Os olhos também recebem radiação ultravioleta quando ficam expostos ao sol. Ao longo dos anos, essa exposição pode contribuir para alterações como catarata e pterígio, principalmente em pessoas que passam muito tempo ao ar livre. Por isso, o mais importante não é apenas usar uma lente escura, mas escolher óculos que realmente ofereçam proteção contra a radiação UV.
Como a radiação ultravioleta pode afetar os olhos?
A radiação ultravioleta alcança diferentes estruturas oculares. Parte dela é absorvida pela córnea e pelo cristalino, a lente natural responsável por ajudar a focalizar as imagens. A exposição repetida pode provocar alterações celulares e moleculares nesses tecidos, especialmente quando ocorre por muitos anos.
Uma revisão publicada no Acta Ophthalmologica, que avaliou estudos envolvendo trabalhadores expostos ao sol, encontrou associação entre exposição solar prolongada no trabalho e maior ocorrência de catarata, com evidências particularmente consistentes para a catarata cortical. Isso não significa que toda pessoa que toma sol desenvolverá a doença, já que idade, diabetes, tabagismo, uso de corticoides e outros fatores também interferem no risco.
Qual é a relação entre sol, catarata e pterígio?
A catarata acontece quando o cristalino perde progressivamente sua transparência, podendo provocar visão embaçada, halos ao redor das luzes e dificuldade para enxergar. O envelhecimento é sua causa mais comum, mas a exposição aos raios ultravioleta é um dos fatores ambientais relacionados principalmente à catarata cortical.
Já o pterígio é um crescimento de tecido da conjuntiva em direção à córnea. Nesse caso, a relação com o sol é ainda mais evidente. Uma análise que reuniu 68 estudos e mais de 415 mil participantes identificou maior chance de pterígio em pessoas expostas à luz solar por mais de cinco horas e menor ocorrência entre aquelas que utilizavam óculos de sol. Os resultados estão disponíveis no PubMed sobre exposição solar e fatores associados ao pterígio.

Lente escura sem proteção UV pode ser pior?
Uma lente ser escura não significa que ela bloqueie radiação ultravioleta. Por isso, não é adequado escolher óculos apenas pela tonalidade. Existe uma explicação bastante difundida de que lentes escuras sem filtro UV fariam a pupila dilatar e, consequentemente, permitiriam a entrada de ainda mais radiação do que ficar sem óculos.
Entretanto, essa explicação precisa de uma ressalva. Um estudo publicado em 2024 avaliou especificamente esse mecanismo e concluiu que a dilatação da pupila não parece ser o principal fator responsável pelo aumento da exposição UV. O campo de visão teve influência maior, embora lentes com proteção UVA muito baixa tenham apresentado potencial de aumentar discretamente a quantidade de radiação que alcança o olho em comparação com não usar óculos. Portanto, o problema real é confiar em lentes escuras que não ofereçam filtragem UV adequada.
O que observar ao escolher os óculos de sol?
O objetivo dos óculos é reduzir a quantidade de radiação ultravioleta que chega aos olhos. A cor da lente e o quanto ela parece escura não permitem saber se existe esse bloqueio. Ao comprar o acessório, vale procurar informação clara sobre proteção UV e adquirir produtos de procedência conhecida.
Outros cuidados também reduzem a exposição durante atividades externas:
- preferir óculos que protejam contra radiação UVA e UVB;
- usar modelos que cubram bem a região ao redor dos olhos;
- associar chapéu ou boné de aba em períodos prolongados ao ar livre;
- não considerar uma lente muito escura como sinônimo de maior proteção;
- substituir óculos danificados ou cuja procedência e proteção UV sejam desconhecidas.

A proteção dos olhos deve começar somente depois dos 50 anos?
Não. Como parte da exposição solar se acumula durante muitos anos, proteger os olhos desde a infância e manter esse hábito ao longo da vida é uma medida simples para diminuir a quantidade de radiação recebida. Isso é especialmente importante para quem trabalha, pratica esportes ou permanece frequentemente em ambientes externos.
Os óculos de sol não eliminam todos os fatores responsáveis por catarata ou pterígio, mas ajudam a reduzir um fator ambiental modificável: a exposição dos olhos à radiação ultravioleta. Alterações como visão embaçada, crescimento de tecido sobre a parte branca do olho, irritação persistente ou mudança progressiva da visão devem ser avaliadas por um oftalmologista.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de alterações na visão ou dúvidas sobre proteção adequada contra radiação ultravioleta, consulte um oftalmologista.








