Reduzir o excesso de sal é uma das medidas mais conhecidas para controlar a pressão alta, mas o equilíbrio da alimentação também depende do potássio. Esse mineral ajuda os rins a eliminar mais sódio pela urina e participa do funcionamento dos vasos sanguíneos. Por isso, uma dieta com frutas, verduras, legumes e feijões pode favorecer o controle da pressão, desde que não exista uma condição que exija restrição de potássio.
Como o potássio ajuda a controlar a pressão arterial?
Sódio e potássio participam do equilíbrio de líquidos dentro e fora das células. Quando há muito sódio no organismo, ocorre maior retenção de água, o que pode contribuir para aumentar o volume de sangue circulante e a pressão exercida sobre as artérias. O potássio favorece a excreção de sódio pelos rins e também está envolvido na regulação do tônus dos vasos.
O Office of Dietary Supplements dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos destaca que uma ingestão maior de potássio pode contribuir para reduzir a pressão, em parte por aumentar a eliminação urinária de sódio e favorecer a vasodilatação. O efeito tende a ser especialmente relevante quando a alimentação contém muito sódio.
Aumentar o potássio substitui a redução do sal?
Não. Comer mais alimentos ricos em potássio não neutraliza uma dieta com excesso de sal. As duas medidas funcionam de forma complementar: reduzir o sódio e manter uma alimentação com boas fontes de potássio cria um equilíbrio mais favorável para a pressão arterial.
A Organização Mundial da Saúde recomenda aumentar a ingestão de potássio proveniente dos alimentos para ajudar a reduzir a pressão arterial e o risco cardiovascular em adultos. A entidade sugere pelo menos 3.510 mg por dia para a população adulta em geral, mas essa recomendação não deve ser aplicada automaticamente a quem tem doença renal ou risco de potássio elevado no sangue.

Quais alimentos são boas fontes de potássio?
Banana é provavelmente a fonte mais lembrada, mas está longe de ser a única. O mineral aparece em muitos alimentos naturais e minimamente processados, o que permite aumentar seu consumo sem depender de um alimento específico.
Algumas opções para variar o prato são:
- banana, mamão, laranja, abacate e kiwi;
- feijão, lentilha, ervilha e grão-de-bico;
- batata, batata-doce, abóbora e tomate;
- espinafre, couve e outras verduras;
- castanhas, amêndoas e sementes;
- leite, iogurte e alguns peixes.
O Tua Saúde reúne outras opções em sua lista de alimentos ricos em potássio. Na prática, montar refeições com feijão, legumes, verduras e frutas costuma ser mais útil do que tentar corrigir a alimentação apenas acrescentando uma banana por dia.
Por que quem tem problema nos rins precisa ter cuidado?
Os rins são responsáveis por eliminar o excesso de potássio. Quando sua função está comprometida, o mineral pode se acumular no sangue e provocar hipercalemia. Em níveis muito altos, essa alteração pode causar fraqueza muscular e problemas no ritmo do coração, inclusive potencialmente graves.
O NIH alerta que pessoas com doença renal crônica ou que utilizam determinados medicamentos podem ter maior risco de hipercalemia. Entre esses medicamentos estão alguns usados justamente para hipertensão e insuficiência cardíaca, como inibidores da ECA, bloqueadores dos receptores da angiotensina e diuréticos poupadores de potássio. Nesses casos, suplementos e substitutos do sal contendo potássio não devem ser usados por conta própria.

O potássio é suficiente para baixar uma pressão que continua alta?
Não. Hipertensão tem várias causas e seu controle não depende de um único nutriente. Reduzir o sódio, manter alimentação equilibrada, praticar atividade física, controlar o peso quando necessário, moderar o consumo de álcool e utilizar corretamente os medicamentos prescritos fazem parte da estratégia. Aumentar fontes alimentares de potássio pode complementar esses cuidados, mas não substitui o tratamento.
Quem já tem pressão alta também deve manter acompanhamento e medir a pressão conforme orientação profissional. Se os valores continuarem elevados apesar das mudanças na alimentação, o tratamento precisa ser reavaliado em vez de simplesmente aumentar o consumo de potássio.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação individualizada de um médico ou nutricionista.









