O azeite de oliva extravirgem é uma das gorduras mais estudadas quando o assunto é saúde do coração, e pesquisas recentes com dietas mediterrâneas têm avaliado seu impacto nos níveis de LDL, o colesterol ruim, e HDL, o colesterol bom. Os resultados mostram que o consumo regular, em quantidades moderadas, pode contribuir para melhorar o perfil lipídico de pessoas com dislipidemia, especialmente quando faz parte de um padrão alimentar equilibrado. Entender essas evidências ajuda a usar o azeite de forma mais estratégica no dia a dia.
Como o azeite de oliva age sobre o colesterol?
O azeite extravirgem é rico em ácido oleico, uma gordura monoinsaturada que ajuda a reduzir o colesterol LDL sem prejudicar o HDL. Também contém polifenóis, como o hidroxitirosol e a oleuropeína, com ação antioxidante e anti-inflamatória sobre as artérias.
Esses compostos dificultam a oxidação do LDL, etapa crucial na formação das placas de aterosclerose. Assim, mais do que apenas alterar números no exame de sangue, o azeite atua na proteção da parede dos vasos e na função das lipoproteínas.
Qual a diferença entre azeite refinado e extravirgem?
Nem todo azeite oferece a mesma proteção cardiovascular, já que o processamento influencia diretamente a quantidade de compostos bioativos. O extravirgem é obtido por prensagem a frio, enquanto o refinado passa por altas temperaturas e solventes químicos.
Esse detalhe muda o perfil nutricional do produto e o efeito sobre o organismo, principalmente em quem já convive com colesterol LDL alto. Escolher o tipo correto no rótulo é decisivo para aproveitar os benefícios estudados nas pesquisas.

O que um grande estudo mostrou sobre azeite e risco cardiovascular?
A evidência mais robusta sobre o azeite extravirgem e a saúde do coração vem de um dos maiores ensaios clínicos de nutrição já conduzidos. Segundo o estudo Primary Prevention of Cardiovascular Disease with a Mediterranean Diet Supplemented with Extra-Virgin Olive Oil or Nuts, publicado no periódico The New England Journal of Medicine, a dieta mediterrânea enriquecida com azeite extravirgem reduziu em cerca de 30% o risco de infarto, acidente vascular cerebral e morte cardiovascular em pessoas de alto risco.
A pesquisa, conhecida como PREDIMED, acompanhou mais de 7.400 participantes durante aproximadamente cinco anos. Os autores reforçaram que os efeitos protetores estão ligados à melhora do perfil lipídico e à ação antioxidante dos polifenóis, mas dependem de um padrão alimentar global saudável, e não apenas da adição isolada do azeite à dieta.
Quanto azeite de oliva consumir por dia?
Os ensaios clínicos utilizaram quantidades específicas para avaliar os efeitos sobre o perfil lipídico. Saber essas medidas ajuda a incluir o azeite de forma segura e eficaz no dia a dia, sem exceder o valor calórico da dieta.
- 2 a 4 colheres de sopa por dia, o equivalente a 20 a 50 gramas, foi a faixa testada nos estudos da dieta mediterrânea.
- Sempre extravirgem, preferindo produtos com acidez inferior a 0,5% para maior teor de polifenóis.
- Preferir o uso cru, regando saladas, sopas, legumes cozidos, peixes e leguminosas para preservar os compostos bioativos.
- Substituir gorduras saturadas como manteiga, banha e óleo de coco no dia a dia, potencializando o efeito sobre o LDL.
- Evitar reaquecer repetidamente, pois altas temperaturas degradam os antioxidantes.
- Combinar com alimentos ricos em fibras, vegetais, frutas, grãos integrais e leguminosas, seguindo o padrão mediterrâneo.

Por que o efeito depende do padrão alimentar como um todo?
Nenhum alimento isolado é capaz de controlar a dislipidemia, e o azeite não foge à regra. Os benefícios observados nas pesquisas ocorreram em pessoas que também aumentaram o consumo de vegetais, frutas, peixes e cereais integrais, e reduziram carnes processadas, açúcares e ultraprocessados.
Regar salada com azeite enquanto se mantém uma alimentação para baixar o colesterol desequilibrada não produz o mesmo resultado observado nos estudos. Além disso, o controle da dislipidemia também depende de peso adequado, prática regular de atividade física e, em alguns casos, uso de medicamentos indicados pelo médico. Diante de alterações no perfil lipídico, procure sempre um cardiologista ou nutricionista para uma avaliação individualizada e a definição da melhor conduta.
Este conteúdo tem caráter apenas informativo e não substitui a avaliação, o diagnóstico ou o tratamento realizados por um médico ou profissional de saúde qualificado.









