Presenciar uma convulsão pode assustar e levar quem está por perto a tentar interromper os movimentos ou “acordar” a pessoa. Algumas dessas atitudes, porém, aumentam o risco de machucados, engasgos e outras complicações. O mais seguro é proteger a cabeça, afastar objetos perigosos, marcar quanto tempo a crise dura e permanecer por perto até a recuperação.
1. Colocar colher, pano ou qualquer objeto na boca
Uma das ideias mais perigosas é tentar impedir que a pessoa morda a língua colocando algum objeto entre os dentes. Durante a convulsão, a musculatura da mandíbula pode se contrair com muita força. Um objeto na boca pode quebrar dentes, provocar cortes ou até se partir e causar engasgo.
A Epilepsy Foundation orienta que nada seja colocado na boca durante uma crise. A pessoa também não consegue “engolir a própria língua”. Em vez disso, retire objetos próximos que possam causar ferimentos e coloque algo macio sob a cabeça.
2. Tentar puxar ou segurar a língua
Não coloque os dedos na boca nem tente puxar a língua. Além de não ser necessário, isso pode machucar a pessoa e provocar uma mordida grave em quem tenta ajudar. O Tua Saúde orienta que não se coloque a mão, objetos ou panos dentro da boca durante uma convulsão.
Depois que os movimentos fortes terminarem, se a pessoa ainda estiver inconsciente ou sonolenta, ela pode ser colocada cuidadosamente de lado. Essa posição ajuda a manter as vias respiratórias livres e permite que saliva ou vômito escorram para fora da boca.

3. Segurar braços e pernas para tentar parar os movimentos
Os movimentos da convulsão são involuntários e não param porque alguém segura a pessoa. Tentar imobilizar braços e pernas pode provocar contusões e outras lesões. A orientação é permitir que a crise siga seu curso enquanto se reduz o risco de a pessoa bater em móveis, quinas ou outros objetos.
A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde recomenda não impedir os movimentos durante uma convulsão. Se for possível com segurança, afaste objetos perigosos, proteja a cabeça com algo macio, afrouxe roupas apertadas ao redor do pescoço e observe o tempo de duração da crise.
4. Jogar água no rosto ou tentar fazer a pessoa reagir
Jogar água, dar tapas ou sacudir a pessoa não interrompe a atividade cerebral que está provocando a convulsão e ainda pode causar ferimentos. Também não é necessário tentar fazê-la voltar à consciência durante os movimentos.
Após a crise, é comum haver um período de confusão, sonolência ou cansaço. Fale calmamente, explique onde a pessoa está e permaneça ao lado dela até que recupere a consciência. Se ela já tiver diagnóstico de epilepsia e um plano de emergência definido pelo médico, siga as orientações previamente estabelecidas.

5. Oferecer água, comida ou remédio logo depois da crise
Não ofereça água, alimentos ou comprimidos enquanto a pessoa estiver sonolenta, confusa ou sem conseguir responder normalmente. A capacidade de engolir pode ainda não ter voltado completamente, aumentando o risco de o conteúdo entrar nas vias respiratórias. Espere até que ela esteja totalmente desperta e recuperada.
Marque a duração da crise. Segundo o NHS, uma convulsão que dura mais de cinco minutos exige atendimento de emergência. No Brasil, o SAMU pode ser acionado pelo 192. Também é indicado pedir socorro se for a primeira crise conhecida da pessoa, se outra convulsão começar sem recuperação entre elas, houver dificuldade para respirar ou ferimento importante, ou se a crise acontecer na água ou durante a gravidez.
Este conteúdo é informativo e não substitui atendimento médico. Diante de uma convulsão prolongada ou de sinais de emergência, acione o SAMU pelo 192.









