Cansaço, fraqueza, peso ou dormência nas pernas ao caminhar podem ser sinais de má circulação, mesmo quando não existe a clássica dor forte na panturrilha. Em algumas mulheres, a doença arterial periférica pode provocar sintomas menos típicos, o que faz com que o problema seja confundido com cansaço, envelhecimento, dores musculares ou alterações nas articulações.
Quando a sensação aparece durante a caminhada ou ao subir escadas e melhora depois de parar e descansar, vale investigar. Esse padrão pode ocorrer quando artérias estreitadas não conseguem fornecer sangue suficiente para os músculos durante o esforço.
Por que caminhar pode provocar os sintomas?
Durante a atividade física, os músculos das pernas precisam de mais oxigênio e nutrientes. Se as artérias estiverem estreitadas pela aterosclerose, o fluxo de sangue pode não acompanhar essa necessidade.
A American Heart Association explica que a doença arterial periférica pode causar dor, queimação, cãibra, desconforto ou fadiga nas pernas durante a caminhada, exercício ou subida de escadas. O incômodo costuma melhorar depois que a pessoa para e descansa.

Em mulheres, os sinais podem ser diferentes?
Sim. Embora a claudicação intermitente, caracterizada pelo desconforto provocado pelo esforço e aliviado pelo repouso, seja o sintoma mais conhecido, nem todas as pessoas apresentam esse padrão clássico.
Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2022 e disponível no Differences in Symptom Presentation in Women and Men with Confirmed Lower Limb Peripheral Artery Disease: A Systematic Review and Meta-Analysis encontrou diferenças na apresentação da doença entre homens e mulheres. As mulheres com doença arterial periférica apresentaram menos frequentemente a claudicação típica e tenderam a relatar mais sintomas atípicos nas pernas.
Por isso, manifestações como estas também merecem atenção quando aparecem repetidamente durante o esforço:
- cansaço ou peso em uma ou nas duas pernas;
- fraqueza durante a caminhada;
- sensação de que a perna “não acompanha” o ritmo;
- desconforto no quadril, coxa, panturrilha, tornozelo ou pé;
- dormência ou sensação diferente na perna.
Como perceber se o problema pode estar na circulação?
O padrão dos sintomas fornece pistas importantes. Desconforto que surge aproximadamente depois de determinada distância ou intensidade de caminhada e melhora após alguns minutos de repouso é particularmente sugestivo de uma limitação do fluxo sanguíneo.
Entretanto, problemas na coluna, nervos, músculos e articulações também podem provocar dor, fraqueza ou dormência ao caminhar. Por isso, esses sintomas não confirmam sozinhos uma alteração circulatória.
Na investigação da doença arterial periférica, o médico pode examinar os pulsos das pernas e solicitar exames como o índice tornozelo-braquial, que compara a pressão medida no tornozelo com a pressão do braço.
Que mudanças nos pés e nas pernas também merecem atenção?
A redução persistente do fluxo sanguíneo pode causar alterações que não dependem da caminhada. Segundo a American Heart Association, algumas pessoas apresentam pele mais fria em um pé ou perna, mudança na coloração e feridas que demoram para cicatrizar.
Outros sinais que devem ser relatados durante a avaliação incluem:
- ferida no pé ou na perna que cicatriza muito lentamente;
- um pé persistentemente mais frio do que o outro;
- mudança de cor na pele;
- redução dos pelos nas pernas;
- dor nos pés ou dedos mesmo em repouso.

Quando procurar avaliação médica?
Cansaço, dor, fraqueza ou dormência que aparecem repetidamente ao caminhar e melhoram com repouso justificam avaliação, principalmente quando estão limitando a distância que a pessoa consegue percorrer. Diabetes, tabagismo, pressão alta, colesterol elevado, doença renal e idade mais avançada aumentam o risco de doença arterial periférica.
Dor intensa que surge de repente acompanhada de uma perna ou pé muito frio, pálido, arroxeado, dormente ou com perda de força exige atendimento imediato, pois uma interrupção aguda do fluxo sanguíneo pode precisar de tratamento urgente.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento orientado por um médico.








