Roncar não significa automaticamente ter uma doença cardíaca. Mas quando o ronco é alto, frequente e interrompido por pausas na respiração, engasgos ou retomadas bruscas do ar, ele pode ser um sinal de apneia obstrutiva do sono. A condição provoca interrupções repetidas da respiração durante a noite e está associada a problemas cardiovasculares como pressão alta, arritmias e AVC. Muitas vezes, quem dorme ao lado percebe esses sinais antes da própria pessoa.
Quando o ronco deixa de ser apenas um barulho?
O ronco acontece pela vibração dos tecidos da garganta durante a passagem do ar e pode surgir ocasionalmente sem que exista apneia. A suspeita aumenta quando há episódios repetidos em que a respiração parece parar e, alguns segundos depois, volta acompanhada de um engasgo, suspiro forte ou ronco ainda mais intenso.
O National Heart, Lung, and Blood Institute inclui ronco alto frequente, respiração que para e recomeça e engasgos durante o sono entre os sinais da apneia. Como a pessoa está dormindo quando isso acontece, ela pode acordar sem se lembrar de nada.
Quais sinais a parceira costuma perceber primeiro?
Quem divide a cama ou o quarto ocupa uma posição privilegiada para notar alterações que passam despercebidas pelo próprio paciente. Uma das descrições mais características é o ronco intenso seguido de alguns instantes de silêncio, até que a pessoa volte a respirar de maneira ruidosa.
Vale prestar atenção principalmente quando aparecem:
- ronco alto e frequente durante várias noites;
- pausas perceptíveis na respiração;
- engasgos, suspiros ou sons de sufocamento durante o sono;
- retomada brusca e ruidosa da respiração depois de um período de silêncio;
- sono muito agitado ou vários despertares durante a madrugada;
- sonolência, cansaço, irritabilidade ou dificuldade de concentração durante o dia.
O Tua Saúde também descreve ronco, paradas da respiração, sufocamento durante o sono e sonolência diurna entre os principais sinais da apneia do sono.

O que a apneia tem a ver com pressão alta, arritmia e AVC?
Na apneia obstrutiva, a passagem do ar fica parcial ou completamente bloqueada repetidas vezes. Isso pode reduzir temporariamente a quantidade de oxigênio no sangue, fragmentar o sono e ativar respostas do organismo que aumentam a atividade do sistema nervoso e provocam oscilações na frequência cardíaca e na pressão arterial.
Uma declaração científica da American Heart Association relaciona a apneia obstrutiva do sono a complicações como hipertensão, fibrilação atrial e outras arritmias, insuficiência cardíaca, doença coronariana e AVC. Isso não significa que todo homem que ronca desenvolverá esses problemas. O risco está relacionado principalmente à presença e à gravidade da apneia, além de outros fatores cardiovasculares.
Como saber se realmente existe apneia do sono?
O relato da parceira pode levantar a suspeita, mas não confirma o diagnóstico. A investigação considera os sintomas, as condições de saúde e exames específicos do sono. Um dos principais é a polissonografia, realizada durante o período de sono para registrar parâmetros como respiração, oxigenação, frequência cardíaca e outros sinais do organismo.
A American Heart Association aponta a polissonografia realizada durante a noite e os testes domiciliares de apneia como métodos usados na avaliação diagnóstica. A escolha do exame depende da situação de cada pessoa. Gravar o ronco pelo celular pode ajudar a mostrar ao médico o que acontece à noite, mas não substitui o exame adequado.

Quando o ronco merece ser investigado?
Vale procurar um clínico geral, otorrinolaringologista ou profissional especializado em sono quando existem pausas respiratórias observadas por outra pessoa, engasgos frequentes, ronco intenso persistente ou sonolência que atrapalha as atividades do dia. Pressão alta difícil de controlar ou histórico de arritmias também tornam a investigação particularmente relevante.
Se a pessoa apresenta sonolência a ponto de cochilar ao dirigir, deve evitar conduzir até receber avaliação. Já dor no peito, desmaio, falta de ar intensa ou sinais súbitos compatíveis com AVC exigem atendimento de urgência. Reconhecer a apneia permite tratar a causa do ronco e também cuidar dos riscos que podem acompanhar noites repetidamente interrompidas pela falta de ar.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica, diagnóstico ou tratamento individualizado.








