Queimação na boca do estômago e aperto no peito podem ter origens muito diferentes, mas às vezes são confundidos, e esse engano pode custar caro. A azia costuma piorar após comer ou ao deitar e melhora com antiácidos. Já a dor do infarto tende a surgir com esforço ou estresse, dura mais de alguns minutos e pode vir com falta de ar, suor frio e enjoo. Na dúvida, o certo é ligar para o SAMU, no 192.
Por que é tão fácil confundir as duas dores?
O esôfago, o estômago e o coração ficam próximos e compartilham parte dos nervos que levam a dor ao cérebro. Por isso, o corpo nem sempre consegue apontar com precisão de onde o incômodo vem.
Além disso, o infarto pode se manifestar como sensação de queimação ou peso na parte alta da barriga, especialmente quando atinge a parede inferior do coração. É comum a pessoa achar que comeu algo que fez mal.

O que um estudo mostrou sobre infarto sem dor no peito?
Muitas pessoas infartam sem a dor clássica no peito. Segundo uma pesquisa publicada no JAMA em 2012, cardiologistas dos Estados Unidos analisaram dados de 1.143.513 pacientes internados com infarto em um registro nacional, entre 1994 e 2006.
Cerca de 35% de todos os pacientes chegaram ao hospital sem dor no peito, e entre as mulheres essa proporção chegou a 42%, contra 31% dos homens. Quem não tinha dor no peito era, com mais frequência, diabético e demorava mais para buscar atendimento.
Quais sinais apontam para o estômago?
- Queimação que sobe do estômago para o peito ou a garganta;
- Gosto amargo ou ácido na boca e arrotos frequentes;
- Piora após refeições pesadas, café, álcool ou ao deitar logo depois de comer;
- Alívio com antiácido ou ao ficar em pé;
- Dor que muda com a respiração ou ao apertar a barriga.
Quem convive com azia frequente pode se beneficiar de ajustes na rotina, e vale entender como a alimentação ajuda no refluxo.
Quais sinais apontam para o coração?
- Aperto, peso ou pressão no peito, como se algo estivesse sentado sobre ele;
- Dor que se espalha para braço esquerdo, mandíbula, pescoço ou costas;
- Surgimento durante esforço físico, emoção forte ou frio;
- Falta de ar, suor frio, palidez, náusea ou tontura;
- Duração de mais de 10 a 20 minutos, sem melhora com repouso;
- Cansaço extremo e repentino, mais comum em mulheres e idosos.

Quem precisa de atenção redobrada?
Pessoas acima de 50 anos, fumantes, diabéticos, hipertensas, quem tem colesterol alto, obesidade ou histórico familiar de infarto devem tratar qualquer queimação nova e intensa no peito como possível problema cardíaco. Diabéticos merecem cuidado especial, porque podem sentir menos dor.
Na dúvida, trate como emergência
Diante de dor no peito, acompanhada de falta de ar, suor frio ou mal-estar, ligue imediatamente para o SAMU 192 e não dirija até o hospital. Não espere o antiácido fazer efeito nem tome remédios por conta própria; o atendente pode orientar o que fazer até a ambulância chegar. Como mostrou o estudo americano, quem não sente a dor clássica tende a demorar mais, e no infarto cada minuto preserva músculo do coração.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico. Dor no peito com falta de ar, suor frio ou desmaio exige atendimento de emergência.









