Feijão é um dos primeiros alimentos lembrados quando aparecem gases e barriga estufada, mas está longe de ser o único responsável. Adoçantes como sorbitol e xilitol, alguns vegetais, frutas e outros carboidratos pouco absorvidos no intestino delgado também podem chegar ao cólon e ser fermentados pelas bactérias. O resultado dessa fermentação é a produção de gases, que pode ser mais perceptível em algumas pessoas do que em outras.
Por que alguns alimentos produzem mais gases no intestino?
Nem todos os carboidratos consumidos são completamente digeridos ou absorvidos antes de chegar ao intestino grosso. Quando parte deles alcança o cólon, as bactérias intestinais utilizam essas substâncias como alimento e produzem gases durante o processo. O NIDDK explica que esse mecanismo pode ocorrer com certos açúcares, amidos e fibras.
Por isso, feijão, ervilha e lentilha podem causar sintomas, mas vegetais como brócolis e couve-flor, alguns cereais integrais e determinadas frutas também entram na lista. Isso não significa que esses alimentos façam mal. A quantidade consumida, a composição da refeição e a sensibilidade individual influenciam bastante a intensidade dos gases.
Sorbitol e xilitol podem ser os responsáveis pelos gases?
Sim. Sorbitol e xilitol pertencem ao grupo dos polióis, também conhecidos como álcoois de açúcar. Eles são encontrados em alguns alimentos e, principalmente, usados como adoçantes em produtos sem açúcar. Como podem ser absorvidos de maneira incompleta no intestino delgado, uma parte chega ao intestino grosso e pode ser fermentada pelas bactérias.
O NIDDK inclui sorbitol, xilitol, manitol e maltitol entre os adoçantes que podem aumentar os gases. Eles aparecem com frequência em chicletes, balas, doces e outros produtos identificados como “sem açúcar”. Além da produção de gases, quantidades maiores de certos polióis podem atrair água para o intestino e favorecer fezes amolecidas ou diarreia.

Quais vegetais e alimentos fermentáveis podem aumentar o desconforto?
Alguns carboidratos fermentáveis fazem parte do grupo conhecido como FODMAPs. A Universidade Monash explica que esses carboidratos podem ser pouco absorvidos e rapidamente fermentados pelas bactérias intestinais, aumentando a quantidade de água e gases dentro do intestino. Pessoas com síndrome do intestino irritável tendem a ser particularmente sensíveis a esse processo.
Entre os alimentos que podem provocar sintomas em pessoas mais sensíveis estão:
- cebola e alho, que fornecem principalmente frutanos;
- feijão, lentilha e outras leguminosas, fontes de carboidratos fermentáveis;
- couve-flor, alcachofra, aspargos e alguns cogumelos;
- maçã, pera, pêssego e algumas frutas secas;
- chicletes, balas e doces sem açúcar com sorbitol, xilitol ou outros polióis.
O Tua Saúde também reúne alimentos que podem favorecer a formação de gases e orientações para ajustar a alimentação. A tolerância, porém, varia: um alimento que provoca inchaço em uma pessoa pode ser consumido sem problemas por outra.
É preciso cortar fibras e vegetais para acabar com os gases?
Não. Fibras, frutas, vegetais, cereais integrais e leguminosas têm funções importantes na alimentação, e retirá-los indiscriminadamente pode tornar a dieta desnecessariamente restritiva. Se os gases começaram após um aumento grande no consumo de fibras, uma estratégia pode ser observar as porções e aumentar a quantidade de forma mais gradual. Um diário com alimentos e sintomas também pode ajudar a identificar padrões.
Dietas com redução de FODMAPs são usadas principalmente em situações específicas, como síndrome do intestino irritável, e não devem virar uma lista permanente de proibições sem orientação. O objetivo é descobrir quais alimentos e quantidades realmente provocam sintomas e preservar a maior variedade possível na alimentação.

Quando o excesso de gases precisa ser investigado?
Ter gases faz parte do funcionamento normal do intestino. A avaliação médica é indicada quando o problema muda repentinamente, torna-se frequente a ponto de interferir na rotina ou aparece junto de dor abdominal persistente, diarreia, prisão de ventre ou perda de peso sem explicação. Nesses casos, intolerância à lactose, síndrome do intestino irritável, doença celíaca e outras alterações digestivas podem precisar ser consideradas.
Antes de culpar apenas o feijão, vale observar também adoçantes, produtos sem açúcar, quantidade de fibras e quais vegetais costumam anteceder os sintomas. Essa identificação individual costuma ser mais útil do que eliminar vários grupos alimentares ao mesmo tempo.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou nutricional. Gases persistentes, mudança importante do hábito intestinal ou sintomas associados devem ser avaliados por um profissional de saúde.









