Sentir ardor na boca, queimação ou formigamento mesmo quando a língua, os lábios e o céu da boca parecem normais pode acontecer em diferentes condições. Quando esse desconforto se torna frequente ou dura semanas, é importante investigar a causa em vez de assumir que se trata automaticamente de síndrome da boca ardente.
Infecções, boca seca, deficiência de nutrientes, refluxo, alterações hormonais, alergias e alguns medicamentos podem provocar sintomas parecidos. Por isso, o diagnóstico costuma exigir avaliação da boca e, em alguns casos, exames para excluir outras explicações.
Por que a boca pode arder sem ter feridas
Segundo o National Institute of Dental and Craniofacial Research, a síndrome da boca ardente pode causar queimação, sensação de escaldadura, formigamento ou dormência mesmo quando não existem alterações visíveis no exame da boca.
Antes desse diagnóstico, porém, o dentista ou médico costuma procurar outras causas, como candidíase oral, boca seca, alergias, refluxo, deficiência de vitamina B ou ferro, alterações da tireoide ou diabetes e efeitos de determinados medicamentos.

O que pode aliviar temporariamente
Enquanto a causa está sendo investigada, algumas medidas simples podem diminuir o desconforto em determinadas pessoas:
- Tomar pequenos goles de bebida fria;
- Chupar pequenas pedras de gelo;
- Mascar chiclete sem açúcar;
- Evitar alimentos muito quentes ou picantes;
- Evitar bebidas alcoólicas;
- Evitar enxaguantes bucais que contenham álcool.
Essas medidas oferecem apenas alívio temporário e não tratam necessariamente o problema que está provocando o sintoma.
Estudo mostra que o tratamento varia
Segundo a revisão sistemática A systematic review of treatment for patients with burning mouth syndrome, publicada na revista Cephalalgia, diferentes tratamentos foram estudados para a síndrome da boca ardente, mas os resultados variam e ainda não existe uma abordagem única adequada para todas as pessoas.
Os pesquisadores analisaram ensaios clínicos envolvendo medicamentos, terapias tópicas, laser e intervenções psicológicas. A variedade de respostas reforça a importância de primeiro excluir causas tratáveis antes de iniciar uma terapia específica.
O que merece ser contado na consulta
Observar o padrão do ardor na boca pode ajudar o profissional a direcionar a investigação. Vale prestar atenção a:
- Local onde a queimação é mais intensa;
- Horário em que o desconforto começa ou piora;
- Presença de boca seca;
- Alterações do paladar, como gosto metálico;
- Medicamentos iniciados recentemente;
- Relação com determinados alimentos ou produtos bucais.
Não é indicado suspender medicamentos prescritos por conta própria. Veja também outras causas possíveis de ardência na boca.

Quando o ardor precisa ser investigado
Procure um dentista ou médico quando o sintoma aparece diariamente, dura várias semanas, piora progressivamente ou interfere na alimentação e no sono. A avaliação pode incluir exame dos dentes e mucosas, revisão dos medicamentos e exames de sangue, saliva ou infecções, dependendo do caso.
Também é importante procurar avaliação se surgirem feridas persistentes, inchaço, dificuldade para engolir, perda de peso ou outras alterações novas na boca.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento indicado por um médico ou dentista.









