantelasma costuma aparecer como uma placa amarela ou amarelo-esbranquiçada, plana ou discretamente elevada, geralmente macia e sem dor. Pode surgir na pálpebra superior ou inferior, em apenas um olho ou nos dois. Seu crescimento costuma ser lento, e algumas lesões permanecem praticamente iguais durante anos.
Essas placas se formam pelo acúmulo de gordura, principalmente colesterol, em células presentes na pele. Diferentemente de uma espinha, não costumam apresentar pus ou inflamação. O xantelasma pode ser confundido com outras alterações das pálpebras, por isso a avaliação dermatológica ajuda a confirmar o diagnóstico e descartar lesões semelhantes.
Por que essas placas podem ter relação com o colesterol alto?
Embora o colesterol seja necessário para diferentes funções do organismo, alterações em seus níveis sanguíneos podem favorecer problemas de saúde. Em algumas pessoas, o metabolismo das gorduras também está relacionado à formação dos depósitos amarelados nas pálpebras, especialmente quando existem alterações no colesterol LDL ou em outras partículas lipídicas.
A Academia Americana de Dermatologia (AAD) explica que essas lesões podem indicar colesterol elevado, mas ressalta que aproximadamente metade das pessoas com xantelasma não apresenta essa alteração. Portanto, encontrar uma placa amarelada não permite saber quanto colesterol existe no sangue. A confirmação de possíveis alterações depende de exames.

Quem tem xantelasma corre mais risco de infarto?
A relação entre xantelasma e doenças cardiovasculares ainda apresenta resultados diferentes nas pesquisas. Uma revisão sistemática publicada em 2020 no Journal of the American Academy of Dermatology reuniu estudos que identificaram níveis mais elevados de colesterol total e LDL em pessoas com xantelasma, além de indicadores associados à aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de placas nas artérias.
Entretanto, um estudo publicado em 2025 na revista Ophthalmology comparou 203 pessoas com xantelasma e 2.030 participantes sem a condição, não encontrando diferenças significativas na frequência de alterações do colesterol ou doenças cardiovasculares. Os resultados mostram que a relação não é definitiva. O xantelasma, isoladamente, não permite prever um infarto nem determinar o risco cardiovascular individual.
Quais exames vale a pena fazer ao encontrar essas placas?
O aparecimento de xantelasmas pode ser uma oportunidade para verificar fatores que muitas vezes não provocam sintomas. O médico pode solicitar um perfil lipídico e avaliar outras condições conforme a idade, o histórico familiar e os resultados anteriores.
Entre as informações mais úteis nessa investigação estão:
- Colesterol total e LDL: ajudam a identificar alterações associadas ao desenvolvimento de placas nas artérias.
- Colesterol HDL e triglicerídeos: complementam a avaliação das gorduras no sangue.
- Glicemia e hemoglobina glicada: podem ser indicadas quando existem fatores de risco para diabetes.
- Pressão arterial e histórico familiar: ajudam a compreender o risco cardiovascular de maneira mais completa.
Ter colesterol alto não significa necessariamente apresentar sinais na pele. Da mesma forma, exames normais não eliminam a necessidade de avaliar outros fatores de risco, como tabagismo, hipertensão e diabetes.

As placas desaparecem quando o colesterol é controlado?
Nem sempre. Melhorar os níveis de colesterol é importante quando existe uma alteração identificada, mas isso não garante o desaparecimento das placas já formadas. Os xantelasmas podem permanecer visíveis mesmo depois que os exames de sangue voltam aos valores desejados. Como são lesões benignas, a remoção geralmente é considerada por motivos estéticos ou quando provocam algum incômodo.
O dermatologista pode indicar procedimentos como laser, eletrocoagulação, aplicação controlada de ácidos ou remoção cirúrgica, dependendo das características da lesão. Existe possibilidade de recorrência, e procedimentos na região dos olhos exigem cuidados para evitar cicatrizes e alterações nas pálpebras. Não é seguro tentar retirar essas placas em casa. Lesões que crescem rapidamente, sangram ou apresentam características incomuns também precisam de avaliação profissional.
Importante: este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. O diagnóstico das lesões e a investigação do colesterol devem ser realizados por profissionais de saúde, considerando as características e os fatores de risco de cada pessoa.









