Uma combinação de alimentos comuns, como aveia, soja, amêndoas e fibras, conseguiu derrubar o colesterol ruim quase tanto quanto um remédio em apenas um mês. Conhecida como dieta Portfólio, a estratégia reduziu o LDL em quase 30% em um estudo canadense, resultado semelhante ao de uma estatina em dose inicial. A dieta pode ajudar muita gente a controlar o colesterol, mas não substitui por conta própria o tratamento indicado pelo médico.
O que é a dieta Portfólio?
A dieta Portfólio foi criada por pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá. A ideia é reunir, na mesma alimentação, vários alimentos que reduzem o colesterol por caminhos diferentes, como uma carteira de investimentos variada.
A base é uma alimentação pobre em gordura saturada, com quatro grupos de alimentos em destaque: fibras viscosas, proteína de soja, oleaginosas e esteróis vegetais.

O que o estudo mostrou?
O efeito da dieta foi comparado diretamente com o de um remédio. Segundo uma pesquisa publicada no JAMA em 2003, cientistas da Universidade de Toronto dividiram 46 adultos com colesterol alto em três grupos por quatro semanas. Um seguiu dieta pobre em gordura saturada, outro fez a mesma dieta com lovastatina, uma estatina, e o terceiro seguiu a dieta Portfólio.
A dieta Portfólio reduziu o colesterol LDL em 28,6% em um mês, contra 30,9% do grupo com remédio e 8% da dieta comum. A diferença entre a dieta e a estatina não foi significativa. A proteína C reativa, marcador de inflamação, também caiu cerca de 28%.
Quais alimentos fazem parte da dieta?
- Fibras viscosas, presentes em aveia, cevada, psyllium, berinjela e quiabo, que reduzem a absorção do colesterol;
- Proteína de soja, como tofu, bebida de soja e proteína texturizada;
- Oleaginosas, como amêndoas, castanhas e nozes, em porções pequenas diárias;
- Esteróis vegetais, encontrados em alguns cremes vegetais e produtos enriquecidos, que competem com o colesterol no intestino;
- Frutas, verduras, legumes e feijões como base das refeições.
Ao mesmo tempo, a dieta reduz carnes gordurosas, embutidos, manteiga, queijos amarelos e frituras, principais fontes de gordura saturada.
Por que o resultado deve ser visto com cautela?
O estudo foi pequeno, durou apenas um mês e os participantes seguiram a dieta com acompanhamento próximo da equipe de pesquisa. No dia a dia, manter todas as quantidades é mais difícil, e o efeito costuma ser menor quando a dieta é seguida de forma parcial.
Ainda assim, a estratégia é recomendada por sociedades de cardiologia como parte do tratamento do colesterol, e mesmo uma adesão moderada traz benefícios.

Quem pode se beneficiar?
A dieta é especialmente útil para quem tem colesterol levemente elevado e risco cardiovascular baixo, para quem não tolera bem as estatinas e para quem já usa remédio e quer potencializar o resultado. Para entender quando o colesterol exige tratamento, vale conhecer as causas e o tratamento do colesterol alto.
Comida como aliada, não como substituta
Quem já usa estatina não deve suspender o remédio por conta própria, principalmente após infarto, AVC ou com diabetes, em que o risco é alto. O ideal é adotar a dieta com orientação de um nutricionista e repetir os exames após algumas semanas. Como mostrou o estudo canadense, combinar vários alimentos certos pode ter efeito comparável ao de um remédio, e essa mudança vale para a vida toda.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um médico ou nutricionista. Não interrompa remédios para colesterol sem avaliação médica.









