O colágeno é a proteína que dá firmeza à gengiva e mantém cada dente preso ao osso. Depois dos 40 anos, o envelhecimento muda o ritmo de renovação desse tecido. Muitas vezes o dentista nota os sinais antes do próprio paciente: retração, sangramento na escovação e uma cicatrização mais lenta depois de uma limpeza ou extração.
Por que o tecido gengival muda com a idade?
A gengiva é formada em boa parte por fibroblastos. Essas células fabricam as fibras de sustentação ao redor da raiz e consertam pequenas lesões do dia a dia. Com o passar das décadas, elas se multiplicam menos e respondem pior a agressões como escovação forte, prótese mal ajustada ou acúmulo de placa bacteriana.
Os hormônios também contam. Na menopausa, a queda do estrogênio reduz a hidratação das mucosas e deixa a gengiva mais sensível. Remédios de uso contínuo, comuns nessa fase da vida, como alguns anti-hipertensivos e antidepressivos, diminuem a saliva. Com menos saliva, a boca fica mais exposta às bactérias e à inflamação local.
O que a ciência já mostrou sobre o colágeno da boca?
Uma revisão publicada em 2021 reuniu o que se sabe sobre o efeito da idade nos tecidos moles que sustentam os dentes. Os autores descrevem uma menor produção de colágeno e cicatrização mais lenta nos fibroblastos de pessoas mais velhas. O epitélio, camada fina que reveste a gengiva, também perde espessura com os anos.
Um detalhe parece contraditório: a quantidade total de fibras pode até aumentar. Isso acontece porque as fibras antigas ficam mais estáveis e são trocadas com menos frequência. O resultado é um tecido com material mais velho e rígido, que tem dificuldade para se reparar depois de cada episódio de inflamação.

Quais sinais o dentista observa nas gengivas depois dos 40?
Na consulta de rotina, o profissional usa uma sonda milimetrada para medir o sulco, o pequeno espaço entre o dente e a margem gengival. Medidas de até 3 milímetros costumam ser consideradas normais. Alguns sinais visíveis completam a avaliação:
- Retração gengival, com parte da raiz exposta e dentes que parecem mais compridos.
- Sangramento ao escovar ou ao passar o fio dental.
- Sensibilidade ao frio em dentes que antes não incomodavam.
- Espaços novos entre os dentes ou sensação de dente mole.
- Mau hálito persistente mesmo com higiene caprichada.
Quando a inflamação avança para periodontite?
A gengivite é a fase inicial e reversível. Quando a placa endurece e vira tártaro, as bactérias descem para baixo da linha da gengiva e começam a destruir as fibras e o osso de suporte. Esse estágio é a periodontite, uma das principais causas de perda dentária em adultos. Uma análise complementar, com amostras humanas e de camundongos, apontou que fibroblastos envelhecidos se acumulam conforme a doença progride, e que um subgrupo dessas células senescentes impulsiona a perda óssea.
O tratamento depende da profundidade das bolsas e de quanto osso já foi perdido. A raspagem é a base, mas há casos que pedem antibiótico ou cirurgia. Antes da consulta com o periodontista, ajuda conhecer as opções de tratamento da periodontite e quando cada uma costuma ser indicada.

Como proteger a sustentação dos dentes com o passar dos anos?
Algumas atitudes diárias reduzem a inflamação e preservam as fibras saudáveis que ainda restam no tecido:
- Escovar com cerdas macias e movimentos suaves, sem pressionar a margem da gengiva.
- Usar fio dental ou escova interdental todos os dias, principalmente entre os molares.
- Parar de fumar, já que o tabagismo reduz a irrigação sanguínea e esconde o sangramento.
- Manter o diabetes controlado, pois a glicemia alta agrava a destruição do osso.
- Fazer limpeza profissional a cada 6 meses, ou em intervalos menores se já houver bolsas.
Suplementos de colágeno ainda não têm efeito comprovado sobre a gengiva, porque a proteína ingerida é quebrada em aminoácidos na digestão. Já a vitamina C, presente na acerola, na goiaba e na laranja, participa diretamente da fabricação das fibras, e sua falta grave provoca sangramento gengival.
O que muda quando o cuidado começa cedo?
Gengiva que sangra, recua ou deixa a raiz à mostra depois dos 40 não é só efeito do tempo. É um tecido com fibroblastos menos ativos, fibras pouco renovadas e risco maior de periodontite. Por isso a sondagem periódica no consultório e o controle da placa em casa são as formas mais concretas de manter os dentes firmes no osso.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação de um dentista ou de outro profissional de saúde. Se você percebe sangramento, retração ou dentes amolecidos, agende uma consulta para receber diagnóstico e orientação adequados.









