A gengiva retraída é uma das alterações bucais mais comuns em adultos e costuma avançar sem dor no início. O tecido gengival recua, expõe a raiz do dente e deixa a região mais vulnerável a cáries, inflamação e desconforto ao tomar algo gelado. Conhecer o que provoca esse recuo ajuda a frear o problema antes que ele atinja o osso que sustenta os dentes.
O que acontece quando a gengiva começa a recuar?
A retração gengival ocorre quando a margem da gengiva se desloca em direção à raiz. O dente parece mais comprido, e surge uma faixa amarelada perto da linha gengival. Essa faixa é a raiz, revestida por cemento, um tecido bem mais macio que o esmalte da coroa.
A raiz não tem a mesma proteção da parte visível do dente. Por isso ela se desgasta com mais facilidade e fica exposta às bactérias da placa. A gengiva retraída costuma vir acompanhada de sensibilidade ao frio, acúmulo de tártaro e, nos casos avançados, perda óssea com mobilidade dentária.
O que a ciência diz sobre a força da escovação?
Uma revisão publicada em maio de 2025 analisou 118 artigos sobre hábitos de higiene bucal e chegou a uma conclusão direta. A escovação com força excessiva e o uso de cremes dentais muito abrasivos aparecem entre as causas mais frequentes de recessão gengival e desgaste dos dentes. O dano é cumulativo e aparece depois de anos de atrito diário.
O achado contraria uma crença comum. Muita gente acredita que escovar com força deixa os dentes mais limpos. Os autores mostram o oposto: ajustar a técnica e trocar os produtos ajuda a prevenir a perda de tecido. Cerdas duras e o movimento horizontal de vaivém agem como uma lixa sobre a gengiva, principalmente nos caninos e pré-molares, que ficam mais salientes na arcada.

Quais fatores aceleram o recuo da gengiva?
A escovação inadequada raramente age sozinha. Outros fatores costumam se somar a ela e acelerar a retração gengival:
- Doença periodontal, a periodontite, que destrói o osso e as fibras de sustentação do dente
- Bruxismo, o hábito de ranger ou apertar os dentes durante o sono
- Tabagismo, que reduz a circulação sanguínea no tecido gengival
- Piercing na língua ou no lábio, que atrita a margem da gengiva
- Dentes desalinhados ou movimentação ortodôntica sem acompanhamento
- Gengiva naturalmente fina, uma característica de origem genética
Alterações hormonais na gravidez e na menopausa também deixam a gengiva mais reativa à placa bacteriana. Um panorama sobre o que causa a retração gengival ajuda a entender também se o quadro pode ser revertido com tratamento.
Por que a sensibilidade nos dentes aparece junto?
A sensibilidade nos dentes surge porque a raiz exposta tem milhares de túbulos microscópicos ligados ao nervo. Quando algo gelado, quente, ácido ou doce toca essa área, o estímulo chega rapidamente à polpa. O resultado é uma dor aguda e passageira, que some segundos depois.
Cremes dentais para dentes sensíveis, com nitrato de potássio ou fluoreto de estanho, bloqueiam parte desses canais. Eles aliviam o incômodo em duas a quatro semanas de uso contínuo, mas não devolvem a gengiva ao lugar. Se a sensibilidade nos dentes persistir, o dentista pode aplicar verniz de flúor ou uma resina que sela a superfície da raiz.
Como evitar que a gengiva retraída piore?
O tecido perdido não cresce de volta sozinho. O objetivo do cuidado diário é impedir que o recuo avance e proteger a raiz já exposta. As medidas com melhor efeito na rotina são:
- Usar escova de cerdas macias ou extramacias
- Segurar a escova como uma caneta, sem apertar o cabo
- Fazer movimentos curtos e circulares, com as cerdas inclinadas a 45 graus em direção à gengiva
- Escolher creme dental de baixa abrasividade
- Passar fio dental todos os dias, sem pressionar contra a gengiva
- Usar placa de mordida noturna em caso de bruxismo
- Fazer limpeza profissional a cada seis meses
Escovas elétricas com sensor de pressão ajudam quem tem dificuldade em controlar a força. Quando a retração gengival já é extensa, o periodontista pode indicar um enxerto de tecido conjuntivo, retirado do céu da boca, para cobrir a raiz exposta.
Quais sinais pedem avaliação do dentista?
Sangramento ao escovar, dentes que parecem mais longos, mau hálito persistente e leve mobilidade dentária indicam que a gengiva retraída pode estar ligada a uma inflamação periodontal ativa. Nessa consulta, a sondagem mede a profundidade das bolsas ao redor de cada dente e define se basta corrigir a escovação ou se o tratamento precisa incluir raspagem das raízes e cirurgia de recobrimento.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um dentista ou outro profissional habilitado. Se você notar recuo da gengiva, dor ou sangramento, agende uma consulta para receber diagnóstico e orientação individualizada.









