Consumir sal em excesso pode dificultar o controle da pressão arterial em pessoas com doença renal crônica, principalmente porque o sódio favorece a retenção de líquidos no organismo. Quando os rins perdem parte da capacidade de filtrar o sangue e eliminar substâncias pela urina, o equilíbrio entre água e minerais pode ficar comprometido. Como consequência, o volume de líquido circulante aumenta, contribuindo para a elevação da pressão e para o surgimento de inchaço. Reduzir o consumo de sódio é uma das medidas recomendadas para proteger a saúde cardiovascular e auxiliar no tratamento renal. Entretanto, isso não significa eliminar completamente o sal, mas ajustar sua quantidade conforme as necessidades individuais.
Por que o excesso de sódio prejudica quem tem doença renal crônica?
Os rins desempenham um papel fundamental no controle da quantidade de sódio e água presente no organismo. Em condições normais, eles ajustam a eliminação desses componentes pela urina para manter o equilíbrio dos líquidos corporais. Entretanto, na insuficiência renal crônica, essa capacidade pode diminuir, favorecendo a retenção de líquidos e o aumento da pressão arterial.
Com mais líquido circulando pelos vasos sanguíneos, a pressão sobre suas paredes pode aumentar. Além disso, o excesso de sódio pode interferir nos mecanismos que regulam a pressão e dificultar a resposta a determinados medicamentos. Esse cenário merece atenção porque a hipertensão também pode acelerar a perda da função renal, criando um ciclo em que os rins comprometidos e a pressão elevada prejudicam um ao outro.
O que um estudo científico revela sobre reduzir o sal na doença renal?
A relação entre o consumo de sódio e a pressão arterial foi investigada em ensaios clínicos com pessoas que apresentam diferentes estágios de doença renal. Os pesquisadores avaliaram se diminuir a quantidade de sal na alimentação poderia melhorar os níveis pressóricos, reduzir a retenção de líquidos e diminuir a eliminação de proteínas pela urina, um importante indicador de lesão renal.
Segundo a revisão sistemática com metanálise Altered dietary salt intake for people with chronic kidney disease, publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews, em 2021, reduzir o consumo de sal diminuiu a pressão arterial sistólica em aproximadamente 6,9 mmHg e a diastólica em 3,9 mmHg. A revisão incluiu 21 estudos com 1.197 participantes. Os resultados também indicaram redução da albuminúria, mas os estudos eram curtos e não permitiram confirmar os efeitos sobre a progressão da doença renal em longo prazo.

Quais alimentos podem aumentar o consumo de sódio sem perceber?
O excesso de sódio não vem apenas do sal acrescentado durante o preparo das refeições. Muitos produtos industrializados contêm quantidades elevadas desse mineral, inclusive aqueles que não apresentam sabor muito salgado. Entre os principais exemplos estão:
- Embutidos: presunto, mortadela, salame, linguiça e salsicha costumam conter bastante sódio.
- Temperos industrializados: caldos em cubos, misturas prontas e molhos concentrados podem elevar rapidamente o consumo diário.
- Refeições prontas: sopas instantâneas, macarrão instantâneo e pratos congelados frequentemente apresentam alto teor de sal.
- Conservas: azeitonas, picles e vegetais conservados em salmoura podem fornecer quantidades importantes de sódio.
- Salgadinhos e biscoitos: algumas versões industrializadas contêm sódio mesmo quando não parecem muito salgadas.
- Queijos salgados: variedades curadas e processadas podem contribuir significativamente para a ingestão do mineral.
Como reduzir o sal sem perder o sabor das refeições?
Diminuir o consumo de sódio pode ser mais simples quando pequenas mudanças são incorporadas à rotina alimentar. Algumas estratégias ajudam a controlar a quantidade ingerida:
- Utilizar temperos naturais: alho, cebola, limão, salsa, cebolinha e ervas aromáticas podem realçar o sabor dos alimentos.
- Reduzir produtos ultraprocessados: priorizar refeições preparadas com ingredientes frescos e pouco processados.
- Conferir os rótulos: observar a quantidade de sódio por porção e comparar produtos semelhantes.
- Evitar o saleiro à mesa: experimentar a comida antes de acrescentar mais sal.
- Controlar o sal no preparo: medir a quantidade utilizada, em vez de adicionar diretamente da embalagem.
- Ter cuidado com o sal light: substitutos do sal que contêm potássio podem ser perigosos para algumas pessoas com doença renal.

Quanto sal uma pessoa com doença renal crônica pode consumir?
As diretrizes internacionais KDIGO de 2024 sugerem consumir menos de 2 gramas de sódio por dia, quantidade equivalente a aproximadamente 5 gramas de sal de cozinha, para a maioria das pessoas com doença renal crônica. Entretanto, essa recomendação precisa considerar o estágio da doença, os medicamentos utilizados e possíveis alterações na eliminação de sódio. Seguir uma dieta para problemas renais individualizada ajuda a evitar restrições inadequadas.
Além da alimentação, acompanhar regularmente a pressão alta, avaliar a função dos rins e utilizar corretamente os medicamentos prescritos são medidas importantes para reduzir complicações. Inchaço persistente, aumento rápido do peso por retenção de líquidos ou dificuldade para respirar exigem atenção médica. Pessoas com doença renal crônica devem buscar orientação de um nefrologista e de um nutricionista especializado para ajustar o consumo de sódio com segurança.
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento médico. Procure sempre orientação de um profissional de saúde qualificado antes de modificar a ingestão de sódio, especialmente se apresentar doença renal crônica, hipertensão arterial ou retenção de líquidos.









