Tonturas frequentes e episódios repetidos de vertigem afetam boa parte da população acima dos 60 anos e podem estar ligados a um fator muitas vezes ignorado: os níveis baixos de vitamina D. Pesquisas recentes indicam que a reposição adequada desse nutriente pode reduzir a chance de novas crises, especialmente da vertigem posicional paroxística benigna. Entender essa relação ajuda a evitar quedas, preservar a autonomia e melhorar a qualidade de vida na terceira idade.
O que é a vertigem posicional paroxística benigna?
A vertigem posicional paroxística benigna, ou VPPB, é a causa mais comum de tontura giratória em idosos. Ela ocorre quando pequenos cristais de cálcio do ouvido interno se deslocam e passam a estimular indevidamente os canais responsáveis pelo equilíbrio.
As crises costumam ser curtas, mas intensas, e surgem ao virar a cabeça na cama, olhar para cima ou se abaixar. Em muitos casos, o quadro é confundido com labirintite, mas exige abordagem específica e pode ser recorrente, exigindo atenção à vertigem.
Qual a relação entre vitamina D e tontura frequente?
A vitamina D regula o equilíbrio do cálcio no organismo, mineral essencial para a formação e a estabilidade dos cristais do ouvido interno. Quando seus níveis estão baixos, esses cristais ficam mais frágeis e propensos a se soltar.
Estudos observam que idosos com vertigem recorrente costumam apresentar valores de vitamina D abaixo do recomendado. Corrigir essa carência tem se mostrado uma estratégia simples e segura para reduzir novas crises, especialmente em quem tem deficiência de vitamina D confirmada em exame.

Como um estudo científico avalia a recorrência da vertigem?
A ciência já testou de forma direta o impacto da vitamina D na prevenção de novas crises. Segundo o estudo Prevention of benign paroxysmal positional vertigo with vitamin D supplementation, ensaio clínico randomizado publicado na revista Neurology, a suplementação de vitamina D e cálcio reduziu significativamente a taxa anual de recorrência da vertigem posicional paroxística benigna em pacientes com níveis baixos do nutriente.
Os autores acompanharam mais de mil participantes em oito hospitais e observaram que a taxa anual de recorrência foi menor no grupo suplementado. O achado reforça a importância de investigar a vitamina D em idosos com tontura frequente, algo cada vez mais aplicado na prática clínica para quem tem vertigem posicional paroxística benigna recorrente.
Quais sinais indicam que a tontura merece investigação?
Nem toda tontura tem a mesma origem, mas alguns sinais ajudam a identificar quando o quadro exige avaliação mais cuidadosa. Fique atento aos principais alertas em idosos:
- Sensação de que o ambiente gira ao virar a cabeça na cama
- Crises breves, de segundos a poucos minutos, que se repetem ao longo das semanas
- Náuseas ou vômitos associados aos episódios de vertigem
- Instabilidade ao caminhar, com sensação de insegurança
- Histórico de quedas recentes sem causa aparente
- Dores ósseas, fraqueza muscular ou cansaço persistente
- Baixa exposição solar e alimentação pobre em peixes, ovos e laticínios

Como manter bons níveis de vitamina D?
A manutenção de valores adequados de vitamina D depende de um conjunto de hábitos, especialmente após os 60 anos, quando a capacidade da pele de produzir o nutriente diminui. Veja as principais estratégias recomendadas por especialistas:
- Exposição solar diária de 15 a 20 minutos, preferencialmente pela manhã, em braços e pernas
- Consumo regular de peixes gordurosos como salmão, sardinha e atum
- Inclusão de gema de ovo, cogumelos e laticínios fortificados na rotina
- Dosagem periódica de 25-hidroxivitamina D em consultas de rotina
- Suplementação apenas com orientação médica e ajuste conforme resultado do exame
- Prática regular de atividade física, que melhora equilíbrio e reduz risco de quedas
- Avaliação com otorrinolaringologista diante de crises repetidas de tontura
Idosos com tontura recorrente devem procurar avaliação especializada para identificar a causa e receber o tratamento correto, que pode incluir manobras de reposicionamento, fisioterapia vestibular e, quando indicado, reposição de nutrientes. A investigação laboratorial da vitamina D é simples e pode fazer diferença no controle das crises e na prevenção de quedas em quem sofre com tontura constante.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um médico ou profissional de saúde qualificado. Em caso de tonturas frequentes, sintomas persistentes ou risco de quedas, procure orientação médica.









