Mesmo com a diminuição dos casos em alguns períodos do ano, a dengue segue circulando com força durante a primavera no Brasil. O aumento da temperatura, as chuvas mais frequentes e o acúmulo de água parada criam o cenário ideal para a reprodução do mosquito Aedes aegypti, segundo o Ministério da Saúde. Reconhecer os sintomas iniciais e, principalmente, os sinais de alarme, faz toda a diferença para evitar complicações graves e garantir atendimento no momento certo.
Por que a dengue segue ativa nessa estação do ano?
A primavera reúne condições climáticas que favorecem o ciclo reprodutivo do Aedes aegypti. O calor acelera o desenvolvimento das larvas, enquanto as chuvas rápidas deixam recipientes com água parada em quintais, calhas e ralos.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), esses fatores mantêm a transmissão elevada mesmo fora do pico do verão. Por isso, a prevenção precisa ser constante ao longo de todos os meses, e não apenas em campanhas sazonais.
Quais são os sintomas iniciais da dengue?
A infecção começa geralmente com febre alta e súbita, entre 39°C e 40°C, acompanhada de dor no corpo, atrás dos olhos e nas articulações. Muitas vezes, esses sintomas são confundidos com gripe ou virose comum.
Outros sinais incluem dor de cabeça intensa, náuseas, manchas vermelhas na pele e cansaço extremo. Como o quadro pode evoluir de forma imprevisível, é fundamental conhecer bem as manifestações da dengue e monitorar a evolução dos sintomas.

Como um estudo científico ajuda a identificar sinais de gravidade?
A ciência tem se dedicado a mapear com precisão quais sinais indicam risco maior de complicação. Segundo a revisão sistemática e meta-análise Clinical Signs and Symptoms Associated with WHO Severe Dengue Classification, publicada na revista Emerging Microbes and Infections e indexada no PubMed, alguns sintomas estão fortemente associados à progressão para a forma grave da doença.
Os autores identificaram que vômitos persistentes, dor abdominal intensa, sangramentos, letargia, dificuldade para respirar e alterações laboratoriais como queda de plaquetas são os principais indicadores de piora clínica. Essa evidência reforça a importância da observação atenta entre o terceiro e o sétimo dia da doença.
Quais sinais de alarme exigem atendimento imediato?
Os sinais de alarme costumam surgir justamente quando a febre começa a baixar, o que muitas vezes cria a falsa impressão de melhora. Grupos como crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas merecem atenção redobrada, pois têm maior risco. Confira os sintomas que exigem procurar atendimento sem demora, principalmente em casos suspeitos de dengue em crianças:
- Dor abdominal intensa e contínua: especialmente após a queda da febre
- Vômitos persistentes: mais de três episódios em pouco tempo
- Sangramentos de mucosas: nariz, gengivas ou trato digestivo
- Manchas vermelhas espalhadas pela pele: sinal de possível hemorragia
- Sonolência excessiva ou irritabilidade: alterações do estado mental
- Tontura ao levantar ou desmaios: indicativos de queda de pressão
- Dificuldade para respirar ou dor no peito: pode indicar acúmulo de líquidos

Como reduzir o risco de contrair dengue em casa?
A eliminação de focos de água parada continua sendo a estratégia mais eficaz para conter o mosquito. Adotar a rotina de prevenção da dengue no dia a dia, especialmente durante a primavera, reduz significativamente o número de criadouros. Veja medidas práticas para aplicar em casa:
- Manter caixas d’água, cisternas e tonéis sempre bem tampados
- Trocar a água de vasos de plantas semanalmente ou substituir por areia úmida
- Descartar corretamente pneus velhos, garrafas e recipientes que possam acumular água
- Limpar calhas, ralos e piscinas regularmente para evitar entupimentos
- Usar telas em janelas e portas, além de mosquiteiros para bebês e crianças
- Aplicar repelente aprovado pela Anvisa durante o dia, momento de maior atividade do mosquito
- Preferir roupas de manga longa e calças em regiões com muitos casos registrados
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico. Diante de febre alta acompanhada de qualquer sinal de alarme, procure atendimento médico imediato para diagnóstico e tratamento adequados ao seu caso.








