O cheiro do corpo com a idade pode mudar mesmo quando os hábitos de higiene continuam os mesmos. Isso acontece porque envelhecimento altera características da pele, do sebo e da transpiração, além da interação dessas substâncias com microrganismos que vivem naturalmente no corpo. Um composto chamado 2-nonenal também tem sido relacionado a mudanças de odor com o passar dos anos, mas ele é apenas uma das peças dessa combinação.
O que acontece com a pele e o suor depois dos 50?
O suor recém-produzido tem pouco odor. Grande parte do cheiro corporal aparece quando secreções da pele entram em contato com bactérias, especialmente em regiões como axilas, virilha e pés. Com a idade, mudanças hormonais, medicamentos, quantidade de suor e características da própria pele podem modificar essa interação.
O sebo também participa desse processo. Ele é formado por diferentes lipídios que recobrem a superfície da pele e cuja composição pode mudar ao longo da vida. Isso ajuda a explicar por que uma pessoa pode perceber um odor diferente mesmo sem passar a transpirar mais.
O que é o 2-nonenal e por que ele é associado ao envelhecimento?
O 2-nonenal é um aldeído volátil formado pela oxidação de determinados ácidos graxos presentes na superfície da pele. Um estudo publicado no Journal of Investigative Dermatology analisou pessoas entre 26 e 75 anos e detectou esse composto apenas nos participantes com 40 anos ou mais. Sua concentração também esteve relacionada à presença de determinados ácidos graxos e produtos de oxidação na pele.
Os pesquisadores descreveram o odor do 2-nonenal como gorduroso ou herbáceo. Isso não significa, porém, que toda pessoa acima dos 50 anos desenvolva um cheiro específico ou facilmente reconhecível. O odor corporal resulta de vários compostos e varia muito entre indivíduos. Alimentação, medicamentos, hormônios, microbiota da pele e hábitos cotidianos também interferem.

Menos suor significa necessariamente menos cheiro?
Não. A quantidade de suor é apenas um dos fatores. Uma pessoa pode transpirar menos e ainda perceber mudanças no odor porque a composição das secreções da pele, dos lipídios e dos microrganismos também influencia os compostos voláteis liberados.
Além disso, áreas mais quentes e úmidas favorecem a ação de bactérias. O Tua Saúde explica que a bromidrose ocorre quando substâncias presentes nas secreções da pele são degradadas por microrganismos, provocando odor mais forte. Essa condição pode ocorrer em diferentes idades e não deve ser confundida automaticamente com uma mudança normal do envelhecimento.
Quais cuidados ajudam quando o odor começa a incomodar?
Na maior parte das vezes, não são necessários produtos especiais destinados ao chamado “cheiro da idade”. Medidas básicas que reduzem suor acumulado, resíduos e proliferação de bactérias costumam ser mais úteis:
- tomar banho regularmente e secar bem as dobras da pele;
- trocar roupas úmidas ou suadas;
- dar atenção às axilas, pés, virilha e outras áreas de maior transpiração;
- preferir roupas que favoreçam ventilação em dias quentes;
- manter roupas, toalhas e roupas de cama limpas;
- usar desodorantes ou antitranspirantes quando necessários e bem tolerados.
Esfregar excessivamente a pele ou usar substâncias irritantes para tentar eliminar completamente o odor pode causar ressecamento e dermatite, especialmente porque a pele tende a ficar mais sensível com a idade.

Quando uma mudança no cheiro merece ser investigada?
Uma alteração gradual e discreta pode acompanhar mudanças naturais da pele. Já um odor que aparece de forma súbita, se torna muito intenso ou vem acompanhado de suor excessivo, feridas, secreções, coceira ou outros sintomas merece avaliação. Alguns medicamentos e condições metabólicas ou dermatológicas também podem modificar o cheiro corporal.
Por isso, perceber um odor diferente depois dos 50 não deve ser interpretado automaticamente como falta de higiene nem como sinal de doença. Quando a mudança é persistente ou incomoda bastante, um dermatologista ou clínico pode ajudar a identificar fatores da pele, medicamentos e outras possíveis causas.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica individualizada.









