Quem tem pressão alta pode precisar de um anti-inflamatório em algumas situações, mas o uso merece mais cautela. Alguns anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno, naproxeno e diclofenaco, podem favorecer retenção de sódio e líquidos, elevar a pressão arterial e diminuir o efeito de certos medicamentos usados para controlar a hipertensão. O risco não é igual para todas as pessoas e depende do remédio, da dose, do tempo de uso e das condições de saúde.
Por que o anti-inflamatório pode aumentar a pressão?
Os anti-inflamatórios não esteroides, também chamados de AINEs, reduzem a produção de prostaglandinas, substâncias que participam da inflamação, mas também ajudam a regular a circulação e o funcionamento dos rins. Com essa redução, algumas pessoas passam a eliminar menos sódio e água pela urina.
Essa retenção de sódio associada aos anti-inflamatórios pode favorecer inchaço e aumento da pressão arterial. A resposta varia bastante entre indivíduos, por isso não é correto afirmar que qualquer pessoa terá pressão alta após tomar uma ou duas doses.
O anti-inflamatório pode atrapalhar o remédio da pressão?
Sim. Além de interferirem diretamente na pressão, alguns AINEs podem reduzir a resposta a medicamentos anti-hipertensivos. Esse efeito já foi observado com diferentes classes usadas no tratamento da hipertensão, embora a intensidade da interação dependa da combinação utilizada.
Uma revisão sobre anti-inflamatórios em pessoas hipertensas encontrou aumentos variáveis da pressão durante o tratamento e redução do efeito de vários anti-hipertensivos. Por isso, quem usa remédios para pressão não deve acrescentar um anti-inflamatório à rotina por vários dias sem avaliar possíveis interações.

Quem precisa ter mais cuidado antes de usar?
A atenção deve ser maior quando, além da hipertensão, existem fatores que aumentam a vulnerabilidade dos rins ou do sistema cardiovascular. A necessidade de orientação prévia é especialmente relevante para:
- pessoas com pressão arterial difícil de controlar;
- quem tem doença renal ou função dos rins reduzida;
- pessoas com insuficiência cardíaca ou histórico de outras doenças cardiovasculares;
- idosos, principalmente quando utilizam vários medicamentos;
- quem usa diuréticos ou determinados remédios que atuam no sistema renina-angiotensina;
- pessoas que pretendem usar o anti-inflamatório por vários dias ou com frequência.
O Tua Saúde explica que os anti-inflamatórios possuem diferentes indicações e contraindicações e devem ser escolhidos considerando as doenças existentes e os outros medicamentos utilizados.
Quais sinais podem indicar que o medicamento está interferindo no controle?
Quem já acompanha a pressão em casa pode perceber valores repetidamente mais altos depois de começar o medicamento. Outros sinais podem aparecer quando há retenção de líquidos ou alteração da função dos rins.
- inchaço nos pés, tornozelos ou pernas;
- ganho rápido de peso associado a inchaço;
- pressão persistentemente acima do habitual;
- redução importante da quantidade de urina;
- falta de ar ou piora do cansaço.
Uma medida isolada da pressão mais alta não prova que o anti-inflamatório seja a causa. Dor, estresse e outros fatores também podem elevar temporariamente os valores, por isso é preciso analisar o conjunto da situação.

É preciso evitar todo anti-inflamatório se a pressão for alta?
Não necessariamente. Hipertensão não significa que todos os anti-inflamatórios estejam automaticamente proibidos. Quando há indicação, o profissional pode avaliar qual medicamento é mais adequado, a menor dose necessária, o tempo de tratamento e se será preciso acompanhar a pressão ou a função dos rins.
O principal cuidado é evitar o uso frequente ou prolongado por conta própria, especialmente quando a pressão já está descontrolada ou existem doença renal, insuficiência cardíaca ou vários medicamentos em uso. Também não se deve suspender o anti-hipertensivo para tomar um anti-inflamatório.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou orientação individual de um profissional de saúde.









