O envelhecimento modifica a pele, a produção de suor, a quantidade de oleosidade e até a composição da microbiota que vive naturalmente no corpo. Isso pode mudar a forma como o odor corporal aparece, mas não significa que pessoas mais velhas necessariamente suem mais ou tenham falta de higiene. Axilas, virilha e pés merecem atenção porque ficam abafados, acumulam umidade com facilidade e favorecem a interação entre secreções da pele e microrganismos.
O suor realmente muda com a idade?
Sim, mas uma das mudanças esperadas é justamente a redução da capacidade de produzir suor. A MedlinePlus explica que as glândulas sudoríparas tendem a produzir menos suor com o envelhecimento, o que também diminui a capacidade do corpo de se resfriar em ambientes muito quentes.
Ao mesmo tempo, outras características da pele mudam. Oleosidade, espessura da pele e microbiota não permanecem exatamente iguais durante toda a vida. Por isso, a quantidade de suor não explica sozinha eventuais alterações no cheiro corporal.
Por que o cheiro do corpo pode ficar diferente?
O suor recém-produzido tem pouco odor. O cheiro aparece principalmente quando substâncias presentes no suor, no sebo e na própria pele são transformadas por bactérias que vivem naturalmente na superfície corporal. Um estudo publicado no Journal of Investigative Dermatology identificou mudanças relacionadas à idade em compostos do odor corporal, incluindo aumento do 2-nonenal em participantes mais velhos.
Isso não permite falar em um único “cheiro da idade”. Alimentação, medicamentos, hormônios, roupas, temperatura, doenças, higiene e características individuais também interferem no odor. A composição da microbiota da pele ainda pode mudar ao longo dos anos e entre diferentes regiões do corpo.

Por que axilas, virilha e pés merecem mais atenção?
Essas áreas permanecem cobertas durante boa parte do dia e podem reter suor e umidade. Axilas e virilha também possuem glândulas apócrinas, cujas secreções podem ser transformadas pelas bactérias em compostos de odor mais intenso. Nos pés, sapatos fechados e meias dificultam a evaporação do suor.
O Tua Saúde explica que a bromidrose pode atingir axilas, pés e virilha pela interação entre secreções da pele e microrganismos. Alguns fatores do envelhecimento podem tornar os cuidados mais difíceis, como menor mobilidade, dificuldade para alcançar determinadas regiões e presença de dobras onde a umidade fica retida.
Como cuidar dessas regiões sem irritar a pele?
Mais higiene não significa esfregar a pele várias vezes ao dia ou usar produtos muito fortes. A pele tende a ficar mais fina e ressecada com o envelhecimento, por isso excesso de sabonete, álcool, perfumes e misturas caseiras pode aumentar ardor, coceira e irritação.
Uma rotina simples costuma ser suficiente:
- lavar suavemente axilas, virilha e pés durante o banho;
- secar bem as dobras e os espaços entre os dedos;
- trocar meias e roupas íntimas diariamente;
- substituir peças úmidas depois de suar bastante;
- dar preferência a roupas e calçados que permitam ventilação;
- usar desodorante ou antitranspirante adequado quando necessário;
- evitar limão, álcool e produtos abrasivos diretamente na pele.

Quando o odor corporal merece investigação?
Uma mudança discreta do cheiro ao longo da vida pode acontecer sem representar doença. Vale procurar avaliação quando o odor muda de forma repentina e persistente, não melhora com higiene adequada ou aparece junto com vermelhidão, feridas, descamação, secreção, coceira intensa ou suor muito diferente do habitual.
Também é importante considerar limitações de mobilidade. Quando uma pessoa tem dificuldade para lavar ou secar os pés, a virilha ou outras dobras, adaptar a rotina e receber ajuda pode proteger a pele sem necessidade de limpeza excessiva. O objetivo é manter essas regiões limpas e secas, preservando ao mesmo tempo a barreira natural da pele.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou orientação individual de um dermatologista ou outro profissional de saúde.









