Ciclobenzaprina e orfenadrina podem parecer opções simples para uma dor muscular ou torcicolo, mas exigem atenção especial depois dos 65 anos. Esses medicamentos aparecem em critérios internacionais de medicamentos potencialmente inadequados para idosos porque podem provocar sonolência, confusão, efeitos anticolinérgicos e maior risco de quedas e fraturas. Isso não significa que sejam absolutamente proibidos em qualquer situação, mas que não devem ser usados por conta própria, mesmo que a intenção seja tomar apenas por poucos dias.
Por que esses relaxantes musculares preocupam mais nos idosos?
Com o envelhecimento, o organismo pode responder de maneira diferente aos medicamentos, especialmente aos que atuam no sistema nervoso central. A ciclobenzaprina pode causar sonolência, tontura e boca seca, enquanto a orfenadrina também pode provocar sonolência, fraqueza, boca seca, prisão de ventre e, em alguns casos, confusão mental.
Além do efeito sedativo, os dois medicamentos apresentam ação anticolinérgica. Em idosos, esse tipo de efeito merece atenção porque pode favorecer alterações como confusão, visão turva, dificuldade para urinar e constipação, além de comprometer equilíbrio e atenção.
Por que ciclobenzaprina e orfenadrina aparecem na lista de Beers?
Os Critérios de Beers de 2023 da American Geriatrics Society, utilizados como referência para identificar medicamentos potencialmente inadequados em pessoas com 65 anos ou mais, incluem tanto ciclobenzaprina quanto orfenadrina entre os relaxantes musculares que devem ser evitados na maioria dos idosos.
O documento explica que esses medicamentos costumam ser mal tolerados nessa faixa etária devido aos efeitos anticolinérgicos, à sedação e ao aumento do risco de fraturas. Também destaca que a eficácia nas doses toleradas por idosos é incerta. A classificação não significa uma proibição automática, mas indica que o médico deve pesar cuidadosamente riscos, benefícios e possíveis alternativas antes de prescrevê-los.

Quais idosos precisam de atenção ainda maior?
O cuidado é especialmente importante quando já existem problemas que podem ser agravados pelos efeitos desses medicamentos. Entre as situações que devem ser informadas ao médico estão:
- histórico de quedas ou fraturas;
- confusão, delirium ou alterações cognitivas;
- glaucoma;
- dificuldade para urinar ou retenção urinária;
- problemas de equilíbrio ou tonturas frequentes;
- uso de vários medicamentos ao mesmo tempo;
- uso de remédios que também provocam sono ou diminuem a atenção.
A combinação com outros medicamentos sedativos pode deixar o idoso ainda mais sonolento e instável. Por isso, filhos ou cuidadores devem evitar oferecer um relaxante muscular que já existe em casa apenas porque a pessoa apresentou dor nas costas, no pescoço ou em outra região.
Usar por apenas dois ou três dias torna o medicamento seguro?
Não necessariamente. Alguns efeitos, como sonolência, tontura ou confusão, podem surgir logo após o início do tratamento. Para um idoso que já apresenta dificuldade para caminhar, levanta durante a noite para ir ao banheiro ou utiliza outros medicamentos sedativos, até um tratamento curto pode aumentar a possibilidade de uma queda.
Além disso, existem diversos tipos de relaxantes musculares, com indicações, contraindicações e efeitos diferentes. Trocar ciclobenzaprina ou orfenadrina por outro medicamento por conta própria também não é uma solução segura. A escolha depende da causa da dor, das doenças existentes e de todos os remédios usados pelo paciente.

O que fazer quando um idoso está com dor muscular?
O primeiro passo é entender a causa da dor, principalmente quando ela apareceu após uma queda, é intensa, persiste por vários dias ou vem acompanhada de fraqueza, dormência, febre ou dificuldade para movimentar uma região. Dependendo do problema, o médico pode considerar medidas não medicamentosas, ajustes nas atividades, fisioterapia ou medicamentos mais adequados ao perfil daquele paciente.
Se o idoso já usa ciclobenzaprina ou orfenadrina prescrita por um médico, o medicamento não deve ser interrompido ou substituído sem orientação. Porém, sonolência intensa, confusão, desmaio, dificuldade importante para caminhar ou uma queda durante o tratamento merecem avaliação. Também é útil levar à consulta uma lista completa dos medicamentos, inclusive aqueles vendidos sem receita.
Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui avaliação médica. Em idosos, relaxantes musculares devem ser utilizados somente após avaliação individual dos benefícios, riscos e demais medicamentos em uso.








