Manter a pressão arterial sob controle não protege apenas o coração. A saúde dos vasos sanguíneos também está ligada ao funcionamento do cérebro, e estudos indicam que a hipertensão, especialmente quando presente na meia-idade, está associada a maior risco de declínio cognitivo nos anos seguintes. Tratar a pressão alta pode contribuir para preservar a função cognitiva, embora isso não signifique impedir completamente o desenvolvimento de demência ou Alzheimer.
O que a pressão alta tem a ver com a memória?
O cérebro depende de uma circulação sanguínea adequada para receber oxigênio e nutrientes. Quando a pressão alta permanece sem controle por muito tempo, pode favorecer alterações nos vasos sanguíneos, inclusive nos pequenos vasos cerebrais, além de aumentar o risco de AVC.
Essas alterações vasculares podem contribuir para dificuldades de memória, raciocínio e velocidade de processamento. Segundo o National Institute on Aging, estudos observacionais realizados ao longo de décadas relacionam a hipertensão na meia-idade, aproximadamente entre os 40 e o início dos 60 anos, a maior risco de declínio cognitivo posteriormente.
Tratar a hipertensão ajuda a proteger a função cognitiva?
Um dos principais estudos sobre o tema foi o SPRINT MIND, ensaio clínico publicado em 2019 no JAMA com 9.361 adultos de 50 anos ou mais com hipertensão. Os participantes foram divididos entre estratégias de controle mais intensivo e padrão da pressão sistólica.
O tratamento intensivo reduziu significativamente a ocorrência de comprometimento cognitivo leve, condição que pode anteceder alguns casos de demência. No entanto, a redução de casos de provável demência não alcançou significância estatística. Por isso, os resultados apoiam o cuidado vascular como parte da proteção cerebral, mas não permitem afirmar que baixar a pressão previne completamente a demência.

Que cuidados ajudam a controlar a pressão ao longo dos anos?
O tratamento depende das características e do risco de cada pessoa, mas alguns cuidados costumam fazer parte do controle da hipertensão:
- Medir a pressão regularmente para identificar alterações mesmo quando não existem sintomas.
- Tomar os medicamentos prescritos nos horários recomendados, sem suspender ou alterar doses por conta própria.
- Reduzir o excesso de sal e priorizar uma alimentação com frutas, verduras, legumes e outros alimentos pouco processados.
- Praticar atividade física regularmente de acordo com a capacidade e as orientações recebidas.
- Controlar outros fatores cardiovasculares como diabetes, colesterol elevado, tabagismo e excesso de peso.
Esses cuidados não atuam apenas sobre a pressão. A manutenção da saúde cardiovascular como um todo também é importante para reduzir problemas que podem comprometer a circulação cerebral.

Existe uma pressão ideal para proteger o cérebro?
Não existe uma única meta de pressão arterial que seja adequada para todas as pessoas. A definição do tratamento deve considerar idade, doenças associadas, risco cardiovascular, uso de medicamentos e possibilidade de efeitos adversos, como tontura ou queda excessiva da pressão.
Por isso, alguns pontos são importantes ao pensar em pressão e saúde cognitiva:
- Não tente atingir sozinho valores observados em estudos, pois as metas utilizadas em pesquisas não devem ser aplicadas automaticamente a qualquer pessoa.
- Controle da pressão não elimina todos os riscos de demência, já que condições como o Alzheimer envolvem diversos fatores genéticos, biológicos e ambientais.
- Esquecimentos persistentes merecem investigação, principalmente quando aumentam com o tempo ou começam a interferir nas tarefas do cotidiano.
- Acompanhamento médico é importante para estabelecer a meta de pressão e ajustar o tratamento de acordo com cada caso.
Quem apresenta pressão frequentemente elevada, dificuldade progressiva de memória, confusão, alterações no raciocínio ou outros sintomas preocupantes deve procurar avaliação médica. O acompanhamento permite investigar tanto a hipertensão quanto outras possíveis causas das alterações cognitivas e definir um tratamento individualizado.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizado por um profissional de saúde.








