Uma tontura súbita e intensa nem sempre vem do ouvido. Alguns AVCs que atingem a parte de trás do cérebro, especialmente o cerebelo e o tronco cerebral, podem começar com vertigem, desequilíbrio e dificuldade para caminhar, sintomas que facilmente lembram uma crise de “labirintite”. A suspeita aumenta quando a tontura aparece de repente junto de visão dupla, fala enrolada, fraqueza de um lado do corpo ou incapacidade de andar normalmente. Nessas situações, é necessário procurar atendimento de emergência.
Por que um AVC pode começar apenas com uma tontura forte?
A chamada circulação posterior leva sangue para estruturas responsáveis, entre outras funções, pelo equilíbrio, coordenação dos movimentos, visão e controle de diferentes funções neurológicas. Quando uma artéria dessa região é obstruída, um AVC isquêmico pode afetar o cerebelo ou o tronco cerebral e provocar tontura ou vertigem logo no início.
Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2026 encontrou tontura ou vertigem entre as manifestações mais frequentes dos AVCs isquêmicos da circulação posterior. Nos AVCs cerebelares analisados, dificuldade para caminhar por falta de coordenação também apareceu com frequência.
Por que esse quadro pode ser confundido com labirintite?
Alterações do ouvido interno também podem provocar vertigem intensa, náusea, vômitos e dificuldade de equilíbrio. Por isso, apenas a sensação de que tudo está girando não permite distinguir com segurança uma causa vestibular de um AVC.
O problema é que os AVCs da circulação posterior podem apresentar sintomas menos conhecidos do público do que a combinação clássica de boca torta, braço fraco e fala alterada. Assim, uma pessoa que acorda com vertigem intensa pode acreditar que se trata de “labirintite”, tomar um medicamento que já possui em casa e esperar a crise passar. Essa espera pode atrasar um atendimento em que cada minuto importa.

Quais sinais junto da tontura exigem pronto-socorro?
A tontura preocupa especialmente quando começa de forma repentina e vem acompanhada de alguma alteração neurológica. O Ministério da Saúde inclui tontura, alteração do equilíbrio ou do andar entre os sinais de alerta para AVC, juntamente com alterações da fala, visão e força.
Procure atendimento imediatamente se a tontura surgir de repente acompanhada de:
- dificuldade para andar, ficar em pé ou coordenar os movimentos;
- visão dupla ou outra mudança súbita da visão;
- fala enrolada, estranha ou difícil de compreender;
- fraqueza ou dormência de um lado do rosto, braço ou perna;
- boca torta ou assimetria repentina do rosto;
- confusão, dificuldade para engolir ou perda importante do equilíbrio.
O Tua Saúde também destaca tontura, perda de equilíbrio, visão dupla, dificuldade para falar e perda de força de um lado do corpo entre possíveis sintomas de AVC.
Tontura sozinha significa que a pessoa está tendo um AVC?
Não. A maioria das tonturas tem outras explicações, incluindo alterações vestibulares, queda de pressão, desidratação, medicamentos e diferentes condições clínicas. Mesmo assim, um AVC posterior pode ocasionalmente produzir vertigem ou desequilíbrio sem os sinais mais conhecidos, o que torna a avaliação médica importante quando a manifestação é súbita, intensa e diferente do habitual.
Também não existe um teste caseiro capaz de excluir AVC com segurança. Exames utilizados por profissionais para avaliar movimentos dos olhos, equilíbrio e coordenação podem ajudar a diferenciar causas, mas precisam ser realizados e interpretados corretamente. Quando há suspeita, a investigação hospitalar pode incluir exames de imagem e avaliação neurológica.

O que fazer quando há suspeita?
Se a pessoa apresentar tontura súbita acompanhada de dificuldade para andar, visão dupla, fala enrolada, fraqueza de um lado ou outro sinal neurológico, não é indicado esperar para ver se melhora nem dirigir até o hospital. O Ministério da Saúde orienta acionar o SAMU pelo número 192 diante de sinais de AVC.
Também é útil anotar ou lembrar o horário em que a pessoa foi vista bem pela última vez, porque essa informação ajuda a equipe a decidir quais tratamentos podem ser utilizados. Mesmo que os sintomas diminuam depois de alguns minutos, a avaliação continua sendo necessária, pois alterações passageiras também podem sinalizar um problema na circulação cerebral.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica, diagnóstico ou atendimento de emergência.








