A nova diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), apresentada oficialmente em agosto, mudou a lógica do tratamento do diabetes tipo 2 no Brasil. O documento mantém a hemoglobina glicada como principal marcador de controle, mas individualiza as metas de acordo com idade, risco de hipoglicemia e presença de complicações. Também antecipa o rastreamento populacional para os 35 anos e amplia o papel de medicamentos que protegem coração e rins desde o diagnóstico. Entender essas atualizações ajuda a conversar melhor com o médico e a acompanhar o tratamento de forma mais consciente.
O que mudou na nova diretriz da SBD?
A principal mudança é a visão integrada do tratamento. A SBD determina que, desde o diagnóstico, o cuidado persiga três objetivos simultâneos, no lugar de focar apenas na glicemia: controlar o açúcar no sangue, combater o excesso de peso e reduzir riscos cardiovasculares e renais.
Com isso, ganham prioridade medicamentos como os inibidores de SGLT2 e os agonistas de GLP-1, por oferecerem proteção comprovada ao coração e aos rins. A orientação para gestantes também mudou, com recomendação de adiar a gravidez quando a hemoglobina glicada estiver acima de 9%, para reduzir o risco de complicações da diabetes materno-fetais.
Qual é o novo alvo de hemoglobina glicada?
A meta geral continua sendo manter a hemoglobina glicada abaixo de 7% para a maioria dos adultos com diabetes, pois esse valor está associado à prevenção de complicações como retinopatia, nefropatia e neuropatia. No entanto, a diretriz reforça que esse número não deve ser aplicado de forma universal.
Para idosos frágeis, pessoas com longa duração da doença ou histórico de hipoglicemias graves, a SBD aceita alvos entre 7,5% e 8%. Já em adultos jovens, recém-diagnosticados e sem comorbidades, metas mais rigorosas, abaixo de 6,5%, podem ser consideradas quando atingidas com segurança. Entenda melhor o que é a hemoglobina glicada e como ela é interpretada.

Quando o rastreamento do diabetes deve começar?
A diretriz unificou a idade de rastreamento populacional, recomendando que todos os adultos a partir dos 35 anos realizem exames de triagem, mesmo sem sintomas. A frequência ideal depende do perfil de risco de cada pessoa.
Grupos específicos devem ser avaliados mais cedo e com maior periodicidade, especialmente quando há fatores que aumentam a chance de desenvolver a doença. Conhecer os exames que confirmam a diabetes ajuda a entender como o diagnóstico é feito na prática.
Quem deve ser rastreado antes dos 35 anos?
Além da triagem populacional, a SBD recomenda rastreamento precoce para pessoas com fatores de risco relevantes. Nesses casos, o exame deve ser antecipado e repetido conforme avaliação médica:
- Pessoas com sobrepeso ou obesidade associados a outro fator de risco
- Histórico familiar de diabetes em parentes de primeiro grau
- Mulheres com histórico de diabetes gestacional ou síndrome dos ovários policísticos
- Pacientes com hipertensão, colesterol alto ou doença cardiovascular
- Pessoas com diagnóstico prévio de pré-diabetes, que devem repetir o exame anualmente
- Indivíduos sedentários ou com estilo de vida com baixa atividade física

Como um estudo clínico sustenta a meta de glicada abaixo de 7%?
A recomendação de manter a hemoglobina glicada próxima de 7% não é nova e tem base em evidências consolidadas há mais de duas décadas. Um dos trabalhos mais citados na diretriz é um estudo observacional prospectivo britânico, revisado por pares, que acompanhou milhares de pessoas com diabetes tipo 2 ao longo de uma década para medir o impacto do controle glicêmico nas complicações da doença.
Segundo o UKPDS 35 — Association of glycaemia with macrovascular and microvascular complications of type 2 diabetes publicado no periódico BMJ (British Medical Journal), cada redução de 1% na hemoglobina glicada esteve associada à diminuição significativa do risco de complicações microvasculares, infarto e mortalidade relacionada ao diabetes. Esses achados ajudam a entender por que a SBD mantém o alvo de 7% como referência, ajustando-o conforme o perfil individual. Uma alimentação para pré-diabetes adequada também influencia diretamente esse controle.
As informações deste conteúdo têm caráter apenas informativo e não substituem a avaliação, o diagnóstico ou a conduta de um profissional de saúde qualificado. Procure orientação médica para avaliar seu caso individualmente.









