Mudar a posição de dormir pode fazer diferença para algumas pessoas com apneia obstrutiva do sono. Em quem apresenta apneia dependente da posição, ficar de barriga para cima tende a favorecer mais obstruções das vias aéreas, enquanto dormir de lado pode reduzir os episódios respiratórios. Isso não acontece da mesma forma em todos os pacientes e não significa que simplesmente virar de lado substitua o tratamento indicado.
Por que a apneia pode piorar ao dormir de barriga para cima?
Na apneia obstrutiva do sono, a passagem de ar pela garganta fica parcial ou totalmente bloqueada durante o sono. Quando a pessoa está de barriga para cima, mudanças na anatomia e na mecânica das vias aéreas podem deixá-las mais propensas ao colapso. Uma revisão sobre apneia relacionada à posição de dormir relata maior facilidade de obstrução nessa postura, principalmente em regiões como o palato mole e a epiglote.
Ao virar de lado, a via aérea pode ficar menos colapsável em determinados pacientes. Isso ajuda a explicar por que algumas pessoas roncam menos ou apresentam menos pausas respiratórias nessa posição. No entanto, a resposta depende da anatomia, da gravidade da apneia e de outros fatores individuais.
O que é a chamada terapia posicional?
A terapia posicional é uma estratégia usada principalmente quando os eventos respiratórios são claramente mais frequentes de barriga para cima do que em outras posições. Essa diferença pode ser identificada no estudo do sono, que registra não apenas as pausas respiratórias, mas também a posição em que a pessoa estava quando elas aconteceram.
O objetivo é diminuir o tempo dormindo de costas. Dependendo do caso, podem ser utilizados recursos como:
- almofadas ou suportes que favoreçam a posição lateral;
- dispositivos presos ao corpo que dificultem permanecer de barriga para cima;
- equipamentos que identificam a posição e produzem uma vibração para estimular a mudança de postura.
Uma revisão sistemática e meta-análise sobre terapia posicional encontrou redução do índice de apneias e hipopneias e do tempo passado de barriga para cima em pessoas com apneia posicional. Os resultados, porém, também mostraram que o CPAP foi mais eficaz para diminuir os eventos respiratórios.

Dormir de lado funciona para qualquer pessoa com apneia?
Não. A posição tende a ter maior importância na chamada apneia obstrutiva posicional. Uma definição frequentemente utilizada considera esse padrão quando a frequência dos eventos respiratórios de barriga para cima é pelo menos duas vezes maior do que fora dessa posição. Por isso, duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem apresentar respostas muito diferentes ao simplesmente mudar a postura durante a noite.
A apneia do sono pode apresentar diferentes graus de gravidade e seu tratamento é escolhido de acordo com os sintomas, o resultado dos exames e as características de cada paciente. Ronco alto, pausas respiratórias percebidas por outra pessoa, engasgos durante a noite, dor de cabeça ao acordar e sonolência diurna são sinais que justificam investigação.
Dormir de lado pode substituir o CPAP?
Não se deve abandonar o CPAP ou outro tratamento prescrito apenas porque os sintomas parecem melhorar ao dormir de lado. O CPAP fornece pressão positiva que ajuda a manter as vias aéreas abertas durante o sono e continua sendo uma das principais opções, especialmente quando a apneia é moderada ou grave.
A terapia posicional pode ser suficiente para alguns pacientes cuidadosamente selecionados ou fazer parte de uma estratégia combinada, mas essa decisão depende da avaliação do estudo do sono. O que importa não é apenas sentir que se dorme melhor de lado, mas verificar se os episódios de obstrução realmente diminuem nessa posição.

Como saber se a posição realmente faz diferença?
A forma mais segura é observar os dados do exame do sono, como a polissonografia, que permite comparar a frequência de apneias e hipopneias em diferentes posições. Quando existe uma diferença importante entre dormir de barriga para cima e de lado, o médico pode considerar a terapia posicional dentro do tratamento.
Mesmo nesses casos, fatores como excesso de peso, consumo de álcool próximo ao horário de dormir, alterações anatômicas das vias aéreas e uso de determinados medicamentos também podem influenciar a apneia. Por isso, mudar a posição é apenas uma parte possível do cuidado e não deve ser vista como solução universal.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica. Pessoas com ronco intenso, pausas respiratórias, engasgos noturnos ou sonolência excessiva durante o dia devem procurar orientação profissional para investigação e tratamento adequados.









