A gota é mais comum em homens do que em mulheres e costuma aparecer a partir da meia-idade. Embora carne vermelha e vísceras sejam frequentemente lembradas quando se fala em ácido úrico, elas não são os únicos fatores alimentares envolvidos. Bebidas adoçadas ricas em frutose e o consumo de álcool, especialmente cerveja, também podem favorecer níveis mais altos de urato e aumentar a chance de crises. Ainda assim, alimentação é apenas uma parte do tratamento, já que genética, função dos rins, peso e medicamentos também influenciam a doença.
Por que o ácido úrico provoca a gota?
O ácido úrico, também chamado de urato, é formado durante a quebra das purinas presentes no próprio organismo e em alguns alimentos. Normalmente, boa parte dele é eliminada pelos rins. Quando o corpo produz urato em excesso ou não consegue eliminá-lo adequadamente, seus níveis podem aumentar e favorecer a formação de cristais nas articulações.
Esses cristais desencadeiam inflamação, provocando crises de dor intensa, vermelhidão, calor e inchaço, muitas vezes começando no dedão do pé. O Instituto Nacional de Artrite e Doenças Musculoesqueléticas e de Pele dos Estados Unidos informa que a gota é mais comum em homens e inclui álcool e bebidas adoçadas entre seus fatores de risco.
Como as bebidas com frutose aumentam o ácido úrico?
A frutose tem uma forma particular de metabolização no organismo que pode aumentar a produção de ácido úrico. Por isso, refrigerantes, refrescos e outras bebidas com grande quantidade de açúcar ou xaropes contendo frutose merecem atenção em quem já apresenta gota.
A diretriz do American College of Rheumatology recomenda limitar produtos com xarope de milho rico em frutose em pessoas com gota. A orientação não significa retirar frutas inteiras da alimentação. O problema principal são fontes concentradas de açúcares adicionados, especialmente bebidas que permitem consumir grandes quantidades rapidamente.

Por que a cerveja também merece atenção?
O álcool pode favorecer a elevação do urato e atuar como gatilho para crises. A mesma diretriz recomenda limitar bebidas alcoólicas e relata que o consumo de álcool nas 24 horas anteriores esteve associado a maior risco de uma nova crise, especialmente conforme a quantidade aumentava.
A cerveja merece atenção particular porque estudos também relacionam seu consumo a níveis mais altos de urato. Na rotina, algumas mudanças podem ajudar:
- reduzir refrigerantes e outras bebidas adoçadas;
- evitar o consumo frequente de cerveja e outras bebidas alcoólicas;
- diminuir vísceras e moderar carnes com maior quantidade de purinas;
- priorizar água quando não houver restrição médica de líquidos;
- manter uma alimentação variada, sem excluir grupos inteiros por conta própria.
O Tua Saúde apresenta orientações para a alimentação de quem apresenta ácido úrico elevado, incluindo o controle de bebidas açucaradas, álcool e alimentos ricos em purinas.
Só mudar a alimentação consegue controlar a gota?
Nem sempre. A própria diretriz do American College of Rheumatology ressalta que as mudanças alimentares costumam produzir alterações relativamente pequenas no nível de urato, embora certos alimentos e bebidas possam funcionar como gatilhos para crises. Isso acontece porque a gota também depende de predisposição genética, capacidade dos rins de eliminar urato, peso corporal, doenças associadas e alguns medicamentos.
Para pessoas com crises frequentes, depósitos de cristais chamados tofos ou outras características de maior gravidade, medicamentos que reduzem o ácido úrico podem ser necessários. O NIAMS reforça que mudanças no estilo de vida não são suficientes em muitos casos de gota com crises recorrentes e que medicamentos para baixar o urato são parte central do tratamento.

É preciso cortar toda carne, fruta e bebida doce?
Não. O tratamento não deve virar uma lista extensa de proibições. O objetivo é identificar os fatores mais relevantes para cada pessoa e reduzir principalmente exposições que podem contribuir para níveis elevados de urato, como excesso de álcool, bebidas açucaradas e grandes quantidades de alimentos muito ricos em purinas.
Quem tem crises recorrentes ou ácido úrico persistentemente elevado deve procurar acompanhamento médico. Medicamentos para controlar o urato não devem ser iniciados, suspensos ou ter a dose modificada apenas porque houve melhora na alimentação.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista.









