Formigamento, queimação ou perda de sensibilidade nos pés são sintomas frequentes em pessoas com diabetes e geralmente estão ligados à neuropatia diabética causada pela glicemia elevada ao longo do tempo. Entretanto, alterações no metabolismo da vitamina B1 também vêm sendo estudadas nesse grupo. A tiamina participa da transformação da glicose em energia e do funcionamento dos nervos, e sua deficiência pode provocar sintomas neurológicos semelhantes, por isso merece ser considerada quando existem fatores de risco ou manifestações persistentes.
Por que o diabetes pode afetar os níveis de vitamina B1?
A vitamina B1, também chamada tiamina, participa de etapas essenciais do metabolismo dos carboidratos e ajuda as células nervosas a produzirem energia. Pesquisas encontraram concentrações plasmáticas reduzidas de tiamina em pessoas com diabetes, associadas principalmente ao aumento da eliminação do nutriente pelos rins.
Isso não significa que toda pessoa com diabetes tenha deficiência de vitamina B1. Alimentação inadequada, consumo excessivo de álcool, cirurgia bariátrica, doenças que prejudicam a absorção e uso prolongado de determinados medicamentos também podem aumentar o risco de deficiência.
Formigamento nos pés é falta de B1 ou neuropatia diabética?
Na maioria das pessoas com diabetes, formigamento persistente nos pés deve levantar primeiro a suspeita de neuropatia diabética. A hiperglicemia mantida pode lesar nervos e pequenos vasos, provocando dormência, queimação, choques, dor ou redução da sensibilidade, geralmente começando pelos pés e avançando progressivamente.
A deficiência de tiamina também pode comprometer os nervos periféricos e causar formigamento ou fraqueza. Como os sintomas podem se sobrepor, não é possível diferenciar as duas condições apenas pela sensação nos pés, sendo necessária avaliação clínica e laboratorial.

Quais sinais podem indicar deficiência de vitamina B1?
A falta de tiamina pode provocar manifestações neurológicas e gerais que merecem investigação, principalmente quando existem fatores de risco:
- Formigamento ou dormência: alterações dos nervos periféricos podem atingir pés e mãos.
- Fraqueza muscular: pode surgir principalmente quando a deficiência se torna mais importante.
- Cansaço persistente: a tiamina participa da produção de energia a partir dos alimentos.
- Perda de apetite: pode aparecer nos estágios iniciais da deficiência.
- Dificuldade para caminhar: quadros mais avançados podem comprometer força e coordenação.
- Alterações cognitivas: confusão e problemas neurológicos podem ocorrer em deficiências graves.
Visão embaçada também pode ser causada pela falta de B1?
Na pessoa com diabetes, visão embaçada deve ser investigada principalmente como possível consequência de alterações da própria glicemia ou de doenças oculares associadas ao diabetes, e não atribuída automaticamente à deficiência de tiamina. Entre as possíveis causas estão oscilações temporárias da refração e a retinopatia diabética.
Por isso, a combinação de formigamento nos pés e visão embaçada não confirma falta de B1. Alguns cuidados e avaliações podem ser necessários:
- Verificar o controle glicêmico: glicemia e hemoglobina glicada ajudam a identificar hiperglicemia persistente.
- Avaliar os pés: sensibilidade, reflexos e presença de feridas devem ser examinados regularmente.
- Realizar exame oftalmológico: avaliação da retina ajuda a detectar complicações antes da perda importante da visão.
- Investigar deficiências nutricionais: quando houver suspeita clínica, o médico pode avaliar B1 e outros nutrientes.
- Evitar suplementação por conta própria: vitaminas não substituem o controle adequado do diabetes nem o tratamento da neuropatia.

O que os estudos mostram sobre tiamina e benfotiamina?
Um estudo clássico mostrou que pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 apresentavam níveis plasmáticos de tiamina significativamente menores do que indivíduos sem diabetes. Segundo o High prevalence of low plasma thiamine concentration in diabetes linked to a marker of vascular disease, estudo publicado na revista Diabetologia, essa redução estava associada a um aumento expressivo da depuração renal de tiamina, sugerindo maior perda da vitamina pela urina em pessoas com diabetes.
A benfotiamina, uma forma derivada da vitamina B1, também vem sendo estudada na neuropatia diabética. Ensaios clínicos mais antigos encontraram melhora de alguns sintomas neuropáticos, incluindo dor, após seu uso. Entretanto, um ensaio clínico de 12 meses publicado em 2026 não encontrou diferença significativa entre benfotiamina e placebo na maioria das medidas estruturais, funcionais e clínicas da neuropatia.
Esses resultados indicam que a benfotiamina ainda não deve ser considerada substituta do controle da glicemia nem tratamento comprovadamente modificador da neuropatia. Uma revisão recente concluiu que, fora de situações de deficiência de tiamina documentada, ainda faltam evidências suficientes para recomendar seu uso rotineiro. Pessoas com diabetes que apresentam formigamento persistente, perda de sensibilidade ou alterações visuais devem buscar orientação médica profissional para investigar neuropatia, controle da glicose, deficiência nutricional e complicações oculares.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento médico. Formigamento persistente nos pés ou qualquer alteração da visão em pessoas com diabetes deve ser avaliado por profissionais de saúde, e suplementos de vitamina B1 ou benfotiamina não devem substituir o tratamento prescrito.









