A tireoide depende de nutrientes específicos para produzir e regular seus hormônios, e o zinco e o selênio estão entre os mais importantes desse processo. Ambos participam da conversão do T4 na sua forma ativa, o T3, e ajudam a proteger a glândula do estresse oxidativo. Incluir alimentos como castanha-do-pará, ovos, sementes de abóbora, peixes e frutos do mar na rotina pode complementar o tratamento do hipotireoidismo, sempre em conjunto com o acompanhamento médico e o uso correto da medicação prescrita.
Por que zinco e selênio são importantes para a tireoide?
O selênio atua como componente das enzimas que transformam o T4 em T3, hormônio que o organismo realmente utiliza no metabolismo. Também tem ação antioxidante e protege a tireoide dos danos causados pelo próprio processo de produção hormonal.
O zinco, por sua vez, participa da síntese dos hormônios tireoidianos, do funcionamento dos receptores celulares e do equilíbrio imunológico, o que é especialmente relevante em quadros autoimunes como a tireoidite de Hashimoto.
Como uma castanha-do-pará por dia pode suprir a necessidade de selênio?
A castanha-do-pará é considerada a maior fonte natural de selênio no mundo. Uma única unidade média pode conter entre 50 e 90 microgramas do mineral, quantidade próxima à recomendação diária para adultos.
Consumida diariamente, ela ajuda a manter os níveis de selênio no organismo sem risco significativo de excesso. Mesmo assim, é importante evitar o consumo de várias unidades ao dia, já que o excesso do mineral pode causar efeitos adversos.

O que um estudo científico revela sobre selênio e hipotireoidismo?
A relação entre selênio e a saúde da tireoide, especialmente em casos autoimunes, tem sido investigada em revisões sistemáticas com dados de milhares de participantes. Segundo a revisão sistemática e meta-análise Selenium Supplementation in Patients with Hashimoto Thyroiditis, publicada na revista científica Thyroid e indexada no PubMed Central, o consumo adequado de selênio esteve associado à redução dos anticorpos antitireoperoxidase e à melhora de marcadores da função tireoidiana em pacientes com tireoidite de Hashimoto, principal causa de hipotireoidismo em adultos.
Os autores destacam que, embora a suplementação apresente resultados favoráveis, a estratégia mais segura é obter o mineral pela alimentação, com acompanhamento profissional para evitar deficiência ou excesso.
Quais alimentos concentram zinco e selênio para incluir no cardápio?
Alguns alimentos combinam boas quantidades desses dois minerais e podem ser incluídos com facilidade na rotina alimentar. A seguir, veja as principais opções para o que comer para regular a tireoide.
- Castanha-do-pará, principal fonte natural de selênio, com uma unidade por dia
- Ovos, ricos em selênio, zinco e proteínas de alto valor biológico
- Sementes de abóbora e de girassol, fontes de zinco e antioxidantes
- Peixes como sardinha, salmão e atum, que fornecem selênio, iodo e ômega 3
- Frutos do mar como camarão, ostras e mariscos, com alta concentração de zinco
- Carnes magras, como frango e cortes bovinos, fontes de zinco de boa absorção
- Cereais integrais, feijão e lentilha, que complementam a ingestão desses minerais

Quais cuidados são importantes para quem tem hipotireoidismo?
A alimentação é uma aliada, mas não substitui o tratamento medicamentoso do hipotireoidismo. Alguns cuidados no dia a dia potencializam o efeito da terapia e ajudam a manter o equilíbrio hormonal.
- Tomar a levotiroxina em jejum, com água, ao menos 30 a 60 minutos antes de comer
- Evitar café, leite e suplementos de cálcio, ferro ou zinco junto com a medicação
- Moderar o consumo de vegetais crucíferos crus, como brócolis e couve, em grandes quantidades
- Reduzir ultraprocessados, açúcares refinados e gorduras trans
- Manter atividade física regular e boa qualidade de sono
- Realizar exames periódicos de TSH e T4 para acompanhar os sintomas do hipotireoidismo e ajustar a dose
Se você tem hipotireoidismo ou apresenta sintomas como cansaço persistente, ganho de peso, sensibilidade ao frio ou queda de cabelo, é fundamental procurar um endocrinologista ou nutricionista para avaliação individualizada e definição do plano alimentar mais adequado ao seu caso.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um profissional de saúde qualificado.









