Sentir os olhos ardendo depois de passar várias horas no computador ou em ambientes com ar-condicionado pode ser um sinal de ressecamento ocular. Isso acontece quando as lágrimas não conseguem manter a superfície dos olhos adequadamente lubrificada, seja porque são produzidas em quantidade insuficiente ou porque evaporam rapidamente. O uso prolongado de telas pode reduzir a frequência das piscadas, enquanto o ar seco favorece a evaporação das lágrimas, aumentando a sensação de ardor, areia nos olhos e cansaço visual. O desconforto pode ser mais frequente depois dos 50 anos, quando alterações naturais na produção e na qualidade das lágrimas aumentam o risco de olho seco.
Por que olhar para telas pode deixar os olhos ardendo?
A superfície dos olhos é protegida por uma fina película de lágrimas, responsável por manter a córnea lubrificada e contribuir para uma visão nítida. Cada piscada ajuda a distribuir essa película uniformemente e renovar sua camada protetora.
Durante atividades que exigem concentração, como trabalhar no computador, ler no celular ou assistir à televisão, é comum piscar menos vezes ou não fechar completamente as pálpebras. Isso deixa a superfície ocular exposta por mais tempo e favorece a evaporação das lágrimas. Com o passar das horas, podem surgir ardência, sensação de corpo estranho e visão temporariamente embaçada.
Segundo as orientações do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) sobre olhos secos, o uso prolongado de telas, os ambientes climatizados e a idade acima de 50 anos estão entre os fatores associados ao ressecamento ocular. Essas informações ajudam a explicar por que algumas pessoas apresentam poucos sintomas pela manhã, mas percebem desconforto crescente ao longo do expediente.

Como o ar-condicionado aumenta o ressecamento ocular?
O ar-condicionado pode diminuir a umidade do ambiente e gerar correntes de ar que aceleram a evaporação das lágrimas. Quando o fluxo de ar atinge diretamente o rosto, a película lacrimal pode se tornar menos estável, deixando os olhos mais suscetíveis à irritação.
Esse efeito pode ser ainda mais perceptível quando a pessoa permanece diante de uma tela por várias horas. A combinação entre piscadas menos frequentes e um ambiente seco favorece o desconforto, mesmo em pessoas que não apresentam sintomas importantes em outras situações.
Além do ar-condicionado, ventiladores direcionados ao rosto, fumaça, poeira e ambientes muito secos também podem agravar o problema. Entretanto, a ardência não significa necessariamente olho seco, pois alergias, inflamações das pálpebras e outras alterações oculares podem provocar sintomas semelhantes.
O que fazer para aliviar a ardência nos olhos?
Quando o desconforto é leve e aparece principalmente depois de muitas horas de trabalho ou estudo, algumas mudanças na rotina podem ajudar a proteger a superfície ocular e diminuir a irritação.
- Fazer pausas visuais: aplicar a regra 20-20-20, olhando para um objeto a aproximadamente seis metros de distância durante 20 segundos a cada 20 minutos de uso da tela;
- Piscar completamente: lembrar de fechar as pálpebras durante atividades que exigem concentração, ajudando a distribuir as lágrimas;
- Evitar vento diretamente no rosto: ajustar a direção do ar-condicionado e dos ventiladores para reduzir a evaporação das lágrimas;
- Posicionar a tela corretamente: manter o monitor a uma distância confortável e ligeiramente abaixo da linha dos olhos;
- Cuidar da umidade do ambiente: evitar ambientes excessivamente secos e manter aparelhos de climatização limpos e bem regulados;
- Descansar os olhos: interromper temporariamente atividades visuais prolongadas quando surgirem ardência ou cansaço importante.
Essas medidas podem reduzir os sintomas associados ao ressecamento, mas não substituem a investigação quando a irritação se torna frequente. Para entender melhor as possíveis causas, conheça também os sintomas e tratamentos do olho seco.
Colírios lubrificantes podem ajudar?
Os lubrificantes oculares, também chamados de lágrimas artificiais, podem ajudar a aliviar o desconforto quando existe ressecamento da superfície dos olhos. Esses produtos procuram complementar a lubrificação natural, diminuindo o atrito das pálpebras e a sensação de areia ou ardência.
Entretanto, existem diferentes formulações, com ou sem conservantes, e a escolha depende das necessidades de cada pessoa. O ideal é buscar orientação de um oftalmologista, especialmente quando os colírios precisam ser utilizados frequentemente ou os sintomas persistem. Produtos destinados apenas a reduzir a vermelhidão, assim como colírios com corticoides ou antibióticos, não devem ser utilizados por conta própria.
Quem usa lentes de contato também precisa de atenção, pois nem todos os lubrificantes são adequados para aplicação durante seu uso. Se houver irritação, é importante retirar as lentes e procurar avaliação quando o desconforto não melhorar.

Quando a ardência nos olhos precisa de avaliação urgente?
Uma sensação leve de ardor que melhora após descansar, piscar ou sair de um ambiente seco pode estar relacionada ao ressecamento. Entretanto, sintomas persistentes, recorrentes ou que dificultam atividades como ler, dirigir e trabalhar merecem avaliação oftalmológica.
Alguns sinais exigem atendimento mais rápido, especialmente:
- Dor ocular intensa: principalmente quando surge repentinamente ou afeta apenas um olho;
- Vermelhidão importante: especialmente quando acompanhada de dor ou sensibilidade à luz;
- Alteração súbita da visão: como perda visual, embaçamento intenso ou dificuldade inesperada para enxergar;
- Sensibilidade intensa à luz: principalmente quando acompanhada de dor ocular;
- Dor e vermelhidão em usuários de lentes de contato: situação que pode indicar uma infecção ou lesão na córnea.
Dor intensa, vermelhidão acentuada ou mudança repentina da visão exigem avaliação médica urgente e não devem ser atribuídas apenas ao cansaço provocado pelas telas. A identificação precoce de problemas oculares permite iniciar o tratamento adequado e reduzir o risco de complicações.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.









