Refrigerantes açucarados, carne vermelha e outros componentes da alimentação entraram na mira de pesquisadores que avaliaram sintomas da menopausa em mulheres australianas. O estudo encontrou menos queixas musculares e articulares entre quem consumia poucas bebidas açucaradas e melhor percepção de saúde geral entre mulheres com menor consumo de carnes vermelhas e processadas. Mas os resultados não permitem afirmar que esses alimentos provoquem ou curem sintomas como ondas de calor.
O que exatamente o estudo analisou?
A pesquisa, publicada em 2024 no European Journal of Nutrition, avaliou 207 mulheres australianas na perimenopausa ou menopausa, com idade média de 50,7 anos. Os pesquisadores compararam a alimentação das participantes com a adesão a um padrão mediterrâneo e avaliaram sintomas como ondas de calor, suor noturno, dificuldade para dormir, ansiedade, irritabilidade, exaustão e dores musculares e articulares.
O estudo disponível no PubMed também avaliou a qualidade de vida das participantes e diferentes componentes individuais da alimentação, como consumo de frutas, verduras, leguminosas, peixes, carnes vermelhas e processadas e bebidas adoçadas com açúcar.
O que aconteceu com quem consumia menos bebidas açucaradas?
Entre os resultados que permaneceram estatisticamente significativos após os ajustes, mulheres que consumiam menos de 250 ml de bebidas açucaradas por dia apresentaram menos queixas musculares e articulares. A análise considerou fatores como idade, índice de massa corporal, tabagismo, atividade física e uso de medicamentos para menopausa e humor.
Isso não prova que cortar refrigerante faça as dores desaparecerem. O estudo foi transversal, ou seja, alimentação e sintomas foram avaliados em um determinado período, sem acompanhar quem desenvolveu primeiro cada problema. Os próprios pesquisadores destacaram a possibilidade de causalidade reversa e a necessidade de estudos clínicos mais robustos.

E a carne vermelha, teve relação com os sintomas?
O resultado foi diferente do encontrado para as bebidas açucaradas. O consumo mais baixo de carnes vermelhas e processadas, definido no estudo como até uma porção por dia, esteve associado a uma pontuação melhor na percepção de saúde geral. Porém, não foi demonstrado que reduzir carne vermelha diminuísse especificamente ondas de calor ou dores articulares.
Essa distinção é importante porque os sintomas da menopausa podem incluir ondas de calor, alterações do sono, palpitações e mudanças de humor, mas são influenciados por diversos fatores. Um alimento isolado dificilmente explica por que uma mulher apresenta mais ou menos sintomas.
O estudo encontrou alguma relação com as ondas de calor?
As ondas de calor estavam entre os sintomas avaliados, mas a adesão geral à dieta mediterrânea não apresentou associação significativa com a intensidade total dos sintomas menopausais nessa amostra. Também não surgiu uma associação específica entre refrigerante ou carne vermelha e menor intensidade dos fogachos.
Portanto, o estudo não sustenta a ideia de que abandonar refrigerante ou carne vermelha seja um tratamento comprovado contra ondas de calor. O resultado mais específico foi a associação entre menor consumo de bebidas açucaradas e menos queixas musculares e articulares. Como o trabalho incluiu apenas 207 mulheres e não acompanhou mudanças alimentares ao longo do tempo, novos estudos são necessários para testar se existe uma relação de causa e efeito.

Onde entra a dieta mediterrânea?
Mesmo sem demonstrar redução global dos sintomas da menopausa, o estudo encontrou uma associação entre maior adesão ao padrão mediterrâneo e melhor função física. Esse tipo de alimentação prioriza verduras, frutas, legumes, feijões e outras leguminosas, cereais integrais, oleaginosas, azeite e peixes, enquanto mantém carnes vermelhas, processadas e alimentos ricos em açúcar em menor quantidade.
O Tua Saúde explica como funciona a dieta mediterrânea e quais alimentos compõem esse padrão alimentar. Para mulheres na menopausa, a mensagem do estudo é menos sobre proibir um alimento específico e mais sobre observar a qualidade do conjunto da alimentação. Quando ondas de calor, dores, alterações do sono ou outros sintomas prejudicam a rotina, alimentação pode fazer parte do cuidado, mas não substitui a avaliação do ginecologista nem os tratamentos indicados para cada caso.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica, diagnóstico ou tratamento individualizado.









