A pouca exposição solar é uma das causas mais conhecidas de vitamina D baixa, mas não explica todos os casos. Doenças que prejudicam a absorção intestinal, alterações no fígado, cirurgia bariátrica e excesso de peso também podem contribuir para níveis menores da vitamina. Isso acontece porque a vitamina D precisa ser produzida ou absorvida, transportada e transformada pelo organismo antes de exercer suas funções.
Por que o sol tem tanta influência na vitamina D?
Grande parte da vitamina D do organismo é produzida na pele após a exposição à radiação ultravioleta B. Por isso, passar pouco tempo ao ar livre, cobrir grande parte da pele ou viver em condições com menor incidência de radiação UVB pode reduzir essa produção.
Entretanto, a quantidade produzida varia bastante de pessoa para pessoa e depende de fatores como idade, pigmentação da pele, estação do ano, latitude e hábitos cotidianos. Por isso, não é correto assumir que toda vitamina D baixa seja simplesmente consequência de “falta de sol”.
Como o intestino pode causar falta de vitamina D?
A vitamina D é lipossolúvel, ou seja, a parte obtida por alimentos ou suplementos depende da absorção adequada de gorduras no intestino. De acordo com o Office of Dietary Supplements dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, doenças que prejudicam a absorção de gordura aumentam o risco de deficiência.
Entre as situações que podem interferir nesse processo estão:
- doença celíaca;
- doença de Crohn;
- retocolite ulcerativa;
- fibrose cística;
- algumas doenças hepáticas;
- cirurgias que reduzem a área disponível para absorção, como determinados procedimentos bariátricos.
O Tua Saúde também inclui a baixa absorção intestinal entre as possíveis causas de deficiência de vitamina D.

O que o fígado tem a ver com a vitamina D?
Depois de ser produzida na pele ou absorvida pelo intestino, a vitamina D passa por uma transformação no fígado, dando origem à 25-hidroxivitamina D, ou 25(OH)D. Essa é justamente a forma normalmente medida no exame de sangue usado para avaliar o estado da vitamina D no organismo.
Doenças hepáticas crônicas podem interferir nesse metabolismo e também estar associadas a outros fatores que favorecem níveis baixos. Uma revisão sobre vitamina D em doenças crônicas do fígado descreve concentrações reduzidas com frequência nesses pacientes, especialmente conforme a doença hepática se torna mais avançada.
Por que o excesso de peso também entra nas causas?
Pessoas com obesidade apresentam, em média, concentrações menores de 25(OH)D no sangue. Isso não significa necessariamente que a pele deixe de produzir vitamina D. Como a vitamina é lipossolúvel e se distribui pelo tecido adiposo, o maior volume corporal pode contribuir para concentrações circulantes mais baixas.
O NIH considera pessoas com obesidade um dos grupos com maior risco de apresentar níveis reduzidos. Uma análise de estudos sobre obesidade e deficiência de vitamina D também encontrou maior prevalência de deficiência entre indivíduos com obesidade, embora essa associação não signifique que uma condição seja necessariamente a causa direta da outra.

Como descobrir por que a vitamina D está baixa?
A investigação começa pela dosagem sanguínea de 25-hidroxivitamina D, mas encontrar um resultado baixo não revela automaticamente sua causa. O médico pode considerar exposição solar, alimentação, peso corporal, doenças intestinais ou hepáticas, cirurgias anteriores e medicamentos antes de decidir se são necessários outros exames.
A suplementação também deve levar esse contexto em conta. Tomar doses elevadas de vitamina D por conta própria não corrige necessariamente o problema e pode levar ao excesso da vitamina. Quando os níveis permanecem baixos mesmo com suplementação orientada, investigar absorção e outras condições associadas pode ser especialmente importante.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. A interpretação da vitamina D e a necessidade de suplementação devem considerar os resultados dos exames, os fatores de risco e o histórico de saúde de cada pessoa.









