Sentir as mãos formigando depois de dormir sobre o braço ou permanecer muito tempo em uma posição pode ser passageiro. Quando a sensação aparece com frequência, dura mais tempo ou vem acompanhada de dormência, dor ou fraqueza, porém, atribuir tudo à “má circulação” pode esconder outras explicações. Compressões de nervos, síndrome do túnel do carpo, alterações na coluna, diabetes e deficiências nutricionais estão entre as possibilidades que podem entrar na investigação.
Por que o formigamento nem sempre vem da circulação?
O formigamento, chamado de parestesia, acontece quando há uma alteração temporária ou persistente na transmissão das informações pelos nervos. A circulação sanguínea também pode estar envolvida em algumas situações, mas a sensação de agulhadas isoladamente não é suficiente para concluir que existe um problema vascular.
O padrão do sintoma costuma fornecer pistas importantes. O médico pode perguntar quais dedos formigam, se uma ou as duas mãos são afetadas, se o incômodo aparece durante a noite e se existe dor no pescoço, perda de força ou dificuldade para segurar objetos. O Tua Saúde reúne diferentes causas de formigamento nas mãos e nos braços, incluindo pressão sobre os nervos e alterações metabólicas.
Quando a compressão de um nervo pode ser a responsável?
Às vezes, a explicação é relativamente simples. Dormir com o braço sob o corpo, manter o cotovelo apoiado por muito tempo ou permanecer com o punho em determinada posição pode comprimir temporariamente um nervo. Nesses casos, a sensação geralmente melhora depois que a posição é modificada.
Quando os episódios se repetem, uma das condições investigadas é a síndrome do túnel do carpo. Segundo o Instituto Nacional de Artrite e Doenças Musculoesqueléticas e de Pele dos Estados Unidos, o problema ocorre quando o nervo mediano é comprimido no punho. O formigamento costuma atingir principalmente polegar, indicador, dedo médio e parte do anelar e pode ser mais perceptível durante a noite.

Diabetes e falta de vitaminas também podem causar formigamento?
Sim. Quando nervos periféricos são lesionados ou deixam de funcionar normalmente, pode surgir uma neuropatia, com sintomas como formigamento, dormência, queimação e alterações da sensibilidade. Diabetes é uma causa importante, especialmente quando a glicose permanece elevada por longos períodos. Embora a neuropatia diabética costume começar nos pés, as mãos também podem ser afetadas conforme o quadro evolui.
Deficiência de vitamina B12, consumo excessivo de álcool, alterações da tireoide e alguns medicamentos também podem fazer parte da investigação dependendo do histórico. Por isso, episódios persistentes podem levar o médico a solicitar exames de sangue, além do exame neurológico. Em situações selecionadas, testes de condução nervosa ajudam a identificar onde está a alteração.
O pescoço também pode explicar a sensação nas mãos?
Pode. Nervos que chegam aos braços e às mãos partem da região cervical da coluna. Quando uma dessas raízes nervosas sofre compressão ou irritação, por exemplo devido a determinadas alterações na coluna, podem surgir dormência, formigamento ou dor que começa no pescoço e se estende pelo braço.
A localização ajuda a direcionar a investigação. Formigamento restrito a determinados dedos sugere um padrão diferente daquele que atinge as duas mãos e os pés, por exemplo. Fraqueza, perda de sensibilidade ou dificuldade crescente para movimentos delicados, como abotoar uma roupa ou segurar pequenos objetos, também merecem atenção.

Quando o formigamento precisa de avaliação rápida?
É indicado procurar atendimento quando o formigamento persiste, piora, aparece repetidamente ou vem acompanhado de perda de força, dor intensa ou redução da sensibilidade. Um início súbito exige atenção especial quando ocorre junto com fraqueza ou dormência de um lado do corpo, alteração da fala, confusão, dificuldade para enxergar ou perda de equilíbrio. O CDC reconhece esses sinais como possíveis manifestações de AVC e orienta atendimento de emergência.
Na maioria das vezes, entretanto, formigamento não significa uma emergência. O ponto principal é não usar “má circulação” como explicação automática: frequência, duração, localização e sintomas associados ajudam a mostrar se nervos, metabolismo, coluna ou circulação precisam ser investigados.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizados por um profissional de saúde.









