A primavera aumenta os casos de olhos avermelhados, coçando e lacrimejando por causa do pólen, da poeira e do tempo seco, o que muitas vezes leva o leitor a recorrer a colírios esquecidos na geladeira. Essa automedicação pode piorar o quadro, mascarar infecções e até provocar efeitos graves quando o frasco contém corticoide. Reconhecer os sinais típicos da conjuntivite alérgica ajuda a agir com segurança, adotar medidas simples de alívio imediato e evitar produtos que só deveriam ser usados sob orientação médica.
O que é a conjuntivite alérgica?
A conjuntivite alérgica é uma inflamação da conjuntiva, membrana transparente que recobre o branco dos olhos e a parte interna das pálpebras, causada pelo contato com alérgenos como pólen, ácaros, pelos de animais e fungos. Diferente das formas infecciosas, ela não é contagiosa e costuma afetar os dois olhos ao mesmo tempo.
Os sintomas surgem em minutos após a exposição e incluem coceira intensa, vermelhidão, lacrimejamento e sensação de areia nos olhos. A alergia nos olhos tende a se repetir na mesma época do ano e é comum em pessoas com rinite ou asma.
Como identificar se é conjuntivite alérgica ou infecciosa?
A pista mais importante é a coceira. Enquanto a conjuntivite alérgica coça bastante e produz secreção clara e aquosa, a bacteriana costuma apresentar secreção amarelada e pálpebras grudadas ao acordar. Já a viral vem acompanhada de olho muito vermelho, lacrimejamento e, em muitos casos, sintomas gripais.
Outro ponto útil é o histórico. Crises que aparecem sempre na primavera, junto com espirros e coriza, reforçam a origem alérgica. Em caso de dúvida, o ideal é consultar um oftalmologista para confirmar entre os diferentes tipos de conjuntivite e evitar tratamentos inadequados.

Quais colírios nunca devem ser pingados sem receita?
Muitos frascos guardados em casa contêm substâncias fortes que exigem prescrição e avaliação profissional. Fuja da automedicação com estes tipos:
- Colírios com corticoide (como dexametasona ou prednisolona), pois podem elevar a pressão intraocular, favorecer glaucoma, catarata e agravar infecções não diagnosticadas.
- Colírios antibióticos, indicados apenas para conjuntivite bacteriana confirmada e ineficazes contra alergia ou vírus.
- Colírios vasoconstritores usados para “clarear” os olhos, que provocam efeito rebote e vermelhidão ainda mais intensa após alguns dias.
- Colírios vencidos ou abertos há mais de 30 dias, que perdem eficácia e podem estar contaminados.
- Colírios de outra pessoa, já que a composição e o diagnóstico não são os mesmos e o compartilhamento aumenta o risco de infecção.
Como as evidências científicas apoiam o uso de compressas frias?
Antes de recorrer a qualquer medicamento, medidas simples e não farmacológicas já demonstram bom efeito no alívio dos sintomas. Segundo o estudo Effectiveness of Nonpharmacologic Treatments for Acute Seasonal Allergic Conjunctivitis publicado na revista Ophthalmology, o uso de compressas frias e lágrimas artificiais reduziu de forma significativa a coceira, a vermelhidão e o inchaço em pacientes com conjuntivite alérgica sazonal.
Os autores destacam que a temperatura baixa promove vasoconstrição local e diminui a liberação de histamina, o que ajuda a controlar a crise sem os riscos associados aos colírios de uso indiscriminado.

Como aliviar a coceira com compressas de água filtrada gelada?
A compressa fria é uma tática segura, barata e eficaz para acalmar o olho durante a crise alérgica. Para aplicar corretamente, siga estes passos:
- Ferva a água ou utilize água filtrada e leve à geladeira por cerca de 20 minutos.
- Umedeça uma gaze estéril, uma compressa limpa ou um pano macio de algodão na água gelada.
- Feche os olhos e aplique sobre as pálpebras por 5 a 10 minutos, sem pressionar.
- Utilize uma gaze diferente em cada olho para evitar contaminação cruzada.
- Repita de 3 a 4 vezes ao dia, sempre que sentir coceira ou ardência.
- Evite esfregar os olhos e lave bem as mãos antes e depois do procedimento.
Se os sintomas persistirem por mais de 48 horas, houver dor intensa, secreção purulenta, visão embaçada ou sensibilidade à luz, procure um oftalmologista. Somente o profissional pode confirmar o diagnóstico, indicar antialérgicos apropriados e afastar riscos que exijam tratamento específico, evitando complicações associadas ao uso incorreto de corticoides.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação médica presencial. Consulte sempre um oftalmologista ou outro profissional de saúde qualificado para diagnóstico e tratamento adequados ao seu caso.









