Consumir muita proteína não significa automaticamente que uma pessoa saudável terá lesão nos rins. Porém, proteína e rins exigem uma atenção diferente quando já existe doença renal, porque os rins participam da eliminação de resíduos produzidos pelo metabolismo proteico. Nesses casos, a quantidade adequada depende da função renal, do estado nutricional e de a pessoa estar ou não em diálise.
Por que a proteína exige mais dos rins
As proteínas dos alimentos são quebradas em aminoácidos utilizados pelo organismo, mas esse processo também produz resíduos que precisam ser eliminados. Segundo a National Kidney Foundation, pessoas com doença renal crônica que ainda não fazem diálise podem precisar limitar a quantidade de proteína da alimentação.
A necessidade varia conforme vários fatores, incluindo:
- estágio da doença renal e capacidade de filtração dos rins;
- peso corporal e quantidade de massa muscular;
- presença de diabetes ou outras doenças;
- quantidade de calorias consumidas diariamente;
- estado nutricional e risco de perda de músculos.

Quem não faz diálise pode precisar reduzir
Em determinados estágios da doença renal crônica, reduzir moderadamente a proteína pode diminuir a formação de resíduos nitrogenados e fazer parte do tratamento nutricional. Isso não significa eliminar carnes, ovos, leite ou outras fontes proteicas, mas ajustar porções e fontes conforme orientação profissional.
Além da proteína, a alimentação pode precisar ser adaptada de acordo com potássio, fósforo, sódio e outras alterações encontradas nos exames. Entenda também os principais cuidados na dieta para insuficiência renal.
O que um estudo diz sobre proteína e doença renal
Uma revisão chamada Dietary protein intake and chronic kidney disease, publicada no periódico Current Opinion in Clinical Nutrition and Metabolic Care, analisou o papel da ingestão de proteínas na doença renal crônica. Os autores destacam que dietas com menor quantidade de proteína podem ser usadas em alguns pacientes, mas precisam fornecer energia e nutrientes suficientes para evitar perda de massa corporal. O Dietary protein intake and chronic kidney disease.
Isso ajuda a explicar por que simplesmente cortar proteínas sem acompanhamento não é uma estratégia segura. A quantidade adequada precisa equilibrar o controle da doença com a manutenção do estado nutricional.
Na diálise a necessidade pode aumentar
Quando uma pessoa começa a fazer diálise, a recomendação pode mudar. O tratamento remove resíduos do sangue, mas também pode contribuir para perdas de aminoácidos e proteínas. Por isso, pacientes em diálise geralmente precisam de mais proteína do que aqueles com doença renal que ainda não iniciaram esse tratamento.
Alguns fatores tornam esse cuidado especialmente importante:
- perda de aminoácidos durante as sessões de diálise;
- maior risco de redução da massa muscular;
- necessidade de manter níveis adequados de proteínas no organismo;
- infecções, inflamações ou outras condições que aumentem as necessidades nutricionais.

Reduzir proteína por conta própria também tem riscos
Uma restrição exagerada pode fazer a pessoa consumir menos proteína e calorias do que precisa, favorecendo perda muscular, fraqueza e desnutrição. O risco é especialmente importante em idosos, pessoas com baixo peso e pacientes que já apresentam perda de apetite.
Por isso, não existe uma quantidade única indicada para todas as pessoas com problema renal. O nefrologista e o nutricionista podem considerar estágio da doença, exames, peso e tratamento realizado para definir quanto consumir e quais fontes de proteína são mais adequadas.
Este conteúdo é apenas informativo e não substitui a avaliação de um médico ou nutricionista, especialmente em pessoas com doença renal ou que realizam diálise.








