Com a chegada da primavera, muita gente começa a sentir os olhos vermelhos, com coceira intensa e lacrimejamento constante. Não é coincidência: o aumento do pólen no ar, a poeira em suspensão e as variações de umidade típicas da estação criam o ambiente perfeito para o disparo da conjuntivite alérgica. Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), essa é uma das queixas oculares mais frequentes nessa época do ano, especialmente entre pessoas com histórico de alergias respiratórias.
O que é conjuntivite alérgica e como ela se manifesta?
A conjuntivite alérgica é uma inflamação da conjuntiva, membrana transparente que recobre a parte branca dos olhos e o interior das pálpebras. Ela surge quando o sistema imunológico reage de forma exagerada a substâncias como pólen, ácaros e poeira.
Diferente das versões viral e bacteriana, esse tipo não é contagioso. Os sintomas mais comuns incluem coceira intensa, olhos vermelhos, lacrimejamento, sensação de areia e inchaço das pálpebras, muitas vezes acompanhados de sintomas respiratórios como espirros e coriza.
Por que os olhos coçam mais nessa estação do ano?
Durante a primavera, a floração aumenta a concentração de pólen no ar, e o vento típico da estação espalha essas partículas por grandes distâncias. O pólen entra em contato com a mucosa ocular e desencadeia a liberação de histamina, substância responsável pela coceira.
A poluição urbana e a poeira em suspensão intensificam essa reação, principalmente em quem já convive com rinite ou asma. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), crianças com predisposição alérgica estão entre as mais afetadas por esse quadro sazonal.

Como um estudo científico embasa esse aumento sazonal?
Uma revisão científica ajuda a entender por que os quadros se intensificam nessa época. Segundo a revisão Current Knowledge in Allergic Conjunctivitis, publicada no Turkish Journal of Ophthalmology e indexada no PubMed, a forma sazonal representa a maior parte dos casos de alergia ocular e está diretamente ligada a alérgenos externos, como o pólen de gramíneas.
Os autores destacam que essa condição afeta entre 15% e 40% da população mundial e tem prevalência crescente. A doença compromete significativamente a qualidade de vida, o sono e o desempenho escolar e profissional, especialmente nos períodos de maior exposição a alérgenos ambientais.
Quais são os principais gatilhos da conjuntivite alérgica?
Identificar o agente causador é essencial para reduzir crises e evitar que o quadro se prolongue. Como muitos sintomas se confundem com outros tipos de tipos de conjuntivite, vale conhecer os fatores desencadeantes mais frequentes:
- Pólen de flores e gramíneas: gatilho mais comum na primavera
- Ácaros da poeira: presentes em cortinas, tapetes e roupas de cama
- Mofo e fungos: proliferam em ambientes úmidos e mal ventilados
- Pelos de animais: especialmente de cães e gatos que dormem próximos ao corpo
- Poluição do ar e fumaça: irritam diretamente a mucosa ocular
- Cosméticos e maquiagens: podem desencadear reações em pessoas sensíveis
- Lentes de contato: acumulam alérgenos e agravam o quadro em surtos

Quais cuidados ajudam a aliviar os sintomas em casa?
Pequenas mudanças na rotina fazem diferença no controle da alergia nos olhos durante a estação das flores. Reconhecer os sintomas de conjuntivite logo no início também permite agir antes que o quadro se agrave. Confira medidas práticas:
- Evitar coçar ou esfregar os olhos, pois isso libera mais histamina e agrava a inflamação
- Aplicar compressas frias por alguns minutos para reduzir o inchaço e a coceira
- Lavar os olhos com soro fisiológico gelado para remover alérgenos da superfície ocular
- Manter janelas fechadas em horários de pico de pólen, geralmente pela manhã
- Trocar fronhas com frequência e evitar tapetes e cortinas no quarto
- Retirar as lentes de contato durante crises e priorizar óculos comuns
- Seguir orientação médica sobre o uso de colírios antialérgicos, evitando automedicação
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico. Em caso de sintomas persistentes, dor ocular intensa, visão embaçada ou piora dos sintomas, procure um oftalmologista para diagnóstico e tratamento adequados ao seu caso.








