O leite materno não serve apenas para nutrir o bebê. Ele também fornece anticorpos e outras substâncias que participam das defesas do organismo enquanto o sistema imunológico ainda está amadurecendo. Por isso, a amamentação está associada a menor ocorrência de algumas infecções na infância. Para alergias, porém, a relação é mais complexa: existem benefícios observados para alguns quadros, como eczema e sibilância, mas não há garantia de prevenção, especialmente no caso das alergias alimentares.
Como o leite materno participa da imunidade do bebê?
Nos primeiros meses de vida, as defesas da criança ainda estão em desenvolvimento. O leite humano contém anticorpos, células de defesa e componentes com ação antimicrobiana, anti-inflamatória e imunorreguladora. Segundo a Academia Americana de Pediatria, esses elementos contribuem para o desenvolvimento do sistema imunológico da criança.
Essa proteção não significa que um bebê amamentado não ficará doente. Ela funciona como parte das defesas disponíveis durante uma fase de maior vulnerabilidade, ajudando principalmente a diminuir o risco ou a gravidade de determinadas doenças infecciosas.
Quais infecções aparecem menos entre crianças amamentadas?
A associação mais consistente envolve infecções gastrointestinais, respiratórias e de ouvido. O Ministério da Saúde destaca a proteção do aleitamento contra diarreias e infecções respiratórias. A Academia Americana de Pediatria também relaciona a amamentação exclusiva por cerca de seis meses a menores taxas de infecções respiratórias inferiores, diarreia grave e otite média.
Parte do benefício ocorre porque substâncias presentes no leite materno atuam nas mucosas do intestino e das vias respiratórias, regiões que estão constantemente em contato com microrganismos. A própria composição do leite também muda ao longo da lactação para acompanhar as necessidades do bebê.

Amamentar também evita alergias?
É preciso mais cautela nessa afirmação. Há evidências de que a amamentação exclusiva durante os primeiros três a quatro meses está associada a menor incidência de eczema nos primeiros anos de vida, além de alguns dados favoráveis para sibilância e asma. Entretanto, isso não significa que o leite materno impeça o desenvolvimento de todas as doenças alérgicas.
Para alergias alimentares específicas, a evidência é insuficiente para afirmar que a amamentação, sozinha, previne o problema. A Academia Americana de Pediatria ressalta que não é possível concluir que amamentar previna ou adie alergias alimentares específicas. Também não se recomenda atrasar alimentos potencialmente alergênicos além do período indicado apenas com a intenção de evitar alergias.
Por quanto tempo o aleitamento exclusivo é recomendado?
O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde recomendam o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida. Nesse período, para bebês saudáveis em aleitamento exclusivo, não é necessário oferecer água, chás ou outros alimentos. Depois dos seis meses, inicia-se a alimentação complementar adequada, mantendo a amamentação até dois anos ou mais, quando possível.
O Tua Saúde explica os benefícios da amamentação e os cuidados para manter o aleitamento, incluindo orientações sobre pega e posições. Dificuldade, dor persistente ou ganho de peso inadequado do bebê merecem avaliação, pois ajustes no manejo podem ajudar a tornar a amamentação mais confortável e efetiva.

E se não for possível amamentar exclusivamente?
Os benefícios da amamentação não devem ser transformados em culpa. Existem situações em que o aleitamento exclusivo não é possível ou em que há necessidade de complementar ou substituir o leite materno. Nesses casos, fórmulas infantis adequadas à idade são alternativas desenvolvidas para atender às necessidades nutricionais do bebê e devem ser utilizadas conforme orientação do pediatra.
Vacinação em dia, acompanhamento pediátrico, alimentação complementar adequada a partir dos seis meses e um ambiente sem fumaça de cigarro também são fundamentais para reduzir o risco de infecções e favorecer a saúde da criança. A amamentação é uma parte importante dessa proteção, mas não oferece imunidade absoluta contra doenças ou alergias.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, acompanhamento ou orientação individualizada de um pediatra ou outro profissional de saúde qualificado.









