O sono pode ficar mais leve e fragmentado com o envelhecimento, mas passar meses com dificuldade para dormir e enfrentar cansaço, irritação ou falta de concentração durante o dia não deve ser simplesmente atribuído à idade. Na prática, a insônia em idosos merece investigação quando a dificuldade para iniciar ou manter o sono ocorre repetidamente, especialmente em pelo menos três noites por semana durante três meses ou mais e começa a prejudicar a rotina.
O que pode mudar normalmente no sono com a idade?
Envelhecer modifica a organização do sono. É comum passar menos tempo nas fases profundas, despertar mais vezes durante a noite e sentir sono e acordar mais cedo do que na juventude. O MedlinePlus, serviço da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, explica que o sono tende a ficar mais leve e os despertares podem se tornar mais frequentes com a idade.
Isso significa que acordar algumas vezes ou perceber que o sono não é tão profundo quanto antes não caracteriza insônia automaticamente. O ponto de atenção aparece quando dormir se transforma em uma dificuldade persistente e há consequências enquanto a pessoa está acordada.
Quais sinais diferenciam a insônia de uma noite simplesmente mais leve?
Não é apenas o número de horas que define o problema. A frequência, a duração e o impacto no dia seguinte ajudam a distinguir uma alteração ocasional de um quadro que precisa ser avaliado. O Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos Estados Unidos considera a insônia crônica quando a dificuldade ocorre três ou mais noites por semana e persiste por pelo menos três meses.
Alguns sinais práticos são:
- dificuldade frequente para pegar no sono;
- acordar várias vezes e demorar para dormir novamente;
- despertar muito cedo e não conseguir voltar a dormir;
- cansaço, sonolência, irritabilidade ou pouca energia durante o dia;
- dificuldade de atenção, concentração ou memória;
- problema persistente mesmo quando existe tempo e oportunidade para dormir.

O que acontece durante o dia também importa?
Sim. Esse é um dos pontos que ajudam a separar uma mudança do padrão de sono de um problema clinicamente relevante. Uma pessoa pode dormir mais cedo, acordar cedo e se sentir bem durante o dia. Nesse caso, o horário diferente por si só não significa insônia.
Por outro lado, noites ruins acompanhadas de exaustão, irritação, dificuldade para realizar atividades ou sensação constante de não ter descansado merecem atenção. O Tua Saúde também lista cansaço, sonolência, irritabilidade, pouca energia e alterações de concentração entre os sintomas que podem acompanhar a insônia.
Antes de tratar, é preciso descobrir por que a pessoa não dorme bem?
Sim. Em pessoas mais velhas, o sono pode ser prejudicado por vários fatores ao mesmo tempo. Dor crônica, necessidade de urinar durante a madrugada, ansiedade, depressão, refluxo e alguns medicamentos podem interromper o descanso. Ronco intenso, pausas na respiração ou despertar com sensação de sufocamento também levantam a possibilidade de apneia do sono.
Por isso, uma avaliação pode incluir os horários de dormir e acordar, cochilos, medicamentos utilizados, consumo de cafeína, sintomas durante a noite e funcionamento durante o dia. Um diário do sono por algumas semanas também pode ajudar a identificar padrões. Nem toda pessoa com insônia precisa de uma polissonografia, que costuma ser reservada para situações em que há suspeita de outros distúrbios do sono.

Como a insônia persistente pode ser tratada?
O tratamento depende da causa. Hábitos regulares de sono podem ajudar, mas, na insônia crônica, uma das principais abordagens é a terapia cognitivo-comportamental para insônia, conhecida como TCC-I. O NHLBI aponta a TCC-I como uma das primeiras opções de tratamento para a insônia de longa duração. Ela trabalha horários, comportamentos e pensamentos que podem perpetuar a dificuldade para dormir.
Medicamentos podem ser usados em situações selecionadas, mas exigem avaliação especialmente cuidadosa em idosos devido ao risco de efeitos adversos, interações e quedas. Remédios ou suplementos para dormir não devem ser iniciados, interrompidos ou ajustados por conta própria. Se a dificuldade ocorre três ou mais noites por semana há meses e está prejudicando o dia, vale procurar avaliação em vez de assumir que dormir mal é apenas consequência da idade.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica, diagnóstico ou tratamento individualizado.









