Beber pouca água ao longo do dia pode deixar a urina mais concentrada e favorecer problemas como pedras nos rins. Em algumas pessoas, especialmente mulheres com infecção urinária recorrente e baixa ingestão de líquidos, aumentar a hidratação também pode ajudar a diminuir novos episódios de cistite. A quantidade necessária varia conforme peso, clima, atividade física, alimentação e condições de saúde, por isso a recomendação não deve ser igual para todos.
Por que beber pouca água favorece pedras nos rins?
Os rins eliminam pela urina substâncias como cálcio, oxalato e ácido úrico. Quando há pouco líquido disponível, o volume urinário diminui e esses compostos ficam mais concentrados, aumentando a possibilidade de formação de cristais que podem crescer e originar pedras nos rins.
Por isso, a hidratação está entre as principais medidas preventivas para quem já apresentou cálculos. A recomendação prática costuma buscar um volume de urina suficiente para mantê-la diluída ao longo do dia, sendo necessário aumentar a ingestão em períodos de calor intenso, atividade física ou transpiração elevada.
Beber pouca água também aumenta o risco de infecção urinária?
A baixa ingestão de líquidos não é, sozinha, a causa de uma infecção urinária, que ocorre principalmente pela entrada e multiplicação de bactérias no trato urinário. Entretanto, beber água aumenta o volume e a frequência da urina, o que pode favorecer a eliminação de microrganismos da bexiga.
Esse efeito foi observado principalmente em mulheres com infecções urinárias recorrentes e que já consumiam pouco líquido. Portanto, hidratar-se adequadamente pode ajudar na prevenção em determinados grupos, mas não substitui avaliação médica nem tratamento com antibióticos quando existe uma infecção bacteriana diagnosticada.

Quanta água é necessária por dia?
Uma referência prática frequentemente utilizada para adultos saudáveis é calcular aproximadamente 30 a 35 ml de líquidos por quilo de peso corporal ao dia, embora a necessidade individual possa variar. Alguns exemplos ajudam a visualizar essa quantidade:
- 50 kg: aproximadamente 1,5 a 1,75 litro por dia.
- 60 kg: aproximadamente 1,8 a 2,1 litros por dia.
- 70 kg: aproximadamente 2,1 a 2,45 litros por dia.
- 80 kg: aproximadamente 2,4 a 2,8 litros por dia.
- 90 kg: aproximadamente 2,7 a 3,15 litros por dia.
Esses valores são apenas estimativas e incluem a necessidade hídrica individual, que também pode ser atendida parcialmente por alimentos e outras bebidas. Pessoas com insuficiência cardíaca, doença renal avançada ou outras condições que exigem restrição de líquidos devem seguir exclusivamente a quantidade orientada pelo médico.
Estudo mostra que aumentar a água reduz a recorrência de cálculos
A evidência mais consistente sobre hidratação e rins está relacionada à prevenção da recorrência de pedras:
- Maior ingestão de água aumenta o volume de urina.
- A urina mais diluída reduz a concentração de substâncias capazes de formar cristais.
- A meta utilizada em estudos é frequentemente produzir pelo menos 2 litros de urina por dia.
- O benefício é especialmente relevante para pessoas que já tiveram cálculo renal.
Segundo a revisão Water for preventing urinary stones, publicada na Cochrane Database of Systematic Reviews, aumentar a ingestão de água para alcançar pelo menos 2 litros de urina por dia pode diminuir a recorrência de cálculos em pessoas que já tiveram pedras nos rins. Os autores ressaltam, porém, que a certeza da evidência disponível é limitada porque os resultados se baseiam em poucos ensaios clínicos.
Veja também como a alimentação e a quantidade de água podem ajudar a evitar novas crises de cálculo renal.
Quais sinais indicam que é preciso procurar atendimento?
Sede frequente, boca seca, dor de cabeça, tontura e produção de pouca urina podem aparecer na desidratação. Já dor intensa nas costas ou na lateral do abdômen, sangue na urina e náuseas podem ocorrer nos cálculos renais.
Ardência ao urinar, urgência, aumento da frequência urinária e urina turva podem indicar infecção urinária. Febre, calafrios ou dor forte nas costas precisam de avaliação rápida, pois podem indicar que a infecção atingiu os rins. Quem apresenta sintomas persistentes, cálculos recorrentes ou dúvidas sobre a quantidade adequada de líquidos deve buscar orientação de médico ou nutricionista.
Este conteúdo tem finalidade exclusivamente informativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento realizados por médico ou outro profissional de saúde.








