Quem teve catapora carrega o vírus varicela-zóster no organismo por muitos anos, mesmo depois de estar completamente recuperado. Com o avanço da idade, esse vírus pode voltar a se manifestar e provocar o herpes-zóster, conhecido como cobreiro. A vacinação a partir dos 50 anos é uma das principais formas de reduzir o risco da doença e de sua complicação mais temida, a neuralgia pós-herpética, uma dor nos nervos que pode persistir por meses.
Por que o cobreiro pode aparecer décadas depois da catapora?
Depois da catapora, o vírus não é totalmente eliminado. Ele permanece inativo em estruturas do sistema nervoso e pode ser reativado anos ou até décadas mais tarde. O risco aumenta com a idade porque o sistema imunológico também passa por mudanças que diminuem sua capacidade de manter o vírus sob controle.
O cobreiro é mais comum depois dos 50 anos, embora possa ocorrer em pessoas mais jovens, principalmente quando existe comprometimento da imunidade. Quando reativado, o vírus pode provocar:
- dor, ardência ou formigamento em uma região da pele;
- bolhas agrupadas, geralmente de apenas um lado do corpo;
- sensibilidade aumentada ao toque;
- coceira e desconforto na área afetada.
Por que a dor pode continuar depois que as bolhas desaparecem?
O herpes-zóster não afeta somente a pele. Durante a reativação, o vírus também envolve os nervos da região, o que ajuda a explicar a dor característica da doença. Em algumas pessoas, o desconforto continua mesmo depois que as lesões cicatrizam.
Essa complicação é chamada de neuralgia pós-herpética. A dor pode ser descrita como queimação, choque, pontada ou sensibilidade extrema e persistir por três meses ou mais. A idade avançada é um dos fatores associados a maior risco dessa complicação. Em alguns casos, os sintomas interferem no sono, nas atividades diárias e na qualidade de vida.

Quanto a vacina protege contra herpes-zóster e suas complicações?
A vacina recombinante contra herpes-zóster foi desenvolvida para diminuir o risco de reativação do vírus e, consequentemente, também reduzir a ocorrência de neuralgia pós-herpética. Uma revisão sistemática com metanálise sobre a vacina recombinante encontrou, nos ensaios clínicos, eficácia de aproximadamente 94% contra herpes-zóster e de 91% contra neuralgia pós-herpética entre adultos imunocompetentes com 50 anos ou mais.
Isso não significa proteção absoluta, mas mostra por que a vacinação é considerada uma medida importante de prevenção nessa faixa etária. Além de diminuir a chance de desenvolver o cobreiro, ela reduz o risco de uma complicação que pode continuar incomodando muito depois de a pele parecer recuperada.
Quem deve tomar a vacina a partir dos 50 anos?
A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda a vacina herpes-zóster recombinante inativada para pessoas a partir dos 50 anos. O esquema indicado é de duas doses, normalmente com intervalo de dois meses. A vacina também pode ser indicada a partir dos 18 anos para pessoas imunocomprometidas ou com risco aumentado para a doença.
A recomendação precisa considerar algumas situações individuais. Entre os pontos que devem ser avaliados antes da aplicação estão:
- histórico de reação alérgica grave a componentes da vacina;
- tratamentos que diminuem a imunidade;
- transplantes ou tratamento contra câncer;
- episódio recente de herpes-zóster;
- outras condições que possam exigir escolha específica do momento da vacinação.

Quem já teve cobreiro também pode se vacinar?
Sim. Ter apresentado herpes-zóster anteriormente não impede uma nova ocorrência. Por isso, a SBIm recomenda a vacinação também para quem já teve a doença. Para esses casos, a entidade sugere em geral um intervalo de seis meses após o episódio, embora esse período possa ser ajustado conforme a situação individual e o risco de perder a oportunidade de vacinação.
Conversar com um médico ou serviço de vacinação ajuda a definir o melhor momento para cada pessoa, especialmente quando há imunossupressão, doenças crônicas ou uso de medicamentos que interferem no sistema imunológico.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou orientação individualizada de um profissional de saúde.









