O uso de anticoncepcionais com estrogênio é um fator conhecido para trombose venosa profunda, mas está longe de ser o único. Passar muitas horas sem movimentar as pernas também pode favorecer a formação de coágulos porque reduz o fluxo de sangue nas veias. Isso merece atenção principalmente em viagens longas, internações, períodos de repouso e após determinadas cirurgias.
Por que ficar muito tempo parado aumenta o risco de trombose?
Quando caminhamos, a contração dos músculos da panturrilha ajuda a impulsionar o sangue das pernas de volta ao coração. Se a pessoa permanece sentada ou deitada por várias horas, esse mecanismo funciona menos e o sangue circula mais lentamente nas veias profundas, favorecendo a chamada estase venosa.
Uma revisão científica sobre viagens e trombose venosa concluiu que viagens de longa distância estão associadas a um aumento do risco de trombose, especialmente conforme cresce o tempo de deslocamento. A imobilidade prolongada é considerada um dos mecanismos envolvidos nessa relação.
Em quais situações a falta de movimento merece mais atenção?
Não são apenas as viagens de avião que importam. Qualquer situação que limite a movimentação por um período prolongado pode contribuir para o risco, principalmente quando existem outros fatores associados.
Entre as situações que merecem atenção estão:
- viagens prolongadas de avião, ônibus, trem ou carro;
- internações com permanência prolongada no leito;
- recuperação após cirurgias, especialmente quando a mobilidade fica reduzida;
- uso de gesso ou outras formas de imobilização de uma perna;
- períodos prolongados de repouso por doença.
O risco também pode ser maior em pessoas com histórico anterior de trombose venosa profunda, câncer, obesidade, alterações hereditárias da coagulação, gravidez ou uso de anticoncepcionais que contêm estrogênio. Em muitos casos, é a combinação de fatores que torna a situação mais preocupante.

O que fazer durante uma viagem longa?
Movimentar as pernas regularmente ajuda a evitar que o sangue permaneça parado por muito tempo. Segundo orientações do CDC sobre prevenção de coágulos durante viagens, pessoas que passam várias horas sentadas devem movimentar as pernas com frequência e fazer pausas para caminhar quando possível.
Algumas medidas práticas incluem:
- levantar e caminhar aproximadamente a cada hora ou em intervalos regulares, quando for possível e seguro;
- flexionar e estender os tornozelos enquanto estiver sentado;
- levantar os calcanhares mantendo as pontas dos pés no chão e depois fazer o movimento contrário;
- contrair e relaxar os músculos das pernas periodicamente;
- fazer pausas para caminhar em viagens longas de carro.
Pessoas com risco elevado devem conversar com o médico antes de viagens prolongadas. Meias de compressão ou medicamentos preventivos podem ser indicados em situações específicas, mas anticoagulantes e aspirina não devem ser usados por conta própria para prevenir trombose.
Quais sinais de trombose na perna exigem atenção?
A trombose venosa profunda pode não causar sintomas, mas, quando eles aparecem, geralmente afetam apenas uma perna. Os sinais mais característicos incluem inchaço, dor ou sensibilidade sem uma explicação clara, aumento da temperatura da pele e, em alguns casos, vermelhidão ou alteração de cor.
Dor, inchaço e calor em apenas uma perna, especialmente após cirurgia, internação ou período prolongado de imobilidade, devem motivar avaliação médica rápida. Não é possível confirmar ou excluir uma trombose apenas pelos sintomas, e exames como ultrassom podem ser necessários.

Quando a trombose pode virar uma emergência?
Uma das complicações mais graves ocorre quando parte do coágulo se desprende e chega aos pulmões, provocando uma embolia pulmonar. Falta de ar que surge de repente, dor no peito, tosse com sangue, palpitações, tontura ou desmaio exigem atendimento de emergência imediato.
Por isso, a prevenção da trombose não deve ficar restrita à preocupação com anticoncepcionais. Reduzir períodos prolongados de imobilidade e reconhecer rapidamente sintomas suspeitos também são cuidados importantes. Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica individual.








