Medir a glicose na ponta do dedo parece simples, mas um detalhe pode fazer o aparelho mostrar um valor muito mais alto do que o real: resíduos de açúcar nas mãos. Depois de descascar uma fruta, preparar um doce ou tocar outro alimento açucarado, pequenas quantidades de glicose podem permanecer na pele e contaminar a gota de sangue. Por isso, o correto é lavar as mãos com água e sabão e secá-las bem antes da picada. Quanto ao horário, jejum e o período após as refeições são referências comuns, mas a frequência deve seguir o tratamento e a orientação da equipe de saúde.
Como restos de fruta podem aumentar falsamente a glicose?
O glicosímetro analisa uma quantidade muito pequena de sangue. Por isso, açúcar presente na superfície do dedo pode interferir proporcionalmente bastante no resultado. O Alberta Health Services orienta que as mãos estejam limpas e sem resíduos açucarados, como os deixados ao manipular frutas, antes de verificar a glicemia.
Esse efeito também já foi observado experimentalmente. Pessoas que descascaram frutas e mediram a glicose sem lavar as mãos apresentaram valores artificialmente elevados em estudos sobre glicemia capilar. Ou seja, alguém pode descascar uma laranja ou outra fruta, fazer a picada logo depois e acreditar que sua glicose subiu, quando parte daquele número vem simplesmente do açúcar presente no dedo.
Qual é a forma correta de medir a glicose no dedo?
Antes de pegar a lanceta, lave as mãos com água e sabão e seque completamente. A orientação do CDC para a medição da glicose capilar inclui lavar as mãos com água e sabão e secá-las bem antes de cada teste. Depois, use o glicosímetro e as tiras conforme as instruções do fabricante.
Alguns cuidados simples reduzem erros:
- lave e seque completamente as mãos antes da picada;
- confira se as tiras estão dentro da validade e foram armazenadas corretamente;
- faça a punção de acordo com a orientação do aparelho, normalmente na lateral da ponta do dedo;
- use a quantidade de sangue indicada pelo fabricante;
- evite apertar excessivamente o dedo para conseguir sangue;
- registre o horário e se a medida foi feita antes ou depois de comer.
O Tua Saúde também explica o passo a passo no conteúdo sobre como medir a glicemia capilar e interpretar o resultado.

Quais são os horários certos para medir a glicose?
Não existe um único horário correto para todas as pessoas. O momento e a frequência dependem do tipo de diabetes, dos medicamentos utilizados, do uso de insulina e do objetivo da monitorização. Entre os horários frequentemente utilizados estão ao acordar em jejum, antes das refeições e depois de comer.
A American Diabetes Association usa como referências para muitos adultos com diabetes a medição antes das refeições e de uma a duas horas após o início da refeição. O acompanhamento também pode incluir medições antes de dormir, durante exercícios ou quando há suspeita de glicose muito baixa ou elevada, dependendo do plano individual.
Medir cerca de duas horas depois do início de uma refeição ajuda a observar como aquela alimentação repercutiu na glicose. Já a medida em jejum ou antes das refeições oferece outra informação, permitindo comparar momentos diferentes do dia. Para que os números tenham utilidade, o ideal é medir sempre nos horários combinados com o profissional que acompanha o tratamento.

O que fazer quando aparece um valor inesperadamente alto?
Se o resultado não combina com o que costuma acontecer, especialmente depois de manipular frutas ou alimentos doces, lave bem as mãos, seque-as e repita a medição com uma nova tira. Também vale verificar validade e armazenamento das tiras e seguir as instruções específicas do glicosímetro.
Um resultado isolado na ponta do dedo não deve levar a mudanças de medicamentos ou doses de insulina por conta própria. Valores repetidamente fora das metas estabelecidas pela equipe de saúde precisam ser discutidos com médico ou outro profissional responsável pelo acompanhamento. Da mesma forma, sintomas importantes de glicose muito baixa ou muito alta exigem orientação adequada, mesmo quando existe a possibilidade de erro na primeira medição.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação individualizada de um profissional de saúde.









