Sim. Existem tratamentos sem hormônio capazes de reduzir os calorões e suores noturnos da menopausa, incluindo medicamentos específicos, alguns antidepressivos, gabapentina e abordagens como terapia cognitivo-comportamental. Essas opções são especialmente importantes para mulheres que não podem ou não desejam fazer terapia hormonal. Já suplementos e fitoterápicos vendidos com a mesma promessa não apresentam o mesmo nível de evidência.
Quais tratamentos sem hormônio realmente têm evidência?
O posicionamento The 2023 nonhormone therapy position statement of The North American Menopause Society, publicado em 2023 na revista Menopause, avaliou diferentes alternativas para sintomas vasomotores, nome dado aos calorões e suores noturnos.
Entre as opções com evidência mais consistente estão alguns antidepressivos das classes ISRS e IRSN, gabapentina, fezolinetanto, terapia cognitivo-comportamental e hipnose clínica. A oxibutinina também apresentou benefício, embora com nível de evidência mais variável.
O que muda com os medicamentos mais novos?
Uma das novidades é o fezolinetanto, medicamento que não contém estrogênio e atua em mecanismos do cérebro envolvidos no controle da temperatura. Em junho de 2026, a Anvisa aprovou o medicamento no Brasil para sintomas vasomotores moderados a intensos associados à menopausa.
Diferentemente de antidepressivos ou gabapentina, que foram desenvolvidos originalmente para outras finalidades, o fezolinetanto foi desenvolvido especificamente para atuar na via relacionada aos fogachos. Isso amplia as possibilidades de tratamento da menopausa, mas não significa que seja a melhor escolha para todas as mulheres.

Quais são as principais opções não hormonais?
A escolha depende da intensidade dos sintomas, de outras condições de saúde e dos medicamentos que a mulher já utiliza:
- Fezolinetanto atua nos receptores de neurocinina envolvidos na regulação da temperatura e é indicado especificamente para fogachos moderados a intensos.
- ISRS e IRSN incluem determinados antidepressivos que, em doses específicas, podem diminuir a frequência ou intensidade das ondas de calor.
- Gabapentina pode reduzir os sintomas vasomotores e pode ser considerada especialmente quando os episódios noturnos interferem no sono.
- Oxibutinina também demonstrou redução dos calorões em estudos, mas os possíveis efeitos adversos precisam ser considerados.
- Terapia cognitivo-comportamental não elimina necessariamente todos os episódios, mas pode reduzir o incômodo causado pelos sintomas e melhorar a forma de lidar com eles.
Cada medicamento apresenta contraindicações, interações e efeitos adversos próprios, por isso a escolha deve ser individualizada pelo ginecologista.
E suplementos naturais também funcionam?
É importante separar produtos comercializados para menopausa de tratamentos cuja eficácia foi demonstrada de maneira consistente:
- Isoflavonas de soja apresentam resultados inconsistentes para controlar os fogachos e não têm o mesmo grau de evidência dos medicamentos recomendados.
- Trevo-vermelho e outros fitoterápicos não possuem evidência consistente suficiente para serem considerados substitutos dos tratamentos comprovados.
- Cimicífuga, também conhecida como black cohosh ou erva-de-são-cristóvão, foi estudada para sintomas da menopausa, mas os resultados são variáveis.
- Suplementos vendidos como naturais também podem causar efeitos adversos e interagir com medicamentos.
O posicionamento norte-americano de 2023 não recomenda suplementos e remédios herbais como tratamentos comprovados para sintomas vasomotores. Isso não significa que nenhuma mulher perceba melhora, mas que a evidência disponível não permite esperar um benefício consistente.
Para entender os calorões e outros sintomas dessa fase, veja também este conteúdo do Tua Saúde:
Quando vale considerar uma alternativa aos hormônios?
A terapia de reposição hormonal continua sendo o tratamento mais eficaz para os sintomas vasomotores e pode ser adequada para muitas mulheres. As alternativas não hormonais ganham importância quando existem contraindicações, quando os riscos superam os benefícios ou quando a própria mulher prefere não utilizar hormônios.
Se os calorões são frequentes, interrompem o sono ou prejudicam trabalho e atividades diárias, vale conversar com o ginecologista sobre as opções disponíveis. A escolha deve considerar intensidade dos sintomas, histórico médico, outros medicamentos em uso e possíveis efeitos adversos, em vez de trocar a terapia hormonal por suplementos por conta própria.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento médico individualizado.








