A doença renal pode avançar sem causar sintomas perceptíveis, por isso os exames têm papel importante na detecção precoce. Os dois principais marcadores são a creatinina no sangue, usada para calcular a taxa de filtração glomerular estimada, e a pesquisa de albumina na urina, que pode revelar lesão nos filtros renais. Para pessoas com diabetes ou pressão alta, esse acompanhamento merece atenção especial.
O que a creatinina revela sobre o funcionamento dos rins?
A creatinina é uma substância produzida pelo metabolismo dos músculos e eliminada principalmente pelos rins. Quando a capacidade de filtração diminui, sua concentração no sangue tende a aumentar. Por isso, o exame de creatinina ajuda a avaliar a função dos rins, embora o resultado não deva ser interpretado isoladamente.
Idade, quantidade de massa muscular, alimentação e algumas condições de saúde podem influenciar a creatinina. Uma pessoa com pouca massa muscular, por exemplo, pode apresentar um resultado aparentemente normal mesmo com redução da função renal. É por isso que atualmente o valor é usado principalmente para estimar outro indicador: a taxa de filtração glomerular.
O que é a taxa de filtração glomerular estimada?
A taxa de filtração glomerular estimada, também chamada de TFGe ou eTFG, calcula aproximadamente quanto sangue os rins conseguem filtrar. O resultado geralmente é obtido a partir da creatinina no sangue associada a informações como idade e sexo, utilizando equações específicas.
O Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais dos Estados Unidos considera a TFGe um dos dois principais exames usados para detectar e acompanhar doença renal. Valores reduzidos podem indicar diminuição da função, mas o diagnóstico de doença renal crônica geralmente exige que a alteração persista por pelo menos três meses ou esteja acompanhada de outros sinais de dano renal.

Por que o exame de urina também é necessário?
Uma pessoa pode apresentar uma taxa de filtração ainda preservada e, mesmo assim, já ter sinais de lesão nos rins. Por isso, o exame de sangue não substitui a avaliação da urina. Um dos achados mais importantes é a presença aumentada de albumina, uma proteína que normalmente permanece no sangue.
O exame mais indicado para quantificar essa perda é a relação albumina-creatinina urinária. Segundo o NIDDK, a albuminúria pode ser um sinal de dano renal. Em geral, a investigação da função dos rins pode incluir:
- creatinina no sangue;
- taxa de filtração glomerular estimada;
- relação albumina-creatinina na urina;
- exame de urina comum, quando indicado;
- outros exames de sangue e imagem conforme a suspeita clínica.
Por que diabetes e pressão alta exigem mais atenção aos rins?
Diabetes e hipertensão estão entre as principais causas de doença renal crônica. A glicose elevada pode lesar progressivamente os pequenos vasos dos rins, enquanto a pressão alta pode danificar os glomérulos, estruturas microscópicas responsáveis pela filtração do sangue.
Por isso, pessoas que apresentam essas condições devem avaliar a função renal regularmente. O NIDDK recomenda que quem tem diabetes faça rastreamento periódico e orienta pessoas com hipertensão a conversar com o profissional de saúde sobre a frequência adequada. Esse acompanhamento costuma combinar TFGe e albumina urinária, porque os exames respondem a perguntas diferentes.

Um exame alterado significa que já existe doença renal?
Não necessariamente. Desidratação, infecções, exercício intenso, alterações temporárias da pressão e alguns medicamentos podem modificar determinados resultados. Da mesma forma, encontrar albumina na urina uma única vez pode levar o médico a repetir o teste antes de estabelecer um diagnóstico.
O mais importante é analisar creatinina, TFGe e urina em conjunto e acompanhar sua evolução. Pessoas com diabetes, pressão alta, doença cardiovascular ou histórico familiar de insuficiência renal não devem esperar sintomas para investigar os rins, já que as fases iniciais da doença renal frequentemente são silenciosas.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação individual de um profissional de saúde.









