As vitaminas do complexo B chamam a atenção por atuarem diretamente no cérebro, nos nervos e na formação do sangue. Entre elas, a B6, a B9 e a B12 se destacam por participarem da produção de neurotransmissores, da mielina que protege as fibras nervosas e das células vermelhas responsáveis pelo transporte de oxigênio. Entender a função específica de cada uma ajuda a evitar deficiências silenciosas e o uso desnecessário de suplementos.
Qual é a função da vitamina B6 no cérebro?
A vitamina B6, ou piridoxina, atua como cofator na produção de neurotransmissores como serotonina, dopamina, noradrenalina e GABA. Essas substâncias regulam humor, sono, memória e resposta ao estresse.
Além disso, a B6 participa do metabolismo da homocisteína, aminoácido que, em excesso, está associado a problemas cognitivos e cardiovasculares. Suas fontes incluem banana, batata, frango, salmão, grão-de-bico e sementes de girassol.
Para que serve a vitamina B9 no sistema nervoso?
A vitamina B9, também chamada de folato ou ácido fólico, é essencial para a síntese de DNA, formação de novos neurônios e produção dos mesmos neurotransmissores em que a B6 atua. Na gestação, previne defeitos no tubo neural do feto.
A carência prolongada de ácido fólico aumenta o risco de anemia megaloblástica e pode contribuir para sintomas depressivos, lapsos de memória e queda no desempenho cognitivo em adultos e idosos.

Como a vitamina B12 protege os nervos?
A vitamina B12, ou cobalamina, é indispensável para a manutenção da bainha de mielina, camada gordurosa que reveste os nervos e acelera a transmissão dos impulsos elétricos. Sem ela, surgem formigamentos, perda de equilíbrio e lapsos de memória.
Ela também participa da formação das células vermelhas do sangue, ao lado da B9. A deficiência de vitamina B12 é comum em idosos, vegetarianos estritos e pessoas com problemas de absorção intestinal.
O que dizem os estudos sobre vitaminas B e o sistema nervoso?
Revisões científicas reforçam o papel conjunto das vitaminas do complexo B na saúde neurológica. Segundo a revisão B Vitamins in the nervous system current knowledge of the biochemical modes of action and synergies of thiamine pyridoxine and cobalamin, publicada no periódico CNS Neuroscience and Therapeutics e indexada na base PubMed, as vitaminas B6, B9 e B12 atuam de forma sinérgica na síntese de neurotransmissores, na regeneração dos nervos e na produção de mielina.
Os autores destacam que a carência combinada dessas vitaminas está associada a neuropatia periférica, alterações cognitivas e maior risco de doenças neurodegenerativas ao longo do envelhecimento.

Quais os principais alimentos e riscos da suplementação sem necessidade?
A melhor forma de obter as vitaminas B6, B9 e B12 é por meio de uma alimentação variada, priorizando alimentos ricos em complexo B. Confira as principais fontes e cuidados:
- Vitamina B6 banana, batata, frango, peixes, grão-de-bico, sementes de girassol e cereais integrais
- Vitamina B9 feijão, lentilha, espinafre, brócolis, aspargos, laranja, fígado e farinhas fortificadas
- Vitamina B12 carnes, peixes, ovos, leite, queijos e alimentos vegetais fortificados
- Excesso de B6 em suplementos pode causar neuropatia periférica, com dormência e perda de sensibilidade
- Excesso de ácido fólico sintético pode mascarar deficiência de B12 e retardar o diagnóstico de danos neurológicos
- Suplementação de B12 sem indicação em pessoas sem deficiência não traz benefício cognitivo comprovado
Por isso, o uso de suplementos do complexo B deve ser feito apenas após avaliação de um profissional habilitado, com base em exames laboratoriais.
Se você percebe sintomas como cansaço persistente, formigamento, lapsos de memória ou alterações de humor, procure um médico ou nutricionista para investigar os níveis dessas vitaminas e definir a conduta mais adequada ao seu caso.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizado por um profissional de saúde qualificado.









