O El Niño, fenômeno climático que aquece as águas do Oceano Pacífico, está mudando o padrão de chuvas e temperaturas no Brasil e, com isso, favorecendo o avanço de várias doenças. O calor e a umidade criam o cenário ideal para a multiplicação de mosquitos e bactérias, ao mesmo tempo em que a estiagem e as queimadas em algumas regiões comprometem a qualidade do ar. Entender quais doenças ganham força nesse período ajuda a redobrar a prevenção e a reconhecer os sinais de alerta a tempo.
Por que o El Niño favorece o surgimento de doenças?
O El Niño altera o clima de forma intensa, provocando mais chuvas e calor em partes do país e secas severas em outras. Esse desequilíbrio cria ambientes propícios para a proliferação de mosquitos, bactérias e vírus.
Segundo o Ministério da Saúde, as mudanças de temperatura e de chuva associadas ao fenômeno tendem a ampliar a transmissão de várias doenças ao longo de 2026 e 2027. Por isso, o período exige atenção redobrada à prevenção.
Como o calor e a chuva impulsionam as arboviroses?
O aumento das temperaturas e o acúmulo de água parada favorecem a reprodução do mosquito Aedes aegypti, transmissor de dengue, chikungunya e zika. Com mais criadouros disponíveis, a circulação desses vírus cresce de forma acentuada.
As projeções do InfoDengue, da Fiocruz, estimam cerca de 1,7 milhão de casos de dengue em 2027 por influência do El Niño. Saber diferenciar dengue, zika e chikungunya ajuda a buscar o atendimento correto.

Quais doenças mais aumentam nesse período?
O El Niño está associado ao crescimento de diferentes doenças, que variam conforme a região do país. Conheça as principais:
- Dengue, transmitida pelo Aedes aegypti e favorecida pelo calor e pelas chuvas;
- Chikungunya, que também se espalha pelo mesmo mosquito e causa dor articular intensa;
- Leptospirose, mais comum após enchentes e contato com água contaminada;
- Doenças diarreicas e hepatite A, ligadas à contaminação da água e dos alimentos;
- Doenças respiratórias, agravadas pela fumaça das queimadas em períodos de seca.
Cada uma dessas doenças exige cuidados específicos de prevenção. Reconhecer os sintomas de leptospirose é especialmente importante em áreas sujeitas a alagamentos.
Como se proteger durante o El Niño?
Adotar medidas simples de prevenção reduz bastante o risco de adoecer nesse período. Veja as principais recomendações:
- Eliminar água parada em vasos, pneus e recipientes para evitar criadouros de mosquitos;
- Usar repelente e telas nas janelas para reduzir as picadas;
- Evitar contato com água de enchente e usar proteção ao limpar áreas alagadas;
- Cuidar da higiene da água e dos alimentos para prevenir infecções intestinais;
- Proteger as vias respiratórias em regiões afetadas por fumaça de queimadas.
Esses cuidados valem especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas, mais vulneráveis nesse cenário. Reconhecer os sintomas da chikungunya e das demais doenças ajuda a agir rápido diante de qualquer suspeita.

O que a ciência mostra sobre o El Niño e as doenças?
A relação entre esse fenômeno climático e o avanço de doenças já foi investigada no Brasil. Segundo o estudo El Niño, La Niña e a incidência de dengue na Amazônia brasileira, publicado na revista Cadernos de Saúde Pública, as variações de chuva provocadas por esses fenômenos se relacionam diretamente com o número de casos de dengue nas capitais da região, confirmando que o clima influencia a transmissão da doença. Isso reforça por que o monitoramento ganha importância em anos de El Niño.
Acompanhar os alertas das autoridades de saúde e manter a prevenção em dia são as melhores formas de atravessar esse período com segurança. Diante de febre, dores ou outros sintomas suspeitos, buscar atendimento desde o início faz toda a diferença.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Diante de febre, dores intensas ou qualquer sintoma persistente, procure atendimento médico para avaliação e diagnóstico adequados.








