A proporção de pessoas afetadas pelas principais condições bucais apresentou uma pequena melhora entre 2019 e 2023, mas isso não significou menos pessoas convivendo com esses problemas. Uma nova análise global estimou que o número de casos aumentou de 3,62 bilhões para 3,73 bilhões no período. O aparente paradoxo acontece porque mudanças na frequência das doenças precisam ser interpretadas junto com o crescimento e o envelhecimento da população mundial.
O que realmente melhorou entre 2019 e 2023?
O estudo Global and regional progress towards reduced burden of oral conditions between 2019 and 2023, publicado em setembro de 2026 na The Lancet Public Health, estimou uma redução de 1,55% na prevalência padronizada por idade das principais condições bucais.
A análise faz parte do Global Burden of Disease 2023 e reuniu estimativas baseadas em pesquisas epidemiológicas e registros de 204 países e territórios. A padronização por idade permite comparar os períodos reduzindo a influência das diferenças na estrutura etária da população.
Por que o número de pessoas afetadas aumentou mesmo assim?
Enquanto a prevalência padronizada caiu modestamente, o número absoluto de casos cresceu 3,07%, passando de aproximadamente 3,62 bilhões em 2019 para 3,73 bilhões em 2023. Isso significa que uma porcentagem um pouco menor da população pode estar sendo afetada quando as idades são comparadas de forma equivalente, enquanto o total de pessoas com doenças bucais continua aumentando.
O crescimento da população mundial contribui para esse cenário porque uma mesma proporção aplicada a uma população maior pode produzir mais casos. O envelhecimento também é relevante, já que problemas como perda dentária e periodontite podem se acumular ao longo da vida. A Organização Mundial da Saúde também destaca que crescimento populacional e envelhecimento tendem a aumentar a demanda relacionada à saúde bucal.

Quais problemas de saúde bucal entraram na análise?
Os pesquisadores avaliaram diferentes condições para acompanhar a evolução da carga mundial de doenças bucais:
- Cárie não tratada em dentes permanentes, cuja prevalência padronizada caiu cerca de 1,99% entre 2019 e 2023;
- cárie não tratada em dentes de leite, uma condição especialmente importante durante a infância;
- periodontite grave, que afeta os tecidos responsáveis pela sustentação dos dentes;
- perda total dos dentes, também chamada de edentulismo;
- outras condições bucais e fissuras orofaciais consideradas nas estimativas do GBD.
A cárie dentária continua entre os problemas de saúde mais frequentes no mundo. Além disso, os resultados não foram iguais em todas as regiões nem para todas as condições, o que impede interpretar a pequena redução global como uma melhora uniforme.

O que pode ajudar a reduzir a carga de doenças bucais?
Como grande parte dos problemas bucais pode ser prevenida ou tratada em estágios iniciais, algumas medidas têm papel importante tanto individualmente quanto em saúde pública:
- escovar os dentes duas vezes ao dia com creme dental contendo flúor;
- fazer a limpeza entre os dentes regularmente, inclusive com fio dental;
- reduzir a frequência do consumo de alimentos e bebidas ricos em açúcares livres;
- evitar tabaco e outros produtos que aumentam o risco de doenças bucais;
- ampliar o acesso a prevenção, diagnóstico e tratamento odontológico, especialmente em populações com menor acesso aos serviços de saúde.
O avanço observado ainda está distante da meta da Organização Mundial da Saúde de reduzir em 10% a prevalência combinada das principais doenças e condições bucais até 2030. A gengivite, a cárie e outras alterações podem começar com poucos sintomas, por isso dor persistente, sangramento frequente, inchaço, dentes amolecidos ou outras mudanças na boca devem ser avaliados por um dentista.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação ou orientação de um profissional de saúde.








