A palavra labirintite se popularizou como sinônimo de qualquer sensação de tontura, mas essa generalização atrasa diagnósticos e leva ao uso desnecessário de medicamentos. Cada tipo de tontura tem gatilhos, duração e sinais próprios, e reconhecer essas diferenças é o primeiro passo para tratar a causa certa. Entender por que a tontura aparece ajuda a evitar semanas de sintomas repetidos e a chegar mais rápido ao médico especialista adequado.
O que exatamente é labirintite e por que ela é tão pouco frequente?
A labirintite verdadeira é uma inflamação do labirinto, estrutura do ouvido interno responsável pelo equilíbrio, geralmente causada por infecções virais ou bacterianas. Ela provoca vertigem intensa, náuseas e frequentemente perda auditiva ou zumbido, sinais que a diferenciam de outras causas de tontura.
Apesar do uso popular do termo, a maioria das crises de tontura tem outras origens que não envolvem inflamação do labirinto. Confundir os quadros faz com que o tratamento correto seja adiado, prolongando o desconforto e aumentando o risco de quedas.
Como identificar a vertigem posicional paroxística benigna?
A vertigem posicional paroxística benigna, conhecida pela sigla VPPB, acontece quando pequenos cristais de cálcio se soltam de uma parte do ouvido interno e migram para os canais semicirculares. O resultado é uma tontura rotatória breve, de segundos a menos de um minuto, sempre desencadeada por mudanças de posição da cabeça.
O paciente com VPPB costuma sentir a crise ao rolar na cama, olhar para cima ou se abaixar, sem zumbido nem perda auditiva. O diagnóstico é clínico e o tratamento envolve manobras de reposicionamento realizadas em consultório.

Como diferenciar as principais causas de tontura?
Cada condição tem um padrão típico de apresentação que ajuda o médico a suspeitar da causa antes mesmo de qualquer exame. Observar duração, gatilhos e sintomas associados costuma ser suficiente para estreitar as possibilidades:
- VPPB: tontura rotatória de segundos, provocada por mudança de posição da cabeça, sem zumbido nem perda auditiva;
- Labirintite: vertigem intensa e contínua por horas ou dias, com zumbido, perda auditiva e sintomas de infecção;
- Doença de Ménière: crises espontâneas de vertigem que duram minutos a horas, com zumbido, sensação de ouvido cheio e perda auditiva flutuante;
- Hipotensão postural: sensação de fraqueza ou escurecimento da visão ao levantar rapidamente, sem giro do ambiente;
- Enxaqueca vestibular: episódios de tontura acompanhados de dor de cabeça, sensibilidade à luz e ao som;
- Neurite vestibular: vertigem intensa e prolongada após infecção viral, sem perda auditiva.
O que dizem as diretrizes da Academia Americana de Otorrinolaringologia?
As recomendações internacionais reforçam que o diagnóstico correto muda completamente a conduta e o prognóstico das tonturas. Segundo a Clinical Practice Guideline: Benign Paroxysmal Positional Vertigo (Update), diretriz publicada em 2017 na revista Otolaryngology–Head and Neck Surgery pela American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery Foundation, a VPPB é a causa mais comum de vertigem no adulto e responde por 17% a 42% dos casos avaliados por especialistas. O documento também recomenda contra o uso rotineiro de medicamentos supressores vestibulares no tratamento da VPPB e destaca que manobras de reposicionamento resolvem a maioria dos casos, evidenciando por que rotular toda tontura como labirintite atrasa o cuidado adequado.

Quando a tontura sinaliza algo mais grave e exige atendimento?
Alguns sinais associados à tontura funcionam como alertas de causas neurológicas ou cardiovasculares que exigem avaliação de emergência. Reconhecer essas situações pode salvar vidas, especialmente diante da suspeita de acidente vascular cerebral ou arritmia. Procure atendimento imediato se a tontura aparecer com qualquer um dos sinais abaixo:
- Fraqueza ou dormência em um lado do corpo, no rosto ou nos membros;
- Dificuldade para falar, entender ou articular palavras;
- Visão dupla, perda súbita de visão ou desvio do olhar;
- Dor de cabeça súbita e muito intensa, diferente das habituais;
- Desmaio, palpitações fortes ou dor no peito associados à tontura;
- Instabilidade grave para caminhar, com risco iminente de queda;
- Tontura persistente por mais de 24 horas sem melhora.
Fora dessas situações de urgência, a orientação é buscar o clínico geral, o otorrinolaringologista ou o neurologista para investigação adequada, já que causas como labirintite, doença de Ménière e hipotensão postural exigem estratégias terapêuticas muito diferentes.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Diante de tontura persistente, recorrente ou acompanhada de sinais de alerta, procure um médico para diagnóstico e tratamento adequados.








